Análise

Great Teacher Onizuka (GTO) é bom? Vale a pena ler o mangá? | Crítica

Great Teacher Onizuka (GTO): um professor totalmente fora dos padrões
12 minutos para a leitura
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Quando falamos em professores, logo vem à mente aquela imagem de uma pessoa séria, dedicada e muito disciplinada. Mas e quando esse paradigma é totalmente quebrado? Hoje, quero indicar a vocês o mangá de comédia Great Teacher Onizuka (GTO), escrito e ilustrado por Tohru Fujisawa.

Ele foi originalmente serializado na revista Weekly Shonen Magazine, de janeiro de 1997 a fevereiro de 2002, encerrado com 25 volumes.

Esqueça qualquer concepção que você tenha desses grandes mestres, bem como suas posturas, e se deixe ser surpreendido pelas peripécias de Onizuka, o professor mais aloprado e delinquente do Japão.

Onizuka, do mangá Great Teacher Onizuka

Eikichi Onizuka e a decisão de se tornar um professor fodão

Eikichi Onizuka, de 22 anos de idade, veio ao Japão em busca de uma vida de sucesso e estabilidade financeira, afinal todos buscam isto. Todavia, a única coisa que encontra é um emprego medíocre e uma vida triste.

Formado na faculdade Eurásia, uma das menos renomadas do país, ele passa seus dias sentado abaixo de uma escadaria espiando as calcinhas das colegiais que passam por ali.

Great Teacher Onizuka

A ideia que se tem dele é basicamente de um cara depravado e sem perspectiva de vida. Pelo menos é tido isto como primeiro pensamento.

Bem se sabe que ao se deparar com um personagem assim, não se chega a muitas conclusões otimistas, ao mesmo tempo em que, como protagonista, já sabemos que haverá alguma colaboração do plot a seu favor.

Com seu jeito delinquente, cabelo loiro e brincos, Onizuka não costuma passar uma boa impressão para as pessoas.

Principalmente quando o assunto é entrevistas de emprego, no qual as pessoas o taxam como “sem qualificação e/ou requisitos necessários”, sem mencionar o comportamento totalmente despojado e inapropriado dele.

Ainda assim ele consegue ser carismático e despertar nas pessoas um vestígio de fé, fazendo com que possam acreditar no potencial que ele possui.

O ponto inovador e que cativa o leitor em Great Teacher Onizuka

Quando percebi que Great Teacher Onizuka daria vazão e este tipo de interpretação, achei interessante e isso me fez gostar ainda mais do que estava lendo.

É comum vermos que as melhores vagas, dos melhores empregos, sempre são ofertadas e ganhas pelas pessoas bem arrumadas, de terno, gravata.

Analisar Great Techar Onizuka faz valer a ideia de que o externo nem sempre é o mais importante. É tudo uma questão de saber enxergar os pontos positivos de alguém, olhar além do que é perceptível.

Em uma dessas rotinas de Onizuka, enquanto olhava para as calcinhas das estudantes, uma em particular veio a ele e começou a o indagar. A partir daí, para impressionar essa garota, ele começa a apresentar a ela uma pseudo vida.

Ele dizia que tinha vários carros luxuosos, muito dinheiro, tudo o que uma garota, do tipo interesseira, poderia querer de um homem de sucesso.

Great Teacher Onizuka

Onizuka chegou até a roubar um carro de fato. Quando, enfim, a leva para um karaokê e as coisas começam a parecer darem certo, um homem bem mais velho que Onizuka grita pela menina do lado de fora do prédio.

A garota, tomada por euforia, pula nos braços do senhor que, descobrimos mais tarde ser um professor. Nesse momento Onizuka decide o que quer fazer da vida.

Talvez, neste ponto, pelos motivos errados, ele acabou encontrando aquilo ao qual estava destinado.

O fato de Onizuka fingir ter uma vida que não lhe pertencia não agregou muito, mas se tirarmos este acontecimento da equação, ele nunca teria descoberto sua vocação e vivenciado momentos marcantes de sua vida.

Os primeiros passos de Onizuka como professor

Após a decisão de se tornar um professor, os objetivos priori de Onizuka estavam focados nos seus últimos acontecimentos, que se relacionava com seu envolvimento com a colegial.

Sendo professor, estaria mais próximo de garotas mais novas que ele e não chamaria a atenção por ser mais velho e, de quebra, quando estivesse com 40 anos, poderia estar casado com uma jovem de 20.

Pelo menos esse era o seu pensamento. O lado pervertido de Onizuka o impulsionou a esse objetivo.

Após decisão tomada, ele entra para uma espécie de curso, onde se ensinavam os primeiros passos básicos para aqueles que queriam se tornar professores. Nesse curso, ele conheceu uma pessoa que tinha basicamente os mesmos interesses que ele, porém um pouco mais à frente do seu tempo.

Era um cara que estava na turma há vários anos e nunca havia concluído a capacitação para professor. Esse homem estava ali apenas para pegar colegiais.

Ele contou a Onizuka que aquele era o melhor caminho e que ela já havia ficado com mais de quatorze garotas, por isso nunca havia se formado.

