Análise

2020 – Japão Submerso é bom? Vale a pena ver o anime? | Crítica

2020 – Japão Submerso é um anime até razoável, mas cheio de “problemas”
12 minutos para a leitura
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Recém adicionado ao catálogo da Netflix, 2020 – Japão Submerso (Japan Sinks2020), do estúdio Science SARU, é mais um daqueles animes que aborda sobre catástrofes naturais que acontecem no Japão.

2020 japão submerso anime capa
Veja ele no nosso guia!

Sobretudo, é importante deixar avisado aqui que a indicação da animação está para maiores de idade (+18), e é meio óbvio o motivo.

Por se tratar de desastres, tragédias e, principalmente, morte, é de se esperar que muitas cenas pesadas farão parte da narrativa do anime. No que se refere a trazer à tona sensações ruins, 2020 – Japão Submerso faz bem.

Entretanto, a direção desta animação foi de responsabilidade de Masaaki Yuasa, o mesmo diretor de Devilman CryBaby e de Tatami Galaxy, que para critério que conhecimento, não fui muito com a cara. Faz bastante tempo também, talvez devesse dar uma nova chance para saber se minha opinião mudou.

Mas o fato é que o Yuasa tem umas ideias e, principalmente, um estilo de animação um pouco fora da curva, digamos. A forma que ele desenvolve seus trabalhos, pelo menos dos que eu já assisti, não me agradam muito. Lembrando que isso é uma opinião pessoal, não uma afirmação de algo.

Vale ressaltar que a animação é baseada num livro famoso fora do Brasil, chamado “Japan Sinks“, do escritor japonês Sakyo Komatsu.

Agora que tivemos um contexto de onde surgiu e quem criou 2020 – Japão Submerso, comecemos.

O início de tudo

Um ponto interessante de 2020 – Japão Submerso é que as coisas acontecem de uma maneira bem direta ao ponto.

Logo no primeiro episódio já temos os primeiros indícios da desgraça. O que, talvez, poderia ser mais enrolado, criando aos poucos uma determinada atmosfera que levaria ao ápice, essa obra vai direto ao que interessa.

Tudo se inicia com alguns tremores na cidade, mas logo em seguida um terremoto muito forte acontece, e o anime não demora para deixar claro para o público o porquê de ser +18.

Cenas de pessoas soterradas, implorando por socorro, muito sangue, partes do corpo sendo decepadas e coisas relacionas se torna de praxe nos acontecimentos futuros da obra.

A visão distópica é muito presente, tanto nos cenários como em cada um dos personagens que são apresentados.

2020 - Japão Submerso netflix

Ademais, não sendo o suficiente toda essa angústia, os personagens também terão que lidar com a realidade de que o Japão poderá afundar em alguns dias.

Esse desespero e todo o caos que culmina começa a gerar nas pessoas o pânico de não saber se irão sobreviver, se pessoas próximas ainda estão vivas ou, o mais importante, como farão para sobreviver.

É quando surge a parte do survive. Essa é uma parte interessante da história, apresentando as formas engenhosas (ou nem tanto) dos protagonistas de sobrevivência.

Real necessidade de alguns eventos em 2020 – Japão Submerso

Enquanto assistia, me questionava o quão necessário era a presença de determinadas cenas. Claro que, todas tiveram uma mensagem a ser passada, como, por exemplo, a ideia de que um mundo sem leis, pessoas acreditam que podem fazer o que quiser, isentas de punição.

Todavia, cogitava se não poderia acontecer de uma forma diferente, mais condizendo com a trama, em determinados pontos da história. Eu diria que o momento mais bizarro da história aconteceu num ponto onde os personagens foram parar em um lugar chamado Shan City.

Existem casos e casos. Há aqueles casos em que sabemos que são importantes e também, mesmo não sendo tão emocionante, ainda assim é relevante para o contexto geral.

2020 - Japão Submerso personagens

Porém, existem também aqueles casos em que se for retirado ou contado de uma perspectiva diferente, não fará diferença. E é justamente esta visão que tive acerca dos acontecimentos em Shan City.

Resumindo para vocês o que acontece: Shan City é uma comunidade que permaneceu intacta, enquanto o resto do país ia se deteriorando.

Em busca de abrigo e segurança, eles foram em direção a este local.

Lá, as pessoas pareciam ser alienadas por alguma coisa, todos usando roupas padronizadas e com espécie de ritos matinais ou qualquer alguma coisa do gênero.

