Análise

Mob Psycho 100 é bom? Vale a pena ver o anime? | Crítica

Mob Psycho é MUITO MAIS do que só uma comédia escolar com poderes
18 minutos para leitura
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Ah, a adolescência! Ah, Mob Psycho!

A fase em que todos os seres normais da nossa espécie sofrem com complexos psicológicos, atritos pessoais e faltas de empatia.

Acredito que não existem muitas pessoas que deixaram de passar por algum tipo de crise durante a adolescência. Afinal, somos apenas meros humanos.

Hoje em dia, há quem diga que a depressão é o mal do século. Que ela talvez seja o principal motivo para incontáveis atos cruéis e atrocidades que vemos nos noticiários por aí.  

Quem já passou pela escola sabe como é viver em um ambiente superlotado com um dos principais causadores de ansiedade, insegurança e depressão: o famoso bullying

Ressalto que não sou aquele tipo de cara que assiste Rick and Morty e fica procurando explicações filosóficas e significados profundos nas ações e diálogos dos personagens.

Entretanto, ao reassistir Mob Psycho 100, foi difícil não ver uma leve crítica em meio àquela bizarrice e maus tratos sociais.

Não sei se fazer uma crítica era a intenção principal, mas ONE, o mangaká criador do material original de Mob Psycho 100, conquistou uma bela e interessante adaptação para seu renomado web manga.

A produção do anime foi realizada pelo famigerado estúdio Bones (mesmo de FMA Brotherhood, Boku no Hero, Noragami). 

Dirigida por Yuzuru Tachikawa e escrita por Hiroshi Seko, em 2016, a primeira temporada do anime foi lançada e contou com 12 episódios.

Ela trouxe aos telespectadores três principais elementos em sua composição: uma animação única, personagens carismáticos com poderes sobrenaturais bem malucos e críticas sociais fodas. 

Um plot simplório, porém recheado de personagens marcantes

Mob Psycho 100 conta a história de Shigeo Kageyama, mais conhecido como Mob, em busca da conclusão de seu objetivo: se tornar popular para conquistar a garota que ele ama. Sim, é somente disso que o anime se trata! Brincadeira hahaha 

Mob Psycho 100 protagonista com cara neutra numa sala
Pensativo…

Mas… apesar de exagerada, a afirmação anterior não está completamente errada, porque em Mob Psycho, primordialmente, acompanhamos o protagonista tentando enfrentar as suas angústias e incertezas, e dentro destes problemas, se encontra a necessidade que o garoto vê em conseguir se virar no mundo real. E ele acredita que ser popular ajudará muito com na resolução destes complexos.  

Mob é um garoto pacato, vivendo uma vida pacata, em uma escola pacata. Isso resume bem o desenho japonês? Bem, sim, tirando o fato de que Mob provavelmente é um dos seres mais poderosos que existem no universo.  

Ele é um estudante praticamente desprovido de habilidades sociaiis e tem uma personalidade passiva. Contudo, Mob conta com uma peculiar característica: ele possui poderes psíquicos poderosíssimos

A palavra overpower define muito bem os poderes do jovem garoto, principalmente quando colocado ao lado dos outros personagens do elenco. 

Mob com 100% ativado
“Não há comparações quando ele está 100% putasso”

Mob Psycho se parece com One-Punch man?

A semelhança com One-Punch Man, a outra grande obra de ONE, é completamente perceptível, já que o anime nos entrega um protagonista muito forte logo de cara, somado a vários takes cômicos e cenas de ação fluidas.  

Entretanto, diferente da obra do careca fodalhão, em Mob Psycho o protagonista parece não ter total controle de seus poderes, e se vê constantemente em situações em que ele precisa tentar dar o melhor de si para se controlar e não destruir tudo ao seu redor.  

Além dos poderes de ambos os protagonistas das obras de ONE serem bem acima da média (beirando o imbecil até), o rosto de ambos é bem parecido e é possível encontrar alguns easter eggs bem legais ao longo dos episódios. 

Mob e Saitama, sorrindo
“A semelhança é notável”
Mob lendo um manga de One Punch
“Quem pegou essa enquanto assistia?”

Além disso, em Mob Psycho, ONE conseguiu fazer o mesmo que fez em One-Punch: dar carisma e profundidade aos personagens que rodeiam o personagem principal.  

Isso tudo aumenta a alegria de quem assiste o anime, pois ver Mob sendo bem-sucedido em conquistar novas amizades é satisfatório à beça, dado ao apego que você cria para com protagonista.

Ele é muito do tipo: cara, eu preciso ajudar esse garoto… ele é tão… tonto! 

Não posso dizer que o nível foi o mesmo para os vilões que enfrentam Mob (com exceção do Covinhas e do Hanazawa, claro).

Quero dizer, os caras malvados são carismáticos à sua maneira, mas me pareceu que foi tudo meio rushado nos arcos finais (na parte que introduzem as verdadeiras ameaças da primeira temporada da série). 

