Análise

20th Century Boys, de Naoki Urasawa, é bom? Vale a pena? | Crítica

20th Century Boys é misterioso, cansativo e muito bom. Tudo ao mesmo tempo
16 minutos para a leitura
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20th Century Boys foi um mangá publicado aqui no Brasil pela Panini nos anos de 1999 a 2006. O mangá prezou tanto por mistérios infindáveis que acabou tendo uma continuação direta em 21st Century Boys, que de fato encerrou a história. E esse tipo de narrativa também é um dos pontos pelos quais costumam não gostar de Naoki Urasawa.

Há quem questione a genialidade de Naoki Urasawa em 20th Century Boys. Aliás, não somente nesta obra, mas também as demais pelas quais o mangaká foi responsável.

A ideia levantada é sempre de que suas obras são superestimadas. Mas, será mesmo? Algo incontestável e que sempre é bom salientar é a ideia de subjetividade.

Nada será bom para todos, assim como nada será ruim para a maioria. Sempre haverá uma polarização.

pôster do mangá 20th century boys

Assim como tem aqueles que acreditam que as obras de Urasawa não são tudo isso, há pessoas que consideram o autor um gênio. Todavia, algo que é necessário para ambas as partes é informação.

Portanto, neste texto iremos discutir sobre os acontecimentos de 20th Century Boys. Claramente que não todos, a fim de não evidenciar nenhum tipo de spoiler. Porém, dar aquele contexto geral para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler este mangá.

A propósito, também realizando o sonho do Luiz, autor aqui da Cúpula.

O Luiz, um tempo atrás, escreveu uma notícia sobre Naoki Urasawa estar trabalhando em um novo anime. E em suas palavras: “Vou sugerir futuramente por aqui na Cúpula uma análise mais profunda de suas obras. Acredito que todo mundo gosta de um olhar mais crítico e mais pontos de vista nestas horas.”.

Sua espera acabou. Claro que, por hora, é somente sobre 20th Century Boys. Mas quem sabe futuramente não aconteça de ter outras críticas sobre as demais obras do autor?!

Considerações iniciais sobre 20th Century Boys

Um dos pontos que mais me chamou a atenção em 20th Century Boys é seu estilo de narrativa. A história é contada a partir de eventos alternados entre passado e futuro. Quem me conhece bem sabe o quanto histórias envolvendo viagem no tempo ou qualquer coisa próxima a isso é algo que eu admiro bastante.

Inclusive, caso você também tenha uma certa inclinação para este tipo de narrativa, fica aqui a indicação de Steins;Gate. Anime sobre viagem no tempo que vale muito a pena dar uma conferida.

Ademais, a história segue essa linha com personagens infantis. Uma pegada estilo Stranger Things ou It: A Coisa. Esse seguimento de enredo de mistério e suspense figurado por crianças é algo que acho muito interessante e, quando me deparei com 20th Century Boys, a sensação de felicidade não foi pouca.

a trupe dos melhores amigos em 20th century boys

Todavia, claro que existem alguns inconvenientes. Como, por exemplo, a bagunça nas linhas temporais. Quando se acompanha uma história que mexe bastante com o espaço-tempo, a cronologia pode parecer um tanto complexa e fazer com que o leitor se perca.

Às vezes nem tanto pela obra em si, mas sim pela falta de atenção. Logo, se você vai entrar nesse âmbito, saiba que atenção é primordial.

E, por fim, muito mistério e muito drama permeiam a história de 20th Century Boys. Ao mesmo tempo em que esta segue sendo a tônica do mangá, o elemento mais importante, também se torna, em determinado momento, o ponto negativo.

Início da trama em 1970

Irei dividir a história do mangá em quatro partes, com as datas mais importantes, para assim ficar mais compreensível. O enredo segue a vida de algumas crianças do primário. E eles são grandes melhores amigos.

Claro, sempre havendo aquele personagem em ascensão, temos o Kenji. Um dos personagens mais importantes nesse primeiro momento e também crucial para o final do mangá. E assim somos apresentados aos protagonistas dessa série.

kenji, o protagonista de 20th century boys

Aliás, um ponto que merece atenção é a questão de como Urasawa oferece destaque a todos os personagens em seu leque. Dificilmente ele vai largar algum no meio do caminho para dar mais evidência em outro.

