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Psycho-pass é realmente bom? Vale a pena ver a série de anime? | Análise

Psycho-pass: um futuro onde avaliar saúde mental ficou fácil, será?
30 minutos para leitura

Imagina um sistema que te diz absolutamente tudo o que você precisa fazer e toma todas as decisões para sua vida no seu lugar, o que você acharia? Psycho-pass é sobre justamente isso, trazendo reflexões sobre como viver nossa vida e sobre nossa liberdade, além de muitos outros aspectos importantíssimos.

Imagem dos personagens principais de Psycho Pass
Personagens principais da primeira temporada

Essa é uma obra incrível que se passa em uma realidade futurística. Assistir Psycho-pass foi a melhor escolha que fiz e, falo com propriedade de quem assistiu a tudo, a obra é simplesmente perfeita. A trilha sonora, abertura, animação, história… Esse anime é o combo perfeito.

Então, eu gostei tanto, que fui para além da primeira temporada do anime e consumi a obra completa, com todos os filmes. Por isso, essa análise é sobre a obra como um todo.

Essa obra é sobre saúde mental, traumas, reabilitação, futuro, justiça, política, dualidade filosófica, sociedade, e trabalho pesado. Tudo isso vêm acompanhado de uma “pegada” futurista/cyberpunk que casa muito bem com toda a temática.

Imagem da abertura da terceira temporada, mostrando Arata e Kei apontando Dominators

Porém, ao assistirmos Psycho-pass, é fácil conseguirmos visualizar que a humanidade parece estar seguindo para esse caminho fictício, talvez mais real do que imaginamos. Como disse William Gibson, “pai” do gênero cyberpunk, que teve grande influência para animações como Ghost in the Shell:

O futuro já chegou!

Então, pegue seu capacete, sente-se confortavelmente e venha comigo em uma jornada para entender a complexidade de Psycho-pass.

Aviso: este texto pode conter spoilers, não leia se não quiser comprometer sua experiência com a obra.

Psychopass: uma visão técnica e geral

Imagem de capa de Psycho-pass
  • Gênero: Ação, Sci-Fi, Policial, Psicológico, Militar e Terror
  • Estúdios: Production I.G., Tatsunoko Production
  • Material fonte: Original
  • Episódios: 3 temporadas, 44 episódios e 4 filmes

Kanshikan Tsunemori Akane (nome original da adaptação em anime Psycho-pass) foi escrita e composta por Gen Urobuchi e Hikaru Miyoshi. Em uma visão mais técnica e geral da obra completa, é inegável a animação bem acima da média que se alinha perfeitamente a trilha sonora.

A abertura da primeira temporada do anime é uma das minhas favoritas, e consegue captar muito bem o universo de Psycho-pass. Confere aí:

Irresistível, né? Já até quero ver de novo

Psycho-pass é uma viagem ao futuro, do qual a humanidade parece estar cada vez mais próxima. A tecnologia avançou a tal ponto que se instalou um psycho-pass (avaliador de coeficiente criminal com base na cor do medidor da saúde mental dos portadores – do mais claro sendo “ok”, ao mais turvo ou preto sendo “criminoso latente“).

Um criminoso latente é uma pessoa que tem alto potencial de vir a cometer um crime, mas não necessariamente o cometeu. Avaliar o coeficiente criminal através de um indicador do estado de saúde mental (psycho-pass) e determinar quem é passível de punição e quem ainda possui chance de reabilitação.

Essa é a trama principal da obra, contudo ao assistir você percebe que ela se aprofunda em questões muito mais complexas do que se poderia imaginar a princípio.

Além da sua ação, trilha sonora maravilhosa e uma animação acima da média, Psycho-pass conta com paradoxos e dilemas sobre ética e moral que farão você refletir por semanas.

Pequenas informações (mas que são importantes)

De forma breve, o psycho-pass não é um chip ou coisa similar. Essa avaliação é feita através do campo biológico (biofield) de cada indivíduo. E o nome do Sistema capaz de realizar essa avaliação é Sibyl, e avaliam o coeficiente criminal através de scaners em vias públicas e Dominators.

Inspetora Akane segurando a dominator
Qual seria a cor do seu psycho-pass?

