Análise

Domestic na Kanojo (Domestic Girlfriend) é bom? Vale a pena? | Crítica

Domestic na Kanojo, ou seria “Domestic na QUE NOJO”?
19 minutos para leitura
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Depois dos primeiros 10min de episódio, eu já tinha quase certeza do que me esperava, mas mesmo assim resolvi enfrentar o monstro de quatro cabeças que Domestic na Kanojo (ou Domestic Girlfriend) prometeu ser desde o começo.

O negócio começou tão estranho que cheguei a me perguntar se a Crunchyroll está trabalhando com hentais agora. 

Eu me forcei a ver o anime inteiro (socorro), por isso eu já deixo avisado que você está prestes a ler um review que contém uma linguagem um pouco mais agressiva do que a que eu geralmente costumo utilizar.

Por que? Bom, simplesmente porque Domestic na Kanojo é horrível

Adianto também que nesta análise conterão spoilers, já que, como eu não desejo o mal para você, eu não posso recomendar uma obra desse calibre.

Afinal, tenho medo do que poderia acontecer caso você assistisse essa “coisa” sem o devido preparo psicológico… 

Uma adaptação que é um compilado de drama exagerado, personagens fracos a ponto de se tornarem esquecíveis e incesto forçado. Em suma, é isso que Domestic Girlfriend, o anime baseado na obra original de Kei Sasuga, é.  

Triangulo Amoroso de Domestic na Kanojo: Natsuo, Rui e Hina
“As faces da desgraça”

Começando a aventura em Domestic na Kanojo! 

Era uma vez, em uma terra distante, um imbecil apaixonado chamado Natsuo Fujii, o típico garoto desprovido de qualquer característica relevante que poderia torná-lo um bom protagonista. 

Ele até é um bom ser humano, ele é gentil e tal, sabe respirar, andar etc., mas isso nós já estamos acostumados a ver em obras desse gênero. 

Sabe aquele personagem principal masculino de cabelo escuro, com olhos de peixe morto que não esboçam muitas emoções e está sempre apto a ajudar todos a sua volta simplesmente “porque sim”?  

Somando esses aspectos super-originais com uma sede por sexo tão alarmante quanto a do protagonista de School Days, obtemos Natsuo, o cavaleiro que cavalga o monstro de quatro cabeças

Acho que os mangakás/escritores curtem optar por esse tipo de protagonista que não tem muita personalidade para que o povo que assistir/ler a obra consiga se identificar mais facilmente. Ou quem sabe se colocar no lugar do rapaz, sei lá. 

Mas na boa: quem em sã consciência iria querer estar no lugar deste pífio protagonista?  

Desenrolando a histó- espera aí, qual história de Domestic Girlfriend? 

A história do anime gira em torno de um triangulo amoroso, formado pelo protagonista, uma adulta degenerada e uma garota completamente cabeça de vento.  

Natsuo sentado com suas garotas
“Olhando assim nem parece que vai ser tão ruim”

Hina-sensei é a adulta degenerada. Ela é uma professora e também é a paixão de Natsuo, mas para tristeza de nosso saquinho de vento (é assim que eu vou chamar ele agora, porque eu quero), ela gosta de deixar bem claro que não quer se envolver com “pirralhos”, mas ao mesmo tempo, fica dando moral para o protagonista.  

Só isso a torna degenerada? Nah, isso até que é comum nos dias de hoje. O problema é que além de ser uma professora que seduz estudantes, ela ainda é amante de um cara casado.

E ela sabe disso. Mesmo alegando e demonstrando estar apaixonada pelo seu caso, a Hina continua fisgando o protagonista, fazendo com que ele fique preso a ela.  

Rui, a cabeça de vento, é a garota de cabelo azul que dá início a história. Ela é a clássica personagem que não tem senso comum sobre as coisas.

Graças a essa dificuldade, ela desenvolveu problemas psicológicos que a bloqueiam de ter uma relação natural com seus colegas de classe. Ou seja, ela não tem amigos porque ela não sabe conversar, basicamente.  

Tentando solucionar sua problemática, ela vai num encontro em grupo (bem comum no Japão), e lá conhece uma certa pessoa.

