Análise

Kingdom é bom? Vale a pena ler o mangá? | Crítica

Dê uma chance para Kingdom, uma obra de renome no oriente, mas pouco celebrada aqui
16 minutos para leitura
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Kingdom é um mangá escrito por Yasuhisa Hara que sai semanalmente na revista Weekly Young Jump (Shueisha). Estando junto com One PieceBlack Clover e outros, é serializado desde 2006, estando atualmente no seu 642º capítulo.

Esse título tem números excelentes na Ásia. Em 2016, Kingdom foi o terceiro mangá mais vendido, ficando atrás apenas de Ansatsu Kyoushitsu e One Piece, 2º e 1º lugares respectivamente.

Contudo, mesmo sendo famoso por lá, Kingdom é pouco falado aqui em nossas terras ocidentais. Porém, garanto que vocês que ainda não leram estão perdendo uma história fantástica.

Nesta crítica, mostrarei para você porque Kingdom é bom e vale a leitura, mesmo sendo muitos capítulos.

Contexto histórico de Kingdom

kingdom mapa estados combatentes China

Kingdom se passa na China antiga no período dos Estados Combatentes (475-221 A.C.), um período de grandes animosidades entre territórios e de meritocracia. De acordo com a qual a ascensão de qualquer cidadão, seja por feitos militares e/ou diplomáticos era garantida.

Juntamente com esse plot, o mangá nos conta a história do jovem Shin e de sua trajetória que começa como um escravo órfão de guerra. Ele almeja ser o maior general sob os céus (título máximo da hierarquia).

O mais legal nisso é que, tirando a óbvia liberdade criativa do Yasuhisa Hara, os eventos citados nesse mangá aconteceram mesmo e pessoas reais foram usadas na obra.

Shin (Li Xin) é nosso protagonista, sendo responsável por uma grande conquista que gravou seu nome na História. Mas não posso falar aqui sem dar um “spoiler” gigantesco. Porém, nada que frustre sua experiência, tendo em vista que Kingdom já é um mangá bem antigo e isso aconteceu faz bastante tempo no mangá.

kingdom mangá destaque protagonista

Alerta de spoiler!!!!

Neste trecho vai rolar um spoiler necessário, porque este é o evento que mudou a vida do nosso protagonista.

Tudo começa quando Shin e seu melhor amigo Hyou são vistos treinando espadas por um burocrata. Indagados pelo mesmo, eles respondem que praticam há anos e sempre estão equilibrados em número de vitórias.

Logo após esse encontro, o burocrata compra Hyou de seus senhores com um objetivo desconhecido, deixando Shin como o único escravo doméstico daquela residência.

Meses depois Hyou chega todo ensanguentado a casa de Shin, lhe entrega um mapa e sua espada implorando para que o mesmo cumpra a sua missão, morrendo sem a revelar.

Todavia, ao chegar ao local indicado, ele vê um sósia seu amigo e acaba descobrindo que estava diante do rei da província de Qin, Ei Sei (Ying Zheng).

Logo depois disso acaba se envolvendo diretamente contra a rebelião que almejava tirar o Rei de Qin de seu trono (orquestrado pelo seu próprio irmão), sendo esse o divisor de águas de sua vida.

FIM DO SPOILER~

Personagens de Kingdom

Kingdom nos apresenta uma lista enorme de personagens carismáticos, mas o maior desenvolvimento dessa história acontece com esses personagens, podendo dizer que são eles os principais:

Shin (Li Xin): Nosso protagonista principal é um rapaz desprovido de muita inteligência porém com um grande coração e uma vontade de ferro. Seu objetivo é se tornar o maior general da China (dito ‘sob os céus’).

Tem seu talento como guerreiro, mas é descuidado quanto a sua própria integridade física, constantemente exagerando nas batalhas, de modo que o mesmo descuido com que se lança a batalha se torna motivo de admiração entre seus subordinados.

No entanto o tipo de personagem cujo esforço cativa o leitor, a ponto de vibrar com seus feitos.

protagonista de Kingdom segurando espada nos ombros

Ei Sei (Ying Zheng): Rei de Qin, passou por maus bocados em sua infância e se viu no trono após seu pai falecer e o reconhecer como príncipe herdeiro, a despeito do seu irmão Seikyu.

Tem uma presença imponente que te faz obedecê-lo sem notar. Todavia desde os primeiros capítulos já se percebe o seu talento como estadista e a sua ambição vai abalar as estruturas dos Estados.

Curiosamente aceita ser chamado pelo nome por Shin, mesmo sob protestos de todos os outros burocratas do palácio.

o rei fazendo um cumprimento

Hyou (Piao): Melhor amigo e escravo junto com Shin, era também órfão de guerra e foi a mente que direcionou o mesmo para a busca de se tornar um general (era o único meio deles deixarem a escravidão), de fato que seu sacrifício foi o fato determinante no encontro entre o rei e sua espada.

