Análise

Dragon Ball Super: Broly é bom? Vale a pena ver o filme? | Crítica

Pancadaria muito boa, mas bem… É Dragon Ball, né?
10 minutos para leitura
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No dia 14 de dezembro de 2018, Dragon Ball Super: Broly estreou nos cinemas japoneses e já chegou quebrando recordes de bilheterias.

Segundo a Crunchyroll, em seus primeiros três dias, o filme arrecadou cerca de US$ 10 milhões (mais ou menos 36,4 milhões de reais). Além disso, de acordo com a Wikipédia, o valor total aproximado arrecadado pelo longa foi de US$ 100 milhões.

A termos de comparação, o último filme da série de Akira Toriyama, Dragon Ball Z: Fukkatsu no Efu (aquele que o Freeza volta pela, sei lá, décima vez para levar outra surra), lançado lá em abril de 2015, arrecadou cerca de US$ 61,7 milhões. Uma diferença e tanto, não?

Dragon Ball Super Broly, Vegeta e Goku

Antes, uma breve introdução

Dragon Ball Super: Broly é uma continuação direta do anime, vale dizer. O longa também basicamente é um reboot para reintroduzir, só que de maneira canônica (amém), o personagem que dá nome ao filme, o Broly.

Até o lançamento deste filme, Broly era basicamente um homem quase neandertal muito poderoso que ficava doido de puto ao ouvir o nome do nosso queridíssimo protagonista, o Kakaroto.

Geralmente o plot dos filmes antigos da franquia se baseava nisso: muita raiva e pancadaria. Ou seja, sempre que o legendário super sayajin aparecia, muita porrada acabava comendo solta e o Broly muito, mas muito bravo estava sempre brigando com tudo e todos. Soa incrível, não?

Bom, felizmente, Dragon Ball Super: Broly trouxe uma nova origem ao personagem e, acreditem se quiser, ficou realmente interessante!

Mas cadê a “inovação”?

Me surpreendeu demais ver como conseguiram encaixar o nascimento do Broly com sua ausência na história de Dragon Ball até então – e de maneira que fez muito sentido!

Conseguiram também ligar a origem dele com todo aquele arco de destruição do planeta Vegeta e o exército de Freeza da série original. Além disso, um pouco mais foi mostrado da família de Goku (algo que realmente traz paz e conforto ao coração de qualquer fã da série).

Bardock, aparição em nave no filme Dragon Ball Super Broly
“Eu amo o Bardock. Sempre me arrepio vendo ele tentando defender o planeta Vegeta do maldito do Freeza”

Ainda, toda essa parte de novas origens e desenvolvimento de personagens se dá na primeira meia hora de filme. Sendo assim, sobrou muito tempo para o pau comer e a narrativa inovadora ir por água a baixo! Afinal, Dragon Ball precisava voltar a ser Dragon Ball em algum momento do filme, né…

Dito e feito. De fato, o pau foi comido. Acompanhar a luta dos protagonistas contra Broly é empolgante e, ao mesmo tempo, agoniante (dada as condições de como a batalha estava acontecendo. Pobre Broly!).

A origem de Broly, a ação presente a todo segundo no filme e a motivação dos personagens (considerando que é Dragon Ball, né), foram realmente de se surpreender. Todavia, nem tudo foi um mar de rosas para mim.

Onde está o devido investimento que Dragon Ball merece?

É muito triste como os produtores japoneses gostam de extorquir o máximo possível de um título que já tem seu lugar no coração de pessoas pelo mundo todo.

Tudo bem que os ocidentais também se aproveitam demais de títulos de sucesso. Por exemplo, Supernatural e Grey’s Anatomy, que possuem exaustivas e repetitivas 10 ou mais temporadas, só porque vende. Contudo, pessoalmente, eu esperava mais dos orientais. Especialmente dos japoneses que tanto admiro.

Obras como Boruto: Naruto Next Generations, Saint Seya Omega e Dragon Ball Super se tornaram meus exemplos principais de “obras que estão sendo sugadas até sua última gota em prol do lucro”.

A parte boa é que a essência base de Dragon Ball é difícil de ser perdida, pois a mesma se baseia em, principalmente, gente dando porrada e magias para todo lado. E isso foi entregue com maestria em Dragon Ball Super: Broly.