Em sua jornada para ser descolado, Mob enfrenta os mais variados oponentes: colegiais com poderes similares ao dele, espíritos que roubam calcinhas e até mesmo uma cliché organização maléfica que pretende dominar o mundo. 

Complexos superados em Mob Psycho

A história prossegue de uma maneira mais leve e não tão linear no começo do anime, tipo nas horas em que Mob está à procura de um clube do colégio, onde ele possa fazer mais amizades e “viver a vida a todo momento”. 

Apesar de ser uma parte mais simples da história, há sim alguns trechos que fazem menção ao bullying, mesmo que de maneira “cômica”, quando na hora em que os membros do clube de telepatia precisam pedir ajuda aos outros estudantes e todos os tratam como “nojentos” e “estranhos”.  

Nos flashbacks de Mob, quando ele pensa na garota que ele gosta, ela o maltrata na cara dura, mas devido ao doce e inocente coração de nosso herói, ele não percebe a maldade nos comentários da menina.  

Eles até eram amigos quando menores, porém ela simplesmente passa a ignorar ele depois que Mob mostra um desempenho fracassado nos esportes (basicamente, ela o larga depois que ele vira um “nerd”, né). 

O ser mais poderoso do universo é um estagiário

Mesmo com suas complicações pessoais, Mob ainda tinha um trabalho de meio período: ajudante de exorcista! Sim, o ser mais poderoso é a-j-u-d-a-n-t-e! Já que seu chefe, Reigen, se auto aclama o “verdadeiro exorcista”.

O safado não passa de um charlatão que usa Mob para conseguir realizar serviços voltados ao exorcismo e descolar uma grana fácil. 

Reigen Mob Psycho fazendo o numero dois com a mao
Safado carismático

No entanto, a maneira como coloquei fez parecer bem mais triste do que verdadeiramente é. Porque, apesar dos apesares, Reigen tem uma forte participação na vida de Mob.

Ele já deu conselhos valiosos para nosso pacato garoto paranormal, como quando ele faz Mob entender que ele não é um “estranho” só por ter poderes.  

A analogia que Reigen usa é bem simples: ter poderes é como uma característica normal que todos possuem. Por exemplo, ter poderes é a mesma coisa que ser inteligente, ser muito rápido ou ser bom em cozinhar.  

Trazendo para a vida real, pessoas que se sintam deslocadas da sociedade só por terem algum tipo de aspecto incomum, deveriam tentar começar a notar que todos nós somos únicos e que não há motivo para se isolar ou se punir por ser diferente das massas. 

Mob Psycho trabalha esse aspecto com êxito!

O irmãozinho de Mob

A parte que melhor retrata sobre complexos foi o arco do irmão mais novo do protagonista, Ritsu Kageyama.  

Ristu é o garoto ideal, pertencente ao grêmio estudantil já em seu período do fundamental, ele tira notas boas, é bonitão e é sempre bem-sucedido em realizar seus objetivos. O problema surge quando ele começa a sentir inveja do irmão mais velho. Motivo: os poderes sobrenaturais.  

A espera pelo despertar dos poderes se tornou dolorosa demais para Ritsu. Então, após um encontro com um outro personagem conturbado que sofria em casa (também por comparações fraternais), o irmão de Mob junta-se ao novo colega e ambos passam a abusar do poder de grêmio estudantil para controlar a escola como bem entendem. 

Mob pega Ritsu no flagra
“O começo de um final”

Eles chegam a cometer atos tidos como “pervertidos” pela sociedade japonesa, e jogam a culpa em quem querem, tudo para controlar o ambiente estudantil e abusar do poder. 

O arco tratou sobre alguns pontos psicológicos que envolveram o núcleo central do anime, seguido de algumas reconciliações e batalhas épicas. Serviu também para dar início à reta final da temporada. 

Uma série de acontecimentos vão e vem até o final da série, e a superação de alguns traumas que envolvem bullying, ansiedade e insegurança são resolvidos.  

Em momentos cruciais do anime, Mob consegue pôr para fora suas emoções e é possível perceber que nosso protagonista não é uma casca vazia, ele apenas tem muita dificuldade em se pronunciar em meio social.  

O amor fraternal presente na série é inspirador. Mas não entrarei em mais detalhes pois seriam spoilers fortes demais! 

O visual 8 ou 80 de Mob Psycho: ou você ama, ou você detesta

Algo que realmente tornou Mob Psycho no que é, com certeza foi a escolha do diretor (ou dos encarregados do design de arte, não sei de quem foi a ideia) em fazer os traços do anime serem fiéis pra cacete aos do material original de ONE.  

Devido a tal escolha, o traço e background e do anime se tornaram completamente únicos, com uma paleta de cores extremamente forte, brilhante e colorida.  

O traço do anime é tão excêntrico que eu tenho certeza que muitos otakus acabaram por dropá-lo porque não conseguiram digerir aqueles personagens e ambientação esquisitos. Apesar de suavizada, a arte de ONE se dá presente em muitas partes, e o negócio fica realmente mal desenhado!  

