Em nossas RegrasDe3, os autores assistem os 3 primeiros episódios de um anime novo lançado na respectiva temporada. Após isso, eles escrevem uma análise sobre esse começo da obra, sendo uma espécie de primeiras impressões. Fique atento: a RegraDe3 é uma visão baseada APENAS nesses 3 primeiros episódios, NÃO sobre o anime inteiro.

Uma pitada de ação, outra de suspense, um pouco de ficção científica… Essa fórmula, por si só, já chama muito a atenção e teria tudo para dar certo. Mas pegaram isso e transformaram Tesla Note em uma obra que passa despercebida. 

Acredito que qualquer um que tenha assistido ao trailer de Tesla Note já deve ter uma ideia do que está por vir. Em apenas 3 episódios, o anime já mostra a que veio… E já adianto que coisa boa não é. 

Poster divulgação de Tesla Note, com todos os personagens principais fazendo poses
  • Gênero: Ação, Suspense
  • Estúdio: Gambit (primeiro anime do estúdio)
  • Material: Mangá
  • Onde assistir: Funimation
  • Novos episódios: Domingo

A história por trás de Tesla Note

Logo de início, conhecemos Negoro Botan, uma colegial de 17 anos, que desde criança é treinada pelo seu avô, Negoro Jingo, como uma ninja. Sempre ouviu que precisaria se preparar para salvar o mundo, e o grande dia enfim chegou. 

Kyouhei Himi, um agente secreto, vai até sua casa recrutá-la para uma agência de espiões que seu avô tem ligação. A partir deste momento, ela entra em uma equipe com Himi, Kuruma, Takamatsu Ryunosuke, outros agentes secretos experientes.

A principal missão da equipe é recuperar o “Tesla Crysta”, um cristal poderoso, criado por Nikola Tesla. E, por conta de seu grande poder, pode causar a destruição do mundo. Mas não será fácil, já que agentes de outros países também têm a mesma missão. 

Tentaram engrandecer, mas faltou uma base sólida

A sinopse realmente é interessante por toda essa briga de espiões, fim do mundo, envolvendo Nikola Tesla. Mas não é um anime que passaria numa avaliação dos 3 primeiros episódios.

Tesla Note não te prende na história, não cria empatia com os personagens e consegue fugir da trama logo de início. Vai jogando informações em uma tentativa de fazer o espectador criar laços com os protagonistas, só que fica muito escancarado e forçado. 

Outro ponto que incomoda são os personagens coadjuvantes. Aparecem alguns para ajudar na narrativa dos episódios em questão, mas são tão rasos que não fariam diferença. Fora as tramas genéricas, como bullying na escola e o pai que se perdeu nas dívidas — até pode se perguntar o que isso tem a ver com a trama. 

Basicamente, colocaram vários temas “pesados” acreditando que isso daria alguma profundidade à história, mas só ficou solto e perdido. Mas não vou me aprofundar tanto para não dar spoiler.

Personagens genéricos e sem profundidade

Em um geral, os personagens de Tesla Note não são muito memoráveis, além de terem arquétipos bem comuns. A interação entre eles é um caos, com brigas sem sentido. Não sei se é para ser engraçado ou descontraído, mas não agradou muito.

Himi, Botan, Ryunosuke e Kuruma em um carro, enquanto Botan olha para fora com um binóculos

Ryunosuke é o hacker do time, aquele que consegue todas as informações. Himi é o cara que organiza a equipe e “tenta” manter a ordem. Infelizmente não teve muito mais para absorver esses dois personagens nos primeiros episódios. 

O Kuruma, um dos agentes experientes e o outro protagonista, é um espião que usa roupas coloridas, se destacando na multidão. QUAL O SENTIDO? Fora isso, ele tem uma péssima personalidade e é muito egocêntrico.

Desde o momento em que conheceu a Botan, só sabe reclamar e encher o saco dela. A relação dos dois é aquela típica de “nos odiamos, mas vamos nos tornar grandes amigos”.

E muitas das cenas que são para ser cômicas, vêm da interação desses dois personagens — mas acho que já morri por dentro, porque não dei risada. 

Falando na Botan, me enche os olhos de felicidade quando vejo uma personagem feminina forte. Ela consegue lutar, ler lábios, fala vários idiomas, é bastante habilidosa e ágil. 