Entretanto, entregue com cenas que tiveram seu nível oscilando bastante durante o longa. Ora a animação era de deixar o queixo caído, ora você se via pensando se realmente ocorreu o merecido investimento na parte gráfica que Dragon Ball merece.

Teve uma hora que durante uma intensa troca de socos, o fundo começa a ficar todo psicodélico e o CGI (computação gráfica) tomou conta da animação. O problema é que o CGI empregado passou longe de ser algo que vemos em Demon Slayer, por exemplo. Em DBS: Broly os bonecos ficaram parecendo massinha de modelar. Ficou realmente patético.

André, onde você quer chegar?

Eu só estava desabafando um pouco, peço perdão. Mas concluindo, é o seguinte: eu acho que a Toei resolveu fazer um filme da sua franquia de anime mais respeitada e famosa mundo afora, Dragon Ball, somente com o intuito de aumentar a receita da empresa.

Eu sei que fazer animações em computação gráfica reduz muito os custos da animação. Porém acho que Dragon Ball já encheu os bolsos de seus produtores o suficiente para merecer animações bem feitas e fluídas em 2D ao longo do filme todo. Tipo como a Madhouse entregou em One Punch-man, por exemplo.

Dragon Ball é um megahit, porra. Dragon Ball é venerado no mundo todo por diferentes pessoas de diferentes faixas etárias. Sendo assim, Dragon Ball deveria ser maior do que desejos capitalistas – e CGI é um lixo.

Goku super sayajin blu dando um socão no Broly
Vegeta e Goku em CGI horrivel soltando magias
“O 2D simplesmente humilha o 3D quando o assunto é desenhos japoneses”

GO! GOGETAAAAAAAA!

Quanto a parte de áudio, não há muito a ser discutido. Ficou dentro dos padrões da franquia, trazendo uma soundtrack que empolga o telespectador durante os combates.

A dublagem brasileira ficou sensacional, como sempre foi ao longo da série inteira. O único ponto que eu gostaria de ressaltar aqui é aquele narrador. O que diabos foi aquilo? O locutor/narrador berrando coisas como “GOOOOOOKU”, “BROOOOLY”, “KAMEHAMEHAAA” e “GOGETAAA”?

Sério, isso conseguiu me arrancar umas boas risadas durante o filme (a Cúpula toda estava presente no cinema e pode confirmar minha reação, eu fiquei algo entre uma mistura de perplexo com risonho).

Mas, na boa, espero que não façam disso um padrão para Dragon Ball. Ficará ridículo.

Finalizando…

Contudo, eu acho que o filme acertou mais do que os outros filmes da franquia.

Primeiramente por ter sido um filme canônico, fator este que trouxe mais importância ao longa. Além disso, foi mostrado um desenvolvimento não tão raso dos personagens, o humor clássico de Dragon Ball, lutas eletrizantes e um “vilão” carismático.

Eu até conseguiria dar um 7,5 para esse filme se comparar com os outros da série, porém, quando eu lembro das animações de qualidade duvidosa de cenas específicas somadas àquele locutor bizarro berrando no meio da luta, a nota despenca.

A vontade seria dar 6,0, só para o desaforo com a Toei por extorquir tanto do universo nostálgico-divertido de Dragon Ball (que utiliza muito bem da fórmula dos megahits, vale dizer). Me admiro o Toriyama-sama permitir tudo isso. Prefiro acreditar que ele assinou um contrato tempos atrás e hoje se arrepende, sinceramente.

Concluindo, eu fico com um…

Nota
6.5

/10

Fique à vontade para usar a sessão de comentários para expor sua opinião sobre o filme! Ou então, quem sabe, para desafiar algum dos integrantes do blog para um 1v1 na porrada na arena do Mister Satan. Eu não recomendaria que desafiasse o Goga. Mas a escolha é sua!

EXTRAS

Broly ficando muito bravo no filme de DBS
“Alguém não está feliz”
Goku e Vegeta de moletom no gelo
”Só eu achei genial ver o Goku e o Vegeta de moletom?”

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Prolixo

Criciúma - SC

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