Ademais, a líder do recinto tinha uma habilidade bem fora do tom “realista” que a obra abordara até então. E neste ponto você pode ter entendido que a história sobre ruínas, desgraça e muita morte saiu um pouco dos eixos.

momentos estranhos do anime

Objetivos talvez não compreendidos em Japan Sinks: 2020

Eu mantenho a ideia de que muitas coisas poderiam não ter acontecido, ou até mesmo poderiam ter acontecido, todavia de uma forma diferente.

Entretanto, também considero válido o fato de que todos esses eventos, por mais bizarros que alguns tenham sido, estavam ali por algum motivo.

Como supracitado no texto, alguns serviram para mostrar o quão irracional pode se tornar o ser humano a partir do momento em que as leis passam a não ter mais funcionalidade.

Entra muito na questão da ética e moral também. Logo, talvez realmente haja um objetivo por trás de tudo.

Ayumu de 2020 - Japão Submerso

O fato é que em Japan Sinks: 2020, todo o conteúdo apresentado é muito intenso. E por mais que ele seja importante ou queira deixar uma forte ideia, ainda assim emerge aquela sensação de desgosto.

Ou seja, por mais que tenha um significado, não deixa de me desagradar por ambos os motivos. Quer seja por ser abordado de uma forma “esquisita”, quer seja por ser um tema que me causa desconforto.

Os protagonistas de 2020 – Japão Submerso

É bem provável que um dos meus personagens favoritos tenha sido o Kite, um branquelo youtuber que aparece quase na metade do anime.

Fora ele e mais alguns que me chamaram a atenção, o que me é mais memorável é o desgosto pela protagonista e o irmão dela.

Ayumu Mutou irritava por conta de determinadas atitudes que tinha com relação a certos acontecimentos que não contarei aqui para não dar spoiler para os que ainda não assistiram o anime.

“Mas ela é só uma criança”. Cheguei a ver esse comentário para justificar os atos da garota. E eu até compreendo.

problemas com a personagem Ayumu

O meu problema não é especificamente este. Eu até entendi que certos sentimentos eram normais, mas o que matava era a reação. E não importa se é criança ou não, o fato é que é chato.

Assim como ir ao cinema e, dentro da sala, ter uma mulher com um filho ainda de colo sentada uma fileira a frente da sua. É certo que o bebê irá cair em prantos uma hora.

É totalmente compreensivo isso, mas você vai negar que é irritante?! Duvido.

E temos também o Go Mutou, o irmão mais novo da Ayumu. Em relação ao Go é uma coisa talvez mais pessoal ou apenas chatice minha. O garoto é daqueles que gosta de inglês e a todo momento fica soltando frases ou palavras soltas nas falas.

“Nossa, isso é crazy.”, “Like, você é muito cool“. Há momentos também que ele tem umas conversações completas na língua, que é tudo bem. Mas como eu disse, talvez não seja algo que necessariamente pode ser considerado como incômodo, apenas um comentário sobre o que achei.

protagonista Go

Finalizando…

2020 – Japão Submerso teve vários momentos meio “bizarros” no seu decorrer.

Além dos que eu já elenquei acima, há situações devastadoras onde, em off, o personagem narra algumas histórias de uma forma pacífica, como se tudo estivesse muito bem. Isso causou um contrate enorme nas cenas.

Também foi bem “normal” a trilha sonora agitada estar presente em um momento que era dramático ou de aflição, em determinados pontos. E, como já citado, pode ser que haja uma ideia por trás de tudo isto.

Mas devo salientar que a trilha sonora de Japan Sinks: 2020 é bem bonita.

Tal como sua opening, que não condiz com nada do que é apresentado na história do anime. Eu até queria anexar a opening aqui, mas não encontrei ela disponível no YouTube. Então, “solamento”.

Por fim, em certo ponto da história temos uma mensagem motivadora da protagonista, Ayumu, dizendo que não importa as intempéries da vida ou o quão difícil as coisas possam parecer, o sol sempre se erguerá no horizonte trazendo esperança.

Isso foi uma alusão à bandeira japonesa. O Japão também é conhecido como “A Terra do Sol Nascente”. Enfim, por este motivo, a comparação do sol como símbolo de perseverança e determinação, que foi preciso para enfrentar todas as situações e, no fim, subvertê-las.

Me disseram que este anime lembra um pouco um outro chamado Tokyo Magnitude 8.0, porém eu mesmo não o assisti ainda.

Mas e vocêm, o que achou da história de 2020 – Japão Submerso? Acha que vale a pena? Deixa aí nos comentários!

Escrito por

Welerson Silva

Quase Jornalista e Escritor

Youtuber | Escrita cabeçuda

Brasília - DF

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