Detrimento parece não existir no vocabulário do autor. Logo, pode-se dizer que a narrativa de 20th Century Boys é similar à ensemble cast.

Ensemble cast é um estilo de narrativa onde há vários personagens na trama e todos eles são tratados de maneira igualmente importante, com o mesmo tempo de tela.

Essas crianças possuem uma base secreta. Que seria um tipo de lugar que eles encontraram e ninguém mais sabe onde é. A partir disto, eles fizeram deste local o ponto de encontro deles.

E é nesta base secreta onde eles passam horas brincando e lendo mangás. E como boas crianças que são, imaginação não poderia faltar.

capas dos mangás de 20th century boys

Os garotos passavam boa parte do tempo brincando de super-heróis que salvavam a terra contra forças malignas. Foi em uma dessas brincadeiras que Kenji, o líder do grupo, teve a brilhante ideia de criar o “Livro de Profecia”.

Neste livro estava descrito como a terra iria acabar, por influência de pessoas más, e como eliminariam essa organização do mal. Tudo não passava de uma simplória brincadeira de garotos comuns, vivendo uma vida comum. Todavia, a vida desses garotos e de toda a humanidade estava prestes a mudar.

o livro de profecia de 20th century boys

Os primeiros acontecimentos suspeitos em 1997

Alguns anos posteriores, os garotos, que antes brincavam de heróis em seu esconderijo secreto, agora tinham uma vida para cuidar. Já adulto, vemos Kenji tornando-se babá de Kanna, personagem de suma importância para o futuro da série. Kanna é filha da irmã de Kenji, que por algum motivo misterioso, desapareceu.

kanna endo 20th century boys

No que tange ao Kenji, é interessante oferecer um background ao personagem, a fim de entendê-lo melhor. Logo, Kenji, quando garoto, era apaixonado por música, mais especificamente, rock.

Quando cresceu, por um tempo manteve acesa a chama deste sonho de tornar-se músico um dia. Entretanto, ele acaba caindo em um processo de desistência. Porém, Kenji dá a volta por cima, mas de uma forma diferente, no final do mangá.

Quando eventos estranhos começam a acontecer pelo Japão, Kenji começa a notar certas coincidências com algo que ele e os amigos fizeram no passado.

Dessa forma, uma organização misteriosa, que mais parecia uma espécie de culto, emergiu do nada. Essa organização era liderada por um homem chamado “Amigo”.

o amigo, o vilão da história

Por mais incrível e impossível que parecesse, todas as ideias diabólicas contidas no “Livro de Profecia” de Kenji e seus amigos estavam acontecendo na vida real. Agora, mais uma vez, todos precisarão se reunir para enfrentar este inimigo em comum.

A propósito, este é um ponto bastante interessante. Eles irão lutar contra algo que eles mesmos criaram. Mas, afinal, porque alguém iria querer concretizar na vida real tudo de ruim que estava em um livro escrito por crianças na pura brincadeira?

E mais, quem poderia ser a pessoa que teve acesso a esse livro? Seria o próprio Kenji e seus amigos ou alguém que eles não fazem ideia de quem seja? Os mistérios se iniciam.

Acontecimentos do ano 2000

Mais alguns anos se passam e, dessa vez, as coisas saíram do controle. O ano 2000 ficou eternizado nas memórias, não somente dos nossos protagonistas, mas de toda uma geração. Conhecido como Réveillon Sangrento de 2000, o “Amigo”, aliado à sua organização maligna, espalhou um vírus mortal pelas principais cidades do mundo.

Como se a histeria em massa já não fosso o suficiente, surge, então, um robô gigante em Tokyo. Lembrando que todas essas coisas estavam no “Livro de Profecia”. A pessoa que estava por trás de tudo isto estava fielmente recriando os eventos narrados no livro.

Agora, com qual objetivo, você terá que ler o mangá para descobrir.

Por fim, Kenji e seus amigos se reúnem para tentar impedir o “Amigo”. Contudo, o pior acontece. Eles não conseguem derrotar o inimigo. Não somente perdem, como saem como vilões.

a batalha entre o bem e o mal

Este é outro ponto muito marcante de 20th Century Boys: a conspiração e manipulação. Kenji e seus amigos são taxados como terroristas e jogados na mídia como malfeitores.