As Dominators são as armas que a polícia utiliza, mas que são inteligentes e tecnológicas. O gatilho só destrava se o alvo for avaliado com um psyhco-pass que excede o valor limite e se a pessoa que estiver portando a arma for autorizado pelo Sistema.

Em termos de temporadas, a terceira é dividida em 2 partes: uma temporada de anime e um filme dividido em 3 episódios (First Inspector).

E vale dizer que toda a primeira temporada, especialmente seus personagens principais, são o pontapé inicial pra diversos questionamentos, mas não necessariamente o foco da obra como um todo. Os personagens não morrem, não todos pelo menos, mas eles passam a aparecer menos conforme avançam a história.

Imagem colorida do mangá de Psycho-pass

Por isso, existem algumas “lacunas” que não se preenchem, quanto a alguns eventos e questionamentos que levantam. E, por isso também que, eu amaria mais um monte de temporadas pra tentar cobrir todas as lacunas em aberto.

Além disso, é muito interessante a forma indireta que a obra aborda questões como a robotização da humanidade. De modo geral, passou a se confiar mais no julgamento que uma inteligência artificial proporciona do que no julgamento do próprio ser humano.

Assim, o que acontece é que as pessoas passam a perder sua liberdade de escolha, porém não se importam muito com isso. Resumindo, o Japão criou o Sistema Sibyl e se mantém isolado do restante do mundo, onde conseguiu proporcionar paz para os cidadãos e manter a ordem.

Alguns dos aspectos psicológicos em Psycho-pass

Imagem do símbolo do Ministério do Bem-Estar e Segurança Pública, Departamento de Investigação Criminal

Na primeira parte da obra, o foco é na jornada da nova inspetora Tsunemori Akane, que chega ao primeiro dia de trabalho em uma situação complicada. A inspetora possui um psycho-pass baixo, admirável e impecável, e possui valores fortes sobre justiça. Por isso sua jornada dentro da Agência de Segurança Pública é cheia de reviravoltas estimulantes.

Akane e seu colega inspetor Ginoza trabalham em equipe, junto com os Executores. Os Executores são criminosos latentes sem chance de reabilitação.

Imagem do executor Kogami e os inspetores Akane e Ginoza
Respectivamente Kougami, Akane e Ginoza

Eles são ferramentas que os inspetores usam, pois devido a profissão que possuem, seu psycho-pass pode aumentar e ficar escuro com facilidade. Por isso, nos momentos mais difíceis da realidade de ser um policial, os Executores têm liberdade para agirem e, assim, ajudarem a manter a saúde mental equilibrada de seus inspetores.

E, é logo no primeiro episódio que fica uma pergunta no ar, por conta dos pensamentos da Akane e seus fortes valores de justiça: realmente dá para avaliar com precisão a saúde mental de alguém e julgá-la criminalmente?

Imagem de Makishima Shougo sorrindo

Existe uma “margem de erro” na avaliação, que consiste na análise de uma possibilidade de tratamento psicológico para reduzir o número do psycho-pass. Contudo, logo no primeiro episódio vemos uma situação incomum onde isso não acontece (mas deveria!).

Uma moça sofre violência física e sexual de um criminoso, e após isso o coeficiente criminal dela aumenta bastante. Eu nem precisaria dizer o óbvio, mas é ÓBVIO que após um acontecimento desses a saúde mental não fica estável!!!!

Entretanto, quando apontam a Dominator (arma utilizada pela polícia) para a moça, o Sistema libera o gatilho e diz que ela deve ser punida, pois não tem mais chances de reabilitação. Esse é o momento mais crítico e ponto alto do primeiro episódio, a meu ver.

Onde é que tá essa tal de saúde mental e psicologia em Psycho-pass?

Inspetora Tsunemori Akane

Ao questionar a cor do psycho-pass de cada indivíduo sem considerar o contexto, muitos erros se cometem. Pois, não importa o que aconteça, se eu passar por uma situação muito estressante ou até mesmo traumática, devo manter meu psycho-pass intacto.

Por isso a temática fica em aberto. É possível fazer uma avaliação precisa da saúde mental de uma pessoa, apenas baseando na cor e no número que aparece? É assim tão fácil mesmo fazer esse julgamento?

A inspetora Akane é e não é o foco central de toda a obra. Embora o nome original seja o dela, Kanshikan Tsunemori Akane, o anime pega ela mais como o início de um ciclo de mudanças no Sistema Sibyl.

