Notícias

Jornal prevê situação difícil para a indústria dos animes no Japão

8 minutos para leitura
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no pocket

A prospecção sobre a indústria dos animes veio do jornal nipônico Nikkei, que publicou um editorial em seu site comentando sobre os efeitos das recentes atividades da China na sua indústria de animação doméstica.

Embora a China tenha sido o país com mais contratos com a indústria de animação japonesa em 2016, o artigo do Nikkei argumenta que a China está se retirando aos poucos da indústria japonesa desde 2018.

O motivo disto são as restrições mais rígidas do governo no streaming de anime, entre outros fatores.

O surgimento dos problemas

Em 2018, a China tinha 121 contratos, tornando-se o sexto país depois dos Estados Unidos, Coreia do Sul, Taiwan, França e Canadá.

Este cenário tem potencializado cada vez mais os problemas da indústria dos animes japonesa em declínio e reforçando as grandes diferenças de riqueza entre os japoneses e animadores chineses.

Embora a indústria dos animes japonesa continue a ter pouco ou nenhum crescimento doméstico nos últimos anos, as empresas chinesas vêm aumentando os recursos da animação doméstica chinesa.

Homem trabalhando

As empresas japonesas possuem histórico de terceirizarem seus trabalhos de produção de animação para companhias chinesas. Entretanto, o editorial aponta que atualmente as empresas chinesas estão cada vez mais a contratar empresas japonesas para trabalhar em IPs chineses.

Em 2018, uma empresa da gigante tecnológica chinesa Tencent abriu um estúdio chamado Colored Pencil Animation Japan, que trabalha em obras de animação produzidas para os serviços de streaming da Tencent, como a série de sucesso The King’s Avatar.

O jornal também destacou os salários mais altos usufruídos pelos animadores que trabalham para empresas de animação de propriedades chinesas.

A diferença de estabilidade entre Japão e China

É comum os estúdios japonesas optarem por trabalhos freelancers, visando demandas e custo benefício. Diferentemente, a Colored Pencil Animation Japan contrata animadores como funcionários. Até novos funcionários ganham um salário acima da média da indústria.

Animadora exausta

O salário pode chegar até 175.000 ienes (algo em torno de 1.580 dólares) por mês. A visão, pelo menos superficial que se tem deste cenário é a de credibilidade e importância que a indústria chinesa oferece aos seus animadores.

Enquanto isso, de acordo com a pesquisa mais recente da Associação de Criadores de Animação do Japão (JAniCA), apenas 14% dos animadores japoneses são funcionários permanentes.

Cenário tempestuoso para a indústria dos animes japonesa

A iniciativa da China para a animação doméstica está a acontecer ao lado de um período financeiro difícil entre os estúdios de animação japoneses.

De acordo com a agência de classificação de crédito Teikoku Databank, mais de 30% dos estúdios de produção de animação no Japão estavam no vermelho em 2018.

As empresas em falência e dissolução também estão no auge de 10 anos. A gerência de uma empresa de animação afirmou:

À medida que o preço do contrato diminui, permanecemos com pouco staff e não podemos expandir as nossas operações. É um ciclo vicioso. Se pelo menos uma pessoa sair, a empresa não poderá cumprir o final do contrato, e muitas empresas acabam no vermelho.

A situação tornou mais difícil o treino de jovens animadores, e a qualidade da animação também está em declínio.

Era para funcionar como solução, mas acaba atrapalhando ainda mais

De acordo com Bunjirō Eguchi, CEO da Colored Pencil Animation Japan, a indústria chinesa também trabalha no objetivo de mitigar determinados problemas e amenizar defasagens. Para isto, também recorre ao esquema de terceirização de seus trabalhos para os japoneses.

Todavia, o que deveria surtir um efeito colaborador, acaba gerando mais atrasos e problemas para os chineses.

Indústria dos animes: desenhista triste a cansada

O CEO afirma que todo esse processo se resume em receber o trabalho e rejeitá-lo. Depois de encaminhar e obter o retorno, a empresa chinesa rejeita severamente o trabalho de baixa qualidade produzido pelo lado japonês.

Em entrevista, o presidente do estúdio comentou:

O mal serviço do lado japonês pode provocar uma estagnação no setor. A China usou o seu capital abundante para adquirir os recursos para animação digital, e a qualidade da sua animação está a melhorar notavelmente. O Japão anteriormente terceirizou para a China, mas agora a situação reverteu.

O sistema de comitê de produção

De acordo com a Associação de Animações Japonesas (AJA), o valor total de mercado da indústria de anime em 2018 é de 2,1814 trilhões de ienes (20 bilhões de dólares).

Por outro lado, apenas 267,1 bilhões de ienes (2,4 bilhões de dólares), 12% do valor de mercado, foram para as empresas de animação.

O Nikkei observou que, embora aproximadamente metade da receita da indústria de anime venha do exterior, a parcela maior do dinheiro é destinada aos comitês de produção que tratam dos direitos internacionais.

O sistema de comitê de produção impede que muitos estúdios obtenham lucros, mesmo que produzam um anime de sucesso.

Infográfico do Comite de Produção, como animes llucram

Expansão da indústria dos animes na China e sentença final do jornal Nikkei

De acordo com Daisuke Iijima da Teikoku Databank, as empresas chinesas estão buscando atrair animadores japoneses para trabalhar na China, a fim de expandir o seu mercado doméstico. Sobre isso, Daisuke comentou:

Eles podem facilmente oferecer três vezes o salário anual que um animador receberia no Japão, então provavelmente haverá mais casos de talento japonês indo para o exterior.

Focada no trabalho dentro da indústria dos animes

O Nikkei citou em um site de recrutamento chinês, que tinha listagens com um salário mensal de aproximadamente 34.000 yuanes (4.800 dólares) e 30.000 yuanes (4.240 dólares). Isso para trabalhos de animadores baseados em Hangzhou e Pequim, respetivamente.

Por fim, o jornal concluiu o editorial com uma previsão sombria para a indústria dos animes japonesa e o sistema de financiamento de anime pelos comitês de produção.

O sistema do comitê de produção é eficaz na mitigação de riscos, mas para que a indústria japonesa seja competitiva globalmente, é indispensável que ela tenha um sistema que garanta que os seus lucros sejam distribuídos de maneira eficaz.

Já comentamos, aqui na Cúpula, sobre como funciona essa indústria dos animes e os altos e baixos presentes nela. Se quiser entender melhor como funciona esse trabalho, só acessar o link.

Achou essa matéria interessante? Clique no curtir logo aí abaixo! Isso nos ajuda muito.

Fonte: OtakuPT

Escrito por

Welerson Silva

Quase Jornalista e Escritor

Youtuber | Escrita cabeçuda

Brasília - DF

Comentários da cúpula

Gostou do artigo?

Comente abaixo sua opinião sobre o assunto e convide o autor da postagem para conversar!

Se inscreva e receba
novidades exclusivas
da cúpula do trovão!

Ir para o topo