Em resumo, o “Amigo” é aclamado o salvador do mundo, sendo ele mesmo o causador de toda a ruína do mundo. Porém, como ele era proeminente, possuía fortes aliados e influência, era muito simples manipular pessoas.

E essa influência segue pelos próximos anos, fazendo com que o mundo viva na penumbra da ilusão e não saiba o que de fato é verdade.

Acontecimentos de 2014

Ano final a ser trabalho neste texto, 2014 seguiu sendo o ano da virada para nossos personagens e também para o mundo. Um lampejo de esperança para aqueles que não haviam sucumbido perante ao império do “Amigo”.

Kanna agora tem 17 anos. Lembram-se de Kanna? Aquela que Kenji tomava de conta quanto bebê? Agora ela tem a importante incumbência de reunir os antigos aliados da facção Kenji para lutar contra o “Amigo”, mais uma vez.

No entanto, enquanto Kanna tenta abrir os olhos das pessoas, um terrível vírus dizima a população.

Minha experiência com 20th Century Boys foi ainda mais imersiva por conta dos acontecimentos do mangá e também do período pelo qual estava passando na vida real. Quando iniciei a leitura, o caso da Covid-19 estava começando a se alastrar, até se tornar uma pandemia.

kanna endo

Tudo isso foi muito significativo, principalmente os panoramas ficcional e real. Foi uma experiência muito única e marcante. Não à toa 20th Century Boys é meu segundo mangá favorito da vida.

Em síntese, esses são os acontecimentos principais da obra. O que parte disso seria mais aprofundado e correria o risco de eu entregar informações demais e, possivelmente, estragar a sua experiência com a leitura.

Então, por enquanto, contente-se com isso. Agora, se ficou muito curioso sobre a história, sugiro que leia o mangá o mais rápido possível.

Considerações finais acerca de 20th Century Boys

No que tange ao mistério de Naoki Urasawa, questão que eu havia iniciado no início deste texto, pode-se dizer que é incrível, mas cansativo. Urasawa trabalha muito todos os seus personagens. E isso dá uma ideia de que a história está se arrastando mais do que o necessário.

Como uma espécie de válvula de escape para isso, ele faz com que todos os personagens, em algum ponto da história, se cruzem e sejam necessários.

Então esse desvio do foco central com personagens secundários, por mais que pareça desnecessário, acaba se tornando essencial para a história como um todo.

Logo, quando tudo está perdido ou todos os mistérios estão parcialmente resolvidos, Urasawa dá um jeito de colocar tudo nos trilhos e iniciar todo o percurso novamente.

Ademais, um recurso muito utilizado pelo mangaká é o cliffhanger. Cliffhanger nada mais é do que aquele gancho para o próximo capítulo, neste contexto.

Quando finalmente se descobre algo avassalador e quando está prestes a ser revelado, o capítulo ou o volume finaliza. Fazendo com que você seja obrigado a continuar a leitura.

Por fim, temos a demagogia, que é a atuação política com o objetivo de agradar a massa popular.

Ao ler o mangá e analisar o personagem do “Amigo”, essa ideia ficará escrachada e cada vez mais fará sentido que ele parte desse pressuposto para a realização de seus objeitos, usando de artifício o conspiracionismo e a manipulação.

Adaptações e veredito final sobre 20th Century Boys

A obra também ganhou uma adaptação em live-action, porém ainda não tive a chance de assistir. Acho muito provável que esteja legendado, ou mesmo não existir legenda em PT-BR, considerando que a história não é muito reconhecida como merecia.

live action de 20th century boys

Mas, de toda forma, fica como critério de informação.

Em síntese, é uma obra maravilhosa e que você, caso ainda não tenha lido, reitero, dê uma chance, pois garanto que não irá se arrepender.

E caso tenha gostado da história e se interessou em saber mais, ouça o podcast abaixo que gravei sobre o mangá:

Escrito por

Welerson Silva

Jornalista e Escritor

Youtuber | Escrita cabeçuda

Brasília - DF

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