Dono de um temperamento dócil, era amado por todos ao seu redor.

Personagem de Kingdom segurando uma espada

O poder feminino em meio aos homens de Kingdom

Em tempos onde os homens dominavam, poucas mulheres se arriscavam a escrever seus nomes. Em Kingdom elas são bem representadas, sendo essas duas as principais:

Karyo Ten (Hellao Diao): descendente das tribos das montanhas, é uma jovem muito inteligente que sobrevivia em uma vila de bandidos antes de conhecer Shin e o Rei, usa uma fantasia bastante peculiar, o que esconde também seu gênero das outras pessoas.

criança de Kingdom e sua fantasia de coruja

Kyoukai (Qiang Lei): Uma assassina oriunda de um milenar clã chinês, utiliza uma técnica poderosa de ataque a qual aumenta a sua letalidade.

Busca vingança pelo assassinato de sua irmã no Ritual de seu clã, e durante essa busca conheceu Shin e ficou balançada pela confianca que ele demonstra para ela, se tornando assim peça chave de sua equipe.

assassina de Kingdom mostrando a espada as suas costas

Guerras em nanquim!

A arte em Kingdom é um espetáculo a parte, com grandes batalhas com milhares de soldados se confrontando.

Além disso, a violência gráfica aqui é alta, pois é uma história mais adulta, e alguns elementos mais controversos aparecem também. Aliás, vale lembrar que o período em questão era bastante selvagem.

Muitos itens são bem representados na arte de Yasuhisa Hara, com destaque especial as texturas, que são muito ricas.

o protagonista e os soldados indo para algum lugar

Kingdom é um mangá de guerra, então vemos nessas páginas diversos pontos de vista nos conflitos, sendo destacadas motivações de cada lado.

Desse modo você vislumbra a batalha de vários ângulos diferentes, do ponto de vista do protagonista, mas também dos oponentes.

Em outro momento você a percebe como um soldado de infantaria, sem comprometer a coesão da história como um todo. 

Figuras de poder: os Generais de Kingdom

Quando somos agraciados a ver os generais em ação, podemos entender o quão complexo é movimentar milhares de homens na batalha.

Contudo, o autor faz isso brilhantemente utilizando representações gráficas do campo de batalha, como se fosse peças de XiangQi (xadrez oriental)

É mostrado também o dilema de se lidar com tantas vidas, na visão tanto de generais quanto dos estrategistas (em alguns batalhões são pessoas diferentes).

O peso que se carrega ao decidir quem vai viver ou morrer é algo que o mangá traz a tona em vários momentos, ou seja você sempre vai se emocionar, mesmo sabendo que isso faz parte.

comandante ampara soldado morrendo nos braços

Kingdom também tem uma trama política intensa, retratando a corte de Qin. Intrigas, traições, esquemas e a sensação de que o regime vai cair é algo que constantemente ronda as páginas do mangá e com certeza a cabeça do Rei.

Apesar de que as vezes pode dar a impressão do mangá estar se arrastando, é uma parte importante daquele período que foi bem explorada pelo autor.

São muitos os perigos que a sua facção enfrenta em busca da consolidação do seu poder, e isso dá um charme a mais nessa obra tão complexa.   

Varias mãos escrevem Kingdom, um recorde padrão Guinness!

Devido a campanha Social Kingdom, na qual os fãs, dubladores e outros artistas foram incumbidos de redesenhar todo o 26º volume, a obra de Yasuhisa Hara conquistou o recorde de mangá escrito pelo maior número de pessoas.

Dentre eles Eiichiro Oda (One Piece), Masashi Kishimoto (Naruto) entre outros mangakás famosos.

Mas nem tudo são flores

Kingdom é um mangá maravilhoso, sem sombra de dúvidas, porém a primeira temporada animada dessa obra é um sofrimento só.

Feita pelo estúdio Pierrot e exibida entre 04 de Junho de 2012 até 25 de Fevereiro de 2013, alterna entre animação 2D e um CGI parecendo amador com poucos FPS, similar a um jogo de PS1.

Entretanto, graças a alguma divindade esse erro não é cometido na segunda temporada, a qual recebeu uma animação 2D excelente, tal qual se espera de uma obra boa como essa.

kingdom segundo anime imagem destaque

Finalizando…

Uma obra fantástica, cuja história se baseia em relatos históricos e que alcançou 642 capítulos (até a data de publicação dessa crítica) com certeza é algo relevante. Kingdom nos traz guerras, sonhos, amizade, tudo isso com uma pitada de humor quando é possível.

Não sei como Kingdom vai terminar, porém duvido muito que o autor se perca depois de, na minha opinião, acertar tanto.

Fiquei tão encantado por ler que devorei 640 capítulos em 3 semanas (sem perceber). Recomendo a todos que não se importam com mangás longos e buscam excelentes histórias.

Escrito por

Diego Mariano

Escritor

Músico | Oldschool | Shonenzero

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