O cerne do objetivo dele não era a formatura, mas sim os benefícios de estar ali, rodeado por lindas garotas colegiais.

Uma garota beijando o Onizuka

Mas é claro que o nosso querido e pervertido Onizuka se apaixona pela ideia e cogita consigo mesmo que realmente fez a escolha certa em aderir esta profissão. Por algum milagre do destino, ao final do curso, Onizuka deixou de lado seus desejos eróticos e acabou se formando.

O primeiro passo para se tornar um professor de fato havia acontecido. Agora, bastava apenas Onizuka fazer uma prova e passar em uma entrevista de emprego (o que era praticamente impossível), mas ele estava obstinado a concluir seu projeto.

Pequenas alterações no traçar da história e a importância da dúvida

Nesse meio tempo, altos e baixos aconteceram para Onizuka, chegando até mesmo a desistir de ser um professor (GTO [Great Teacher Onizuka]) e passar a se chamar GDO (Great Driver Onizuka), marcando o período em que ele passou a dirigir um caminhão, fazendo entregas pelas cidades.

Mas isso logo acabou quando recebeu uma ligação de uma diretora de um dos colégios particulares mais renomados do país, oferecendo a ele uma proposta de emprego.

Mas claro que existe todo um contexto para essa situação, porém é mais interessante ler e acompanhar de perto.

Bem como sabemos, é importante deixar o leitor a par do que irá encontrar, mas também é interessante oferecer o benefício da dúvida. Afinal, perderia um pouco da essência da leitura entregar tudo de mão beijada para vocês.

E assim, Onizuka se torna, efetivamente, um professor.

Os primeiros obstáculos e as primeiras conquistas de Onizuka

Após assumir o cargo como professor nessa escola, Onizuka se responsabiliza pela classe que é totalmente mal falada pelos professores e também alunos da escola.

Boatos que rondavam os corredores diziam que professores procuraram até o suicídio, justamente por não conseguir suportar essa tal classe. O primeiro desafio de nosso mestre iniciava-se naquele momento.

Os primeiros dias foram difíceis, onde armaram para ele. Um dos alunos que eram perito em manipulação de imagens, pegou uma foto dele e “photoshopou” com um cenário erótico masoquista.

Logo depois, após manipularem esta imagem, espalharam por toda a escola, sabotando a reputação de Onizuka (se é que ele tinha alguma).

Esse foi o primeiro obstáculo que ele enfrentou já como um professor.

Mas com seu jeito malandro e esperto, afinal ele também já esteve sentado em uma daquelas cadeiras, fazendo as mesmas coisas que esses moleques, ele subverteu a situação e, aos poucos, conseguiu chamar a atenção desses “alunos insuportáveis” e foi desenvolvendo laços de amizade e confiança.

Onizuka segurando uma grade

Logicamente ele não conseguiu capturar a atenção de todos naquele meio.

Logo, o professor malandrão acabou causando um efeito de polarização, dividindo opiniões. Alguns começaram a gostar dele, outros permaneciam na ideia de acabar com ele, mesmo que sem um objetivo aparentemente concreto. Talvez por pura diversão adolescente.

Enquanto essas coisas vão sendo apresentadas, questões como o bullying também são abordadas na trama. Um desses personagens que sofre com este problema tentou o suicídio duas vezes, sendo que em ambas Onizuka o impediu e o salvou da morte.

Embora Onizuka viva uma verdadeira vida de boemia, ou seja, ao seu bel prazer, agora ele tem outras questões importantes em seu radar que precisam de sua atenção.

Como professor, ele é responsável, agora, não somente mais por ele mesmo, mas por toda uma classe de alunos.

Finalizando

Em suma, Great Teacher Onizuka é uma obra excelente.

Lembro-me que a primeira ideia que veio a minha mente quando comecei a leitura foi o questionamento de como um cara como Onizuka poderia ser um professor, ainda mais no Japão, país que leva estudos e disciplina a sério.

A ideia central de Great Teacher Onizuka é justamente trabalhar com o ineditismo, fugir do conceito paradigmal e fazer valer algumas realidades alternativas.

Outro ponto muito interessante refere-se ao próprio comportamento de Onizuka como professor e os resultados que ele obtém.

Analisar, de forma superficial, daria na cara que ele seria um completo fracasso como instrutor, comparado aos maiorais do colégio. Todavia, não é isso que acontece.

Por fim, além de conseguir prender a atenção de alunos e mudar o quadro da classe considerada a pior de todas, ele também consegue fazer com que haja grandes melhorias a partir de sua influência totalmente excêntrica, bem como se era esperado dele quando foi admitido.

Enfim, é justamente pelo seu jeito de “ensinar” que os alunos decidiram parar para ver até onde aquilo poderia chegar.

Resumindo, Great Teacher Onizuka é uma história de comédia que vale a pena dar uma conferida. Talvez ele até figure em um eventual novo top de de comédia aqui da Cúpula.

E você, é das antigas também? Já assistiu GTO?

Escrito por

Welerson Silva

Jornalista e Escritor

Youtuber | Escrita cabeçuda

Brasília - DF

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