Reigen e personagens feios
“Ta vendo?”

Ao ver esse traço bizarramente cartoonizado, um desconhecedor de animes vai achar que todos os desenhos japoneses são excêntricos nesse nível. Talvez até comece a passar longe desse tipo de conteúdo. Se Mob Psycho foi o primeiro anime que você assistiu, calma, não é bem assim! 

Está na cara que os produtores optaram por fazer assim porque quiseram.

A ideia era fazer Mob Psycho 100 ser tão diferente que marcaria quem assistisse primeiramente pela sua arte maluca, e, depois, com seus personagens carismáticos.

Por último, uma história um tanto quanto rasa e cliché, onde uma organização almeja a dominação global através do uso de poderes paranormais. 

A soma destes 3 elementos é que tornam Mob Psycho marcante. Pelo menos comigo e com a maioria das pessoas que eu conheço e que gostaram da obra, foi assim. Com você foi por aí também? 

Combates fluidos e empolgantes!

Mesmo tendo optado pelo traço doidão, as lutas em Mob Psycho são muito bem animadas. Tudo flui muito bem, o ambiente está sempre explodindo e tudo voando para tudo quanto é lado.  

Não lembra? Eu te lembro:

É possível sentir o peso dos golpes e dos poderes quando eles atingem o alvo. O corpo inteiro dos personagens está em movimento o tempo todo!

E, mesmo que o traço seja bizarro, não tem problema se uma cena ou outra sai tipo um Naruto VS Pain 2.0, já que a excentricidade toda é parte do plano

É uma loucura total. Você realmente se empolga assistindo! Porém não chega ao nível da animação de seu irmão mais velho: One-Punch Man. Afinal, com os animadores de Shingo Natsume não se brinca. 

No entanto, a trilha sonora por sua vez não brilhou tanto assim. Sobretudo, tanto a openning quanto a ending me deixaram muito satisfeitos. São uma das minhas favoritas até hoje.  

Ainda sobre a soundtrack do anime, a única coisa que deixou a desejar foi a falta de um tema marcante para os personagens e vilões. 

Cheguei a ouvir de novo a ost para garantir que não estou falando besteira aqui. Contudo, sinceramente, a única que marcou foi a música de combate (aquela que parece uma sirene paranormal doida).

Finalizando…  

Quando eu assisti o anime pela primeira vez, eu quase dropei pela arte, admito. Foi demais para mim. Todavia, mesmo estando numa provável época shoujo, o “André de 2016” resolveu ver mais uns episódios de Mob Psycho. E quando ele se deu conta, se viu fissurado pelo desenho. 

Recentemente, após ter reassistido a obra, o “André de 2019” se viu tendo o mesmo sentimento.

Satisfação, felicidade e um gosto amargo de quero mais. 

Porque amargo? Bem, se Mob Psycho 100 tivesse trabalhado desde seu primeiro episódio com arcos canônicos, ou seja, que tivessem uma maior conexão com o rumo final do anime, teria sido uma experiência completamente diferente.

Certamente o telespectador conseguiria adentrar melhor no plot (mesmo ele sendo bem cliché). 

O final, apesar de bom, foi rápido e me reforçou como o núcleo dos vilões e suas convicções é bem cliché. Foi intencional como as sátiras de One Punch Man? Não sei. Mas não me agradou tanto “clichejismo” (isso existe?).  

O desfecho é divertido, porém agoniante. O motivo é simples na verdade. Ao mesmo tempo que eu gosto muito do Reigen, eu fico incomodado com algumas (muitas) ações e falas dele. 

Em contrapartida, essas fraquezas do anime não o representam. Eu afirmo: Mob Psycho 100 marca todos aqueles que sabem desfrutar de algo diferentão de vez enquanto.  

Elenco de Mob Psycho comendo

Como comentei no review de One Punch Man, há animes em que é preciso entrar na onda e curtir! O anime não explica os poderes? Dane-se! Algumas cenas são “mal animadas”? Dane-se! O anime não traz um plot cheio de viradas e fatos surpreendentes? Triste, mas dane-se! 

Resumindo: Mob Psycho é ótimo, mas não é para todos. Eu fico com um…

Nota
8.5

/10

Exagerei em algum ponto? Achou meus argumentos inválidos ou errôneos? Chama no zapzap pra gente ter uma conversinha! Brincs, só comenta aí em baixo que eventualmente a Cúpula te responde (ou não)!

Continuação?

Em 2019, a segunda temporada do anime entrou em exibição na televisão japonesa no dia 7 de janeiro! Será que ela aprofundará o plot e trará algumas novidades quanto ao universo de Mob Psycho? Ou será que tratará sobre mais algumas críticas sociais? Será que as animações e estilo excêntricos foram mantidos? Eu preciso ir assistir o quanto antes! 

A primeira e segunda temporada podem ser encontradas na plataforma de streamming Crunchyroll

Poster segunda temporada de Mob Psycho
“Essa imagem traz tudo que o anime tem de bom hahaha”

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Prolixo

Criciúma - SC

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