Análise

The Girl Who Leapt Through Time é bom? Vale a pena ver? | Crítica

A Garota que Conquistou o Tempo definitivamente vale o seu tempo
12 minutos para leitura

“Time waits for no one”. Ou, numa tradução livre, “o tempo não te espera não fiote, não mosca!”. Esse é o tema principal do filme The Girl Who Leapt Through Time que felizmente tive o prazer de ver na última sessão do CineCúpula do nosso Discord oficial.

Sem dúvidas um dos temas que mais me intriga é o tempo. Não à toa, uma das séries que mais me gera aflição e desconforto é Steins;Gate. Só de pensar em refazer coisas ou “perder tempo”, eu fico ansioso e reflexivo.

Afinal, tempo é nosso recurso mais precioso. E ele não espera ninguém. Ele passa. E não para. Nunca.

Adianto que em Toki wo Kakeru Shoujo, o título oficial em japa, essa temática é magistralmente bem debatida, apresentada e transmitida a quem assiste.

Tudo é contado em meio a uma narrativa simples, escolar, onde acompanhamos adolescentes com relações de adolescentes; ora se comportando como adultos, ora como crianças, igual todo mundo quando é adolescente.

A produção é dos tempos de ouro do estúdio Madhouse, o que também dá um quê a mais para o filme.

Mas, enfim… será que vale a pena ver um filme de mais de 15 anos de idade? Será que ainda vale a pena?

The Girl Who Leapt Through Time capa visual
  • Ano: 2006
  • Diretor: Hosoda Mamoru (Belle, Summer Wars)
  • Estúdio: Madhouse (Death Note, One-Punch Man)
  • Duração: 97 minutos
  • Onde assistir: não distribuído legalmente no Brasil

Do quê se trata The Girl Who Leapt Through Time, afinal?

É um título um tanto quanto curioso, não? Ele já deixa claro que teremos algum tipo de elemento “sobrenatural” ou “mágico”, porém, não deixa claro como.

E bem, tão confuso quanto nós, acompanhamos o dia a dia de Konno Makoto, uma menina que aparentemente se acha sortuda, mas não é.

Konno Makoto de Toki wo Kakeru Shoujo

Tropeços, desencontros e acidentes. Caos! Tudo parecia dar errado para Makoto em um dia que tinha tudo para ser apenas um dia mais comum em sua vida.

Mas… nada está tão ruim que não possa piorar, né?

makoto com bicicleta no chão
Mal sabia ela…

Voltando de casa, Makoto se vê numa situação de vida ou morte. Ela sofrerá um acidente, provavelmente fatal. E ela sofre, na verdade.

Mas é ai que o plot de Toki wo Kakeru Shoujo realmente revela seu potencial: a “mágica” acontece e… vualá! Voltamos no tempo junto com nossa protagonista para mais uma chance. Ou melhor, diversas novas chances.

Makoto descobre como usar esse “poder” e começa a usar e abusar, principalmente com coisas mais fúteis, mas que para um adolescente é um big deal.

Tudo ia bem, até a hora que ela faz e desfaz alguns acontecimentos específicos e, assim como Steins;Gate e Efeito Borboleta, a merda começa a agarrar.

Uma narrativa leve que te prende

Tudo é bastante leve no filme. Toda história é contada em poucos cenários diferentes, se resumindo basicamente a uns 3 locais diferentes, e o núcleo de personagens importantes é bastante reduzido.

Porém, assim como acontece em obras como Doukyuusei, assim fica melhor e mais objetivo, e fica mais fácil para o roteiro e storyboard entregarem interações e situações que te prendem, sem desviar sua atenção para coisas como “nossa, quem é esse carinha aqui mesmo?” ou “poxa vida, é tanto nome que ficou difícil eu lembrar de tudo…”.

O roteiro é direto e certeiro. Sabe onde quer chegar. E o diretor (que não sei se é o roteirista) Hosoda Mamoru soube aproveitar isso.

A parte mais legal é que os personagens são divertidos, e a dublagem em específico me fez gostar ainda mais deles. Eles conversam de um jeito muito orgânico, o que faz você se sentir de fato ali, numa rodinha jogando baseball com eles depois da aula. É gostoso e reconfortante.

makoto sorrindo em toki wo kakeru shoujo

O ambiente escolar fala por si só. Qualquer pessoa que passou pelo ensino médio consegue entender muitas das atitudes dos personagens. Adolescente faz as coisas atravessado mesmo.

Tudo é muito confuso, e decisões burras são tomadas o tempo inteiro. Imaturidade. Tudo isso é bem trabalhado e mostrado no filme, e realmente convence. Não fica forçado, nem absurdo.

O primeiro ato do filme é legal porque estabelece as conexões dos personagens, e monta o palco para o plot twist principal da série. A curva de interesse do telespectador vai às alturas.

E o mais doido: você não faz ideia do que virá pela frente.