É por conta dela que todo o resto pôde se desenvolver, tanto por sua influência quanto por suas atitudes e articulações com o próprio Sistema. Após descobrir a verdade por trás do funcionamento do sistema, Akane pôde trabalhar com muito mais liberdade e seguindo seus instintos de detetive.

Imagem da Akane apontando uma arma

Por seguir seus instintos, Akane desperta o mesmo desejo de justiça em seus subordinados. Inclusive, em um dos filmes, o Executor Masaoka diz a seguinte frase: “Justiça e valores, depois de provar, você fica viciado!”.

Nesse despertar da antiga força de detetives, o instinto e não as ordens do Sistema, entramos na onda dos pensamentos opostos sobre o bem e o mal. Apresentam citações filosóficas, dilemas, paradoxos, enigmas e começa uma batalha tanto intelectual (de valores) quanto criminal (de ações).

Além disso e resumindo, a inspetora Akane é um ponto chave da obra, especialmente na primeira temporada do anime. Por isso, achei justo trazer alguns aspectos que pude observar nela enquanto assistia a Psycho-pass.

Exemplo prático (com spoiler) para você entender como esse jogo funciona:

Quase no começo da obra, existe uma situação específica que causa uma revolta enorme logo que assistimos, quando a amiga de longa data da Akane é sequestrada por Makishima (o vilão da primeira temporada), e ela simplesmente “não reage“.

O que acontece é que ele possui um coeficiente que quase chega ao zero, e por isso Akane não pode utilizar a dominator contra ele. Lembrando que ela é uma policial, com fortes valores de justiça. E mesmo quando ele joga para ela uma espingarda, arma não tecnológica, ela não consegue atirar nele. Bom, vocês já entenderam o final dessa situação.

Porém, isso mexe tanto com quem assiste… Você pensa “mas porque ela não atirou?”, “era só atirar!”, “será que ela sabe o que tá fazendo?”, “se fosse eu…”

Psycho-pass não só aborda essas questões, como te faz vivenciar as emoções na pele.

Imagem da inspetora Akane na chuva

Apesar de toda essa situação, Akane mantém seu psycho-pass muito estável, considerando a situação que ela foi exposta. Mas, por que é que isso acontece?

De grosso modo, Akane possui ferramentas internas para administrar suas emoções e tomar sempre decisões com base na sua parte racional. Além disso, é nítido em sua personalidade traços de resiliência. Akane é a personificação desse conceito da psicologia, que explica as estratégias que utilizamos para enfrentar situações de estresse.

Por isso, chegamos no ponto das questões filosóficas (e parte dos paradoxos e dilemas) de Psycho-pass.

Paradoxos e dilemas sobre ética e moral: A cereja do bolo de Psycho-pass

Imagem de Makishima Shougo apontando uma faca para Kougami Shinya, e Kougami apontando uma arma contra Makishima

Antes de aprofundar um pouco mais, preciso definir o que é ética e o que é moral. De modo geral, a ética se refere as normas comportamentais de uma sociedade, já a moral tem a ver com a consciência individual, o comportamento de cada pessoa. E, um pode interferir no outro.

Portanto, Psycho-pass é um prato cheio, e que vai precisar que você assista mais de uma vez para pegar tudo.

Um paradoxo é algo que se contrapõe. Levando isso para o anime, um sistema que julga a todos menos a si próprio é que se chama de paradoxo da onipotência.

O sistema operacional que controla, julga e pune os portadores do psycho-pass, Sibyl, se mantém através de… criminosos latentes.

E é a inspetora Akane que vai descobrindo esses mistérios que envolvem o sistema Sibyl e quais são os defeitos dele, junto com a sua equipe do Departamento de Investigação Criminal.

Na obra, existem pessoas que são criminosos com baixos coeficientes criminais, ou seja, embora sejam criminosos, o Sistema Sibyl não consegue fazer o seu trabalho (controlar, julgar e punir).

Imagem da Dominator avaliando coeficiente criminal

Por isso, a temática quanto a medição precisa de saúde mental e emocional fica em aberto, o que é bem legal, pois podemos refletir sobre elas durante toda a obra. Essa questão, medir e avaliar saúde mental e emocional, é difícil mesmo para quem é psicólogo e psiquiatra, quiçá um Sistema que se baseia em apenas números e cores.