E como ela resolve aprender a ter papo para falar com o pessoal? Convidando estranho que viu a primeira vez não faz nem 2 horas para transar com ela. Porque, bem, experiência prática é tudo!

E advinha quem que ela convida? Foi aquela “certa pessoa”. Chuta aí… Tik tok tik tok PLIMMM! Óbvio que é o Natsuo, né. 

Meme do Escalou Rápido usando na análise de Domestic Girlfriend
“Bem, isso escalou rápido”

Domestic na Kanojo já começa meio… estranho…

O saquinho de vento, mesmo que relutante, aceita o pedido da garota com uma cara que fez parecer que ele estava fazendo um favor para a menina (apesar de ser realmente difícil de afirmar o que ele está pensando na maior parte do tempo).  

Após a fornicação, fica de consenso entre os personagens não comentar mais sobre o assunto, e fica por isso. Pelo menos foi o que me pareceu, porque que eles não têm na verdade um diálogo muito construtivo, mesmo após o ato.

Sobretudo, o que é bem curioso, já que foi a primeira vez dos dois e tudo mais… bom, não estou aqui para julgar virgens nem nada, mas me pareceu um pós-sexo bem constrangedor e sem graça.  

Estes acontecimentos todos se dão no primeiro episódio da obra. E, mais ao final deste mesmo episódio, temos um acontecimento, muito, mas muito cliché. Quer ver? Assinale a alternativa correta: 

A) A Hina-sensei e a Rui são, na verdade, irmãs de sangue; 

B) Sexualização forçada em cima da Hina-sensei, já que apesar de um lixo de personagem, continua sendo a mais bem desenhada da obra; 

C) Coincidentemente, o saquinho de vento vira meio-irmão das garotas; 

D) Todas as alternativas estão corretas. 

Gabarito: “D” DE DADO! É “D” DE DEMAIS! TALVEZ “D” DE DO CARALHO! “D” DE OUTRO PLANETA! “D” DE EMBRULHAR O ESTÔMAGO! 

Hina sensei chorando na grade na escola de Domestic na Kanojo
“Chora não que ainda vai piorar”

O problema está na história de Domestic na Kanojo então?

A “história” em si não é o grande problema do anime, porque, assim como em diversos animes de drama-escolar-ruim que temos no mercado, quase sempre é a mesma coisa.

No entanto, temos desenvolvimento e drama em cima de situações onde só sentar e dialogar, igual seres humanos normais fariam, iria resolver cerca de 90% dos problemas. 

Porém Domestic na Kanojo trabalha de maneira ainda pior que os clichés do mercado, porque quando um conflito dramático (que geralmente nasce da idiotice dos personagens) fica muito imbecil ou chato, a história simplesmente muda para um “novo arco”, onde acontecerão mais conflitos imbecis ou chatos.

As quatro cabeças do monstro de Domestic na “Quenojo”!

Se não bastasse a horrorosa escolha de trabalhar o anime inteiro somente em cima de situações “inconvenientes”, os personagens são muito, mas muito burros.

O elenco inteiro é formado por, basicamente, Natsuo e seu “harém” de 4 garotas:  

Hina-sensei, a profª antes mencionada, que de noite amava o amante e de dia amava o Natsuo (sério, ela é um péssimo exemplo para seus filhos). 

Rui, a desinformada, que em poucos episódios tem sua característica de “cabeça de vento” completamente deixada de lado e vira uma fraca garotinha genérica apaixonada pelo protagonista.  

Momo, uma garota depressiva que até prometia uma participação relevante na história, mas os roteiristas simplesmente esqueceram dela logo após o episódio em que ela é introduzida. 

Miu, um rato de biblioteca tão esquecível que eu tive que pesquisar o nome dela com foto para eu lembrar do personagem.  

A história, além de rasa e alavancada somente através de coincidências forçadas, é contata por uma narrativa que simplesmente não sabe para onde vai, e os personagens são vítimas dessa indecisão.  

Ora ela parece tentar ser uma comédia (e falha miseravelmente), ora faz uma tