Análise

Kageki Shoujo!! (Opera Girl): é bom? Vale a pena ver o anime? | Crítica

Kageki Shoujo tem uma temática absolutamente inovadora e muito bem explorada!
10 minutos para leitura

Dá até dor no meu coração de não ter me esforçado mais para fazer uma rd3 de Kageki Shoujo. Sinceramente, deve ter sido uma das escolhas mais burras que eu já fiz, porque o anime passou despercebido (INJUSTAMENTE)! Antes, então, de entrar nesse espetáculo comigo, lhe desejo: Merde! Quebre a perna!

Não, isso nunca foi falado em Kageki Shoujo, mas todo mundo que fez teatro alguma vez na vida (eu inclusa) sabe do poder que o “quebrar a perna” tem, porque é um desejo de sorte ao espetáculo a ser montado depois. Kageki Shoujo, antes de qualquer coisa, é sobre isso: um suspiro de sorte e desejo de um bom espetáculo.

Primeiramente, por parte dos espectadores, que não vão esperando quase nada, mas se surpreendem. Posteriormente, por parte das personagens, que agarram suas esperanças aos sonhos de serem grandes atrizes. Então, que se abram as cortinas, e que se monte o espetáculo!

Ai e Sarasa
  • Gênero: Drama
  • Demografia: Shoujo
  • Estúdio: Pine Jam (Gamers!, Just Because!)
  • Material fonte: Mangá
  • Episódios: 13
  • Página do anime no MAL e na Cúpula

Kageki Shoujo é sobre… teatro?

Ah, vamos combinar, não é uma temática das mais exploradas. Principalmente quando TODAS as personagens em foco são FEMININAS. É isso mesmo, todas mulheres. Salve, salve, grupo dos cromossomos XX – elas NÃO são completamente estereotipadas!

Apesar de termos algum exagero (que faz parte da teatralidade natural dos animes), elas são pessoas de verdade. Pelo menos, essa é a impressão que passa.

Em foco, temos a lindíssima e alta Sarasa Watanabe, que vem de família pobre, tentando entrar na prestigiosa e riquíssima escola de Artes Teatrais Kouka. Em um apertado processo, assim como é a tentativa de entrar em uma faculdade, Sarasa consegue ser escolhida, e não é para menos…

Sarasa Watanabe
Quem não iria querer esse belo rostinho?

E, nessa companhia, todas as pessoas que interpretam os papeis são… adivinha? Mulheres! Elas podem interpretar tanto papéis femininos quanto masculinos, e tudo depende de como serão escolhidas ao longo de sua jornada. E que jornada, hem?

O que é legal é que, apesar de os termos não serem fáceis, o anime nos introduz como isso funciona ao longo dos episódios: as otokoyakus são as mulheres que interpretam papéis masculinos, enquanto as musumeyakus são as que interpretam papéis tipicamente femininos.

Como a nossa grandiosíssima protagonista é alta, imponente, alegre e destemida, fica bem mais fácil de ser uma otokoyaku, mas isso não significa que não possa tentar um papel de musumeyaku. Claro que os papéis não são restritos somente aos estereótipos, e elas estão justamente aí para mostrar isso!

Primordialmente, o foco de Sarasa é somente um: interpretar a grandiosa e revolucionária Lady Oscar, da obra “Rosa de Versalhes”, para os nipônicos “Berusaiyu no Bara”, de 1972. Dá uma olhadinha e vê se não se parece com a nossa protagonista!

Lady Oscar

E essa ideia surgiu do nada?

A do teatro e dessa organização tão específica? Não. Claro que não. Para ser mais precisa, a história remonta a Takarazuka Revue, companhia de teatro ancestral japonesa TAMBÉM formada só por mulheres. Elas interpretam peças igualmente antigas, como Romeu e Julieta. E provavelmente foi da companhia que a inspiração surgiu.

E a inspiração fica clara quando, por exemplo, falam que a companhia tem um público majoritariamente feminino (também a Takarazuka tem), e outros dados mais específicos. Enfim, o que querem dizer é: estamos fazendo uma história sobre pessoas reais com dificuldades reais em um ambiente real.

Apesar do excesso da palavra “real”, acho que você deve ter me entendido – e entendido onde Kageki Shoujo mira (e quer acertar), que é na jornada dessas meninas em serem as melhores atrizes japonesas. E, aqui, falo atrizes para simplificar, mas é como se elas fossem uma espécie de princesa Disney: cantam, atuam, dançam e tudo o mais que as mandarem fazer.

Ou seja, é um Mamma Mia! ou um La La Land com competição feminina desenfreada.

Na idealização, isso parece lindo, afinal, quem não gostaria de ser uma atriz poderosa, que pudesse transmitir seus sentimentos ao palco e receber vários aplausos ao final? No entanto, nem tudo é como imaginamos. Kageki Shoujo, apesar de ser, uau, um shoujo (ou seja, sua publicação vem para atingir determinado público, que é feminino), traz muito sobre superação.

Tem drama, mas nada é dramático demais. Tem choro, que não é caricato ou exagerado. Dor também, que faz sentido (e muito). E as personagens secundárias são a chave para isso.

Os percalços do espetáculo da vida

Quando achamos que Sarasa Watanabe, com todo o seu esforço e sua palestrinha, será como qualquer outra protagonista de shounen, ela não é: Sarasa SABE que o mundo não gira em torno dela. E, apesar de ser tão avoada quanto todos os protagonistas, é intuitiva e sensível às necessidades dos outros.

E a trama apresenta isto muito bem, equilibrando o “jogo” entre Sarasa e seus dilemas com os dilemas das demais que com ela contracenam.

A primeira pessoa que conhece assim que adentra o espaço da Kouka é Ai Narata, ex-integrante de um grupo idol. Imediatamente, percebemos: a menina é completamente retraída e fria (nada do que se espera de idols em geral).

E poderíamos aí ter somente um estereótipo disposto sem qualquer explicação. A garota fria de cabelo azul arrasadora de corações. E ponto.

Contudo, Kageki Shoujo faz QUESTÃO de explicar o passado de Ai, sua aversão ao estrelato e aos homens, e como foi parar naquela situação emocional. E, como não quero te entregar nada, te digo apenas que ela sofreu bastante assédio, em diversas modalidades.

Assim como Ai, também temos outras personagens, que sofrem com problemas de autoestima, bulimia, amores perdidos e imposições familiares. Tudo funciona tão organicamente que você nem precisa pensar duas vezes. É tocante, é lindo, e, muitas vezes, triste.

(Também deixo um aviso: caso você seja sensível a esses temas, não assista.)

Em suma, o que Kageki Shoujo pretende é uma realística análise do mundo fictício. É aquela coisa de ver “atrás das telas”. Mesmo em meio a todo esse drama, ainda temos lindas cenas das personagens contracenando. E, ainda, de algumas cantando.

Finalizando essa bem-sucedida análise de Kageki Shoujo!

Fica claro demais o que Kageki Shoujo quer mostrar: a vida é um teatro, e nós devemos aprender a nos tornarmos protagonistas. A mensagem que eu captei, que foi essa, ressoou em mim durante toda a semana após o término do anime. Foi a mesma coisa que, em Mob Psycho, vi dito claramente, com as mesmas palavras, de formas diferentes.

Apesar de eu gostar de porradaria desenfreada, de romance, de terror, entre outros… Nada é tão poderoso para mim quanto a mensagem “seja você mesmo(a)“.

E a acho poderosa porque crescemos lendo e assistindo pessoas sobrehumanas, deuses e semideuses realizando o extraordinário; quando, na verdade, o extraordinário da vida é simplesmente poder vivê-la. Acho até que estou um pouco emocionada depois disso. (hahahaha)

Então, espero que você queira ver Kageki Shoujo depois dessa crítica, do fundo do meu coração. Principalmente se você for mulher, porque você vai se ver em pelo menos UMA das situações apresentadas. (E, para ser sincera, tenho que admitir que chorei).

Eu amei, de verdade. Depois de assistir, volta aqui e me dá seu feedback! Então, que se abram as cortinas da vida! Quebre a perna!

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Escrito por

Helena Nunes

Estudante desesperada

Revisora textual | Cantora de chuveiro

Campos - RJ

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