A mente humana e a subjetividade, dentre outros elementos, carregam um peso e mudança absurdamente grandes e velozes. Então, quais são os paradoxos e dilemas centrais de Psycho-pass? Eles envolvem a dualidade filosófica, seja entre o bem e mal ou justo e injusto, tem a ver com nada ser 100% bom ou 100% mau.

O Paradoxo da Onipotência: as “falhas” do Sistema Sibyl

Imagem do sistema Sibyl

O Paradoxo da Onipotência, de Epicuro, refere-se a contradição existente em um Deus onipotente. Esse argumento introduz uma linha de raciocínio em Psycho-pass, a partir do nono episódio na segunda temporada, a respeito do Sistema Sibyl e seu poder “ilimitado”.

Por isso, ele funciona muito bem na obra, pois ele é o gancho entre uma temporada e outra. Além, ouso dizer que esse paradoxo é o tema central da obra inteira, uma vez que o sistema é colocado em cheque todas as vezes.

Durante a história, vamos acompanhando esse paradoxo e os dilemas subsequentes a ele, éticos e morais (como o fato de ser ou não ético e moral criminosos latentes julgarem a todos os outros). Cabe aqui relembrar o anime Death Note, que traz uma discussão muito pertinente ao tema de Psycho-pass: quem é você para julgar e punir o outro?

Ao se colocar como Deus onipotente e onisciente, o Sistema Sibyl acaba por criar seu próprio paradoxo. Se o sistema é tão perfeito e onipotente como se coloca, porque ele não julga a si próprio? O sistema pode julgar a todos, taxá-los de criminosos latentes e decidir quem vive e quem morre, mas permanece no poder habitual sem se julgar?

Imagem de Shimotsuki Mika saudando
Confie no sistema.

Por isso, a segunda temporada é tão importante quanto foi a primeira, e é tão boa quanto ela. Embora a maioria das pessoas não gostem da segunda temporada, e até falem para pular essa parte, eu dou a recomendação contrária.

Psycho-pass é um anime muito mais complexo do que a maioria que estamos mais acostumados a consumir diariamente. Mas, é exatamente isso que o torna tão excepcional e, muito provavelmente, faça com que as pessoas desistam de assistir o restante da obra.

A história vai para além dos personagens principais, não se apegue (sério)

O anime se passa no futuro, no próximo século (22), quando o sistema de segurança Sibyl transformou o Japão em um lugar pacífico. Ou assim, é o que se espera. Como você já sabe, o Sistema Sibyl avalia, julga e pune criminosos latentes através da leitura do psycho-pass individual.

Imagem com os personagens principais da segunda temporada de Psycho-pass

Mas, o que você precisa entender agora é que as temporadas de Psycho-pass não são muito “parecidas”, trazem uma sequência (muito lógica, pra mim) e guiam a construção de mundo, pensamento e reflexão conforme avança. Uma temporada abre brecha para a outra, e isso é sensacional.

Pegando o gancho do paradoxo da onipotência, e acrescentando spoilers, você vai entender porque existe uma sequência muito lógica dentro do universo de Psycho-pass.

A primeira temporada serve para você entender como esse sistema funciona, como ele se mantém, quem é Sibyl… Para que o sistema se tornasse neutro e pudesse julgar adequadamente toda a população japonesa, ele se compôs dos criminalmente assintomáticos (com baixo coeficiente criminal).

Imagem de Kamui, vilão da segunda temporada dizendo que estão jogando um jogo entre eles e o Sistema Sibyl
“Isso é um jogo… entre nós e Sibyl!”

Depois de entender isso, abrem portas para as perguntas na segunda temporada sobre o paradoxo que Epicuro criou para refutar a existência de um Deus. Se o sistema é onipotente, criou uma forma de julgar a todos, porque ele próprio não se julga?

Embora o time de personagens seja majoritariamente outro, o que precisa ficar claro é que Psycho-pass é uma meta-narrativa. O foco não é os personagens principais (mas, calma, eles têm fechamentos nos filmes).

O foco é e sempre foi a mudança dos tempos, o avanço tecnológico a tal ponto que uma máquina composta por criminosos assintomáticos decide o que é melhor pra você no seu lugar. Decide quem vive, quem morre, qual melhor profissão, qual parceiro ideal…

Qual é a sequência lógica de Psycho-pass?

Shindo Arata, personagem da terceira temporada de psycho-pass
Três inspetores, momentos diferentes e mesma posição…

Em resumo, Psycho-pass nos apresenta uma realidade futurística do próximo século, onde avaliar a saúde mental e prevenir crimes se tornou uma tarefa “fácil”. Mas, ele traz tudo isso em uma sequência de ideias.

Temporadas 1 e 2 do anime

Na primeira temporada, o foco é na inspetora Akane (se torna coerente com o nome da obra original Kanshikan Tsunemori Akane, ou Inspetora Tsunemori Akane em tradução livre) e no confronto com o Sistema Sibyl e a tecnologia ultra avançada.

Como esse sistema tão perfeito funciona, como ele pode ser capaz de julgar o psycho-pass da população, qual a possibilidade de um diálogo com o sistema, e muitos outros aspectos nessa linha.

Imagem da segunda temporada do anime de Psycho-pass

Porém, na segunda temporada, “perdemos” os nossos queridinhos personagens principais, e a história abre portas para novas figuras. Mas, o problema é que tem uns personagens absurdamente irritantes e se comparar com a primeira temporada, a segunda fica ruim.

Só que, se você não pegar que o foco não é na verdade os personagens em si e sim na história (contexto) de cada um em relação ao sistema… Você percebe que na segunda temporada, a pergunta que nos intriga é “qual a cor?”.

Temporada 3 e sua sequência, First Inspector

Imagem com os personagens principais da terceira temporada de Psycho-pass e First Inspector

Quando essa parte se resolve também, com a resposta do Sistema ao paradoxo da onipotência, se retomam questões que a própria Akane levantou anteriormente. É moral e eticamente correto que esse sistema julgue outros seres humanos com base em uma medição da cor do seu psycho-pass, desconsiderando variáveis?

Mesmo não sendo 100% moral e eticamente correto, podemos entender que existiu e ainda existe a necessidade do Sistema se manter, para evitar um caos geral na população (sem preparos psicológicos para absorver a verdade da realidade que vivem).

Inclusive, é quase o foco da terceira temporada. Algumas pessoas não querem abrir seus olhos, e permanecer na ilusão é muito mais confortável do que perceber que as coisas precisam mudar, e fazer parte da mudança.

Imagem de Arata Shindo

Além, se cria um novo paradoxo: o Sistema foi criado para resolver os problemas de altos índices de violência e problemas econômicos, mas esse mesmo sistema gerou todos os problemas que precisaram ser resolvidos depois.

Seria o “criar uma doença, para depois vender a cura”? Vá assistir e descubra!

Filmes de Psycho-pass: continuação, história e novos olhares

Vou falar um pouco sobre os aspectos de cada filme. Eu tentei fazer isso com as temporadas do anime, mas sério, tem muita coisa ali. E embora eu tenha feito uma análise sobre os pontos mais relevantes da obra pra mim, ainda gostaria de manter o elemento surpresa para quem ainda não assistiu o anime e deseja ver. Então, bora lá…

O primeiro filme: Psycho-pass The Movie (2015)

Em ordem cronológica, esse filme acontece quase simultaneamente com Sinners of The System Case 1. Se você sentiu saudades de Kougami Shinya, pois aqui ele estará.

Capa do primeiro filme de Psycho-pass, apenas com a inspetora Akane portando uma Dominator

A inspetora Akane consegue articular o sistema Sibyl com seus valores de justiça, e isso permite que o sistema possa ir se aperfeiçoando. Mas, o foco aqui é em questões políticas, quando o sistema se expande para fora do Japão e vai para SEAUn (South East Asian Union).

Psycho-pass é uma obra sensacional, mas quando ela sai do Japão (e sai mais de uma vez)… É aí que eu vejo a magia acontecer. A tentativa de implantar o Sistema Sibyl em outros países, que vivem em conflitos e guerras, para se trazer a mesma paz é brilhante.

No anime, infelizmente, não nos contam como foi feita a implantação do Sistema Sibyl no país. Por isso, quando o foco sai do Japão para outros locais, podemos ver as tentativas e como está a realidade mundial do futuro “sem glamour“.

Até por isso mesmo que conseguimos entender o argumento da inspetora Akane que refere-se a necessidade de o Sistema existir e de manter as pessoas longe dos seus segredos, por enquanto.

Psycho-pass: Sinners of The System Case 1, Case 2 e Case 3

Imagem de capa do filme Sinners fo The System Case 1

Psycho-pass tem ao todo 4 filmes, sendo que 3 deles lançaram no mesmo ano. Estes filmes são o Sinners of The System, e o nome é mais do que apropriado.

Neste primeiro caso, Tsumi to Batsu, a nova inspetora Shimotsuki (chata que só, mas ela tem um desenvolvimento excelente na terceira temporada tá? não desistam dela), junto com o Ginoza descobrem um erro no sistema.

Bom, não no sistema em si, mas em quem está utilizando dele em benefício próprio. Uma instituição governamental que reabilita criminosos latentes se torna o foco de investigação da nova inspetora, e é lá que podemos começar a perceber os problemas que o sistema em si pôde criar e resolver.

Já no segundo caso, First Guardian, conseguimos ver um pouco mais da história de um dos recém integrantes dos Executores (Sugou, que entra na segunda temporada). Não espere assistir os filmes e ter uma ordem cronológica ou contínua dos fatos, logo mais eu mostro um mini guia de como você pode assistir.

Imagem de capa do filme Psycho-pass Sinners of the System Case 2, com os personagens principais Masaoka, Sugou e Rin

Continuando, no segundo filme, de casos dos “pecadores do sistema”, podemos ver uma questão que não tinha sido muito explorada até então: a questão militar. Embora em outros momentos apareçam cenários de treinamentos e afins, não se tinha visto ainda qual a relação do Sistema Sibyl com a parte de poder militar nacional.

Sem muitos spoilers, e já finalizando… O último filme dessa trilogia, Onshuu No Kanata Ni, é muito importante para gente entender o que raios o Kougami fez enquanto ficou desaparecido e o que raios ele tá fazendo em outro lugar quando retorna pro anime. Só digo isso, vocês que assistam.

Imagem de capa de Sinners of The System Case 3

Mini guia de como assistir Psycho-pass e não se sentir perdido

Concluindo, você tem duas opções: assistir pela ordem que as temporadas e filmes lançaram ou assistir pela ordem cronológica dos acontecimentos.

Pela ordem de lançamento:

  • Psycho-pass (2012)
  • Psycho-pass 2 (2014)
  • Primeiro filme: Psycho-pass The Movie (2015)
  • Sinners of The System Case (1, 2 e 3, todos de 2019)
  • Psycho-pass 3 (2019)
  • First Inspector (2020, continuação da terceira temporada, filme divido em 3 episódios)

Contudo, a que eu recomendaria para seguir o fluxo e sequência lógica da qual eu falei, é a ordem cronológica dos acontecimentos da história.

Para isso, a ordem é:

  • Sinners of The System Case 2,
  • Psycho-pass,
  • Psycho-pass 2,
  • O filme, Psycho-pass The Movie
  • Sinners of The System Case 1,
  • Sinners of The System Case 3,
  • Psycho-pass 3
  • Psycho-pass 3: First Inspector.

Particularmente, recomendo que assistam a primeira temporada e depois assistam Sinners of The System Case 2 (contém spoilers de acontecimentos da primeira temporada).

Então, sem mais delongas… Assistam Psycho-pass, a obra completa. Ela discute os problemas que o próprio sistema criou, e além disso, trata sobre a necessidade de mantê-lo mesmo assim.

Imagem de Kougami Shinya usando a dominator

Assista e você pode começar a refletir sobre a diferença entre “classes sociais” (divisão entre pessoas comuns e criminosos latentes, lembrando que criminoso latente não significa ser alguém que já cometeu um crime). Além disso, pode questionar o que é ser livre e ser responsável pelas próprias escolhas.

Enfim, por último, o ponto mais importante sobre essa questão de saúde mental é que ter ou não um psycho-pass turvo (escurecido) não é sinônimo de ser uma pessoa ruim… Assim como ter ele cristalino como água não significa que não seja criminoso.

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Escrito por

Amanda Franco

Psicóloga

Escritora | Resenhista

São Paulo - SP

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