A imprevisibilidade de Toki wo Kakeru Shoujo

Do começo ao fim do filme, você não tem uma ideia clara do que virá pela frente.

Diversos elementos vão sendo colocados ali, a fim de montar um grande tabuleiro, cujas peças futuramente servirão para o desenrolar de um grande clímax. Ou pelo menos é o que você acha.

Como comentei, a narrativa é tão leve que você se sente num slice-of-life. É tipo a primeira metade de Steins;Gate. Você não se prende a detalhes, porque não parecem tão importantes. Depois, o roteiro vai resgatando e ligando os pontos e você fica satisfeito com a construção daquilo tudo.

Digo, não é nada tão complexo. Mesmo com viagem temporal na trama, não é difícil de acompanhar a história, e quem presta bastante atenção consegue antever algumas coisas, o que é bacana.

Além disso, a forma como o filme se propõe a agradar pessoas que buscam mais “entretenimento”, com uma história de romance leve, acabam ficando satisfeitas (mais ou menos KKKKKK) e quem busca algo mais profundo, com uma mensagem filosófica (reflexão sobre o tempo e como somos o que vivemos).

Para ser sincero, a motivação de um dos personagens é bem… não clara? Existe um elemento em específico que é, na verdade, o motivo para tudo acontecer. Mas acaba sendo algo bem nebuloso, mas que no fim, não tem nada a ver com a mensagem principal da obra.

Ou… será que tem? Acabamos discutindo no Discord após assistirmos no filme (o que é bem comum de acontecer depois da sessão), mas não chegamos num consenso.

Linhas temporais são um problema aqui?

NÃO trilhe por esse caminho. Já cometi esse erro várias vezes em séries que envolvem viagens no tempo. Hoje, prefiro ser um adepto do Dudi e olhar mais para a mensagem da obra.

Afinal, ficar procurando lógica científica em viagens no tempo é até meio besta. Sempre bom lembrar: não temos como viajar no tempo. Ou pelo menos não ainda. Então, ficar discutindo “se faz sentido”… olha, é um filme sobre uma menina que literalmente PULA e SALTA NO TEMPO. Lógica passou longe!

Seria tipo procurar sentido demais em One Piece, saca? Cansativo e não rende nada.

Então fazendo um alinhamento claro de expectativas: The Girl Who Leapt Through Time não perde tempo (HAAAAA) para tentar explicar cientificamente como o que acontece é possível, ou o porquê de acontecer da forma que acontece. Só… acontece. E do jeito dele, o filme te convence que isso não é importante.

Não sei se a obra que o filme se baseia, o romance de Yasutaka Tsutsui de mesmo título, também trilha por essa rota de “sem ciência”, mas eu gosto da escolha de Mamoru Hosoda para o filme.

O importante é a mensagem: “O tempo não espera por ninguém”.

Viva o agora. Não queira mudar o que você viveu.

Você só é o que você é porque viveu o que viveu.

Você é suas memórias.

A partir da hora que você vive e mantém as memórias… como diabos viver de forma sã com pessoas que viveram com você, mas ao voltar no tempo, não possuem essas memórias?

Seria como se você estivesse cada vez mais… sozinho. Conversando com pessoas que não são de verdade as pessoas que você já viveu junto.

Doidera.

Maravilhoso!

personagens de a garota que conquistou o tempo

Finalizando minha crítica a The Girl Who Leapt Through Time

Estou ficando cada vez mais feliz com nossas escolhas para o CineCúpula. Já estamos a mais de 1 mês assistindo ótimos filmes que, sinceramente, se eu fosse parar para assistir sozinho, talvez nunca o faria.

A Garota que Conquistou o Tempo, versão em português, foi mais uma ótima escolha. Muita gente já havia me falado que era bom, mas eu não sabia que era tão bom.

O carisma dos personagens é marcante e gostoso. O ambiente é perfeito para passar uma mensagem poderosa. Temos a viagem temporal, que é um assunto que me instiga, me deixa ansioso e me prende. Além disso, a produção acima da média do Madshouse deixa a experiência ainda melhor, com animações bem plásticas nas cenas de movimento e, ainda, um traço bem característico dão uma identidade única e soma bem ao resto.

Nem tudo é claro, e a motivação de um dos personagens é nebulosa demais para entendermos ele por completo, o que pode dar um tom de “vazio” para ele. O lado bom é que ele já tinha uma personalidade clara e seu carisma já era alto, então isso não prejudica quase em nada a experiência.

Por fim, a mensagem sobre o tempo é poderosa demais. Pega forte mesmo.

Ainda mais com um final daqueles…

E você, o que acha de The Girl Who Leapt Through Time? Comenta aí! Bora conversar.

E se não viu, bem… o tempo não te espera não fiote, não mosca!

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Escrito por

André Uggioni

Co-Fundador

Editor-chefe | Host do CúpulaCast

Criciúma - SC

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