Beleza que ela tem um background bastante clichê, é incrível assim com apenas 17 anos e nunca tira a roupa escolar do Japão — e eles nem estão no Japão. Mas minha suspensão de descrença já estava lá no alto neste ponto. 

A Botan é aquela personagem boazinha, que quer ajudar todo mundo e, às vezes, vai até contra a missão e seus colegas para fazer o bem. Já vimos isso em Psycho-Pass, com a Tsunemori Akane, por exemplo.

Não sei como será nos próximos episódios, mas, no geral, está faltando um trabalho de desenvolvimento de personagens aí.  

CGI e 2D no mesmo anime… Funcionou? 

Vamos à parte polêmica de Tesla Note… A animação. Como vocês viram no início do texto, este é o primeiro anime produzido pelo estúdio Gambit, de acordo com o MyAnimeList

Todo estúdio começa de algum lugar, certo? Mas a escolha de usar o CGI é um pouco questionável. Entendo que talvez seja menos custoso de animar, caso seja um estúdio pequeno. Mas era melhor ter feito um esforcinho e tentar usar o 2D, mesmo que ficando com muitas cenas estáticas.  

Vi pessoas comparando a animação deste anime com Ex-Arm. Eu não assisti, mas se você conhece, já vai ter uma ideia. Basicamente, eles mesclaram animação 2D com CGI. Mas não de um bom jeito.

Os personagens principais em cena estavam sempre em CGI, mas os figurantes e o cenário em 2D. Isso fazia com que os protagonistas ficassem meio deslocados da cena, destacando muito o contraste das duas técnicas de animação. 

Botan e Kuruma no meio de uma multidão observando algo
Será que você consegue encontrar os protagonistas?

E o problema não é usar CGI em si, porque alguns animes usaram e ficou bom, como em Beastars, por exemplo. Mas a animação estava travada e as expressões ficaram muito artificiais. 

Não preciso nem comentar das cenas de ação, com luta ou perseguições. Não tinha fluidez e era impossível não ficar reparando na animação, o que tirava todo o foco da cena. 

Provavelmente o anime seria mais fácil de assistir se tivessem optado pela animação 2D para tudo, sem usar CGI. 

Além disso, quando tinham aquelas expressões típicas de anime nos personagens, eles fizeram em 2D. Em um segundo os personagens estão em CGI e, no outro, 2D. É impossível não estranhar essa mudança brusca. 

Botan com vergonha e lágrimas nos olhos, enquanto seu avô está revoltado ao fundo
Nem parece o mesmo anime

A falta de fluidez nas transições de cena é um problema

Além da falta de fluidez na animação, faltou fluidez na transição de cenas. Em um segundo, os personagens estavam à beira do rio e no outro estavam no carro. Ou estavam conversando entre si e depois cortavam para eles conversando com um coadjuvante. 

É normal ter cortes de cena assim, mas foram tão bruscos, que me deixava confusa em como os personagens foram parar ali.

Isso acontece nos 3 episódios e talvez continue ao longo da série. Parecia que não terminavam uma cena e já passava para a próxima. Já não bastava a animação travada, aí vem os cortes secos que só pioraram a situação. 

Finalizando as primeiras impressões de Tesla Note

Eu não gosto de falar mal de animes, porque sei que teve uma equipe que se dedicou para fazer os episódios, um autor que se dedicou para criar a história. Mas Tesla Note não se ajudou. 

O anime conseguiu reunir várias coisas problemáticas que, somadas, diminuem muito a qualidade da obra. Os personagens rasos, a trama que se perde logo de início, os cortes bruscos e o CGI que realmente incomoda e é difícil de ignorar.

Além disso, várias coisas simplesmente acontecem, sem explicação alguma, e o anime te força a aceitar isso. Tudo bem a Botan ter conseguido DO NADA uma peruca, lentes, óculos e roupas iguais a de uma outra mulher para fingir ser ela. Simplesmente não faz sentido.

Por todos esses motivos, não pretendo continuar Tesla Note. Acredito que sim, poderia ser um anime divertido, mas pecou em vários aspectos que me impediram de aproveitá-lo melhor. 

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Escrito por

Natalia Tojal

Redatora/Copywriter

Otaka, gamer e cansada

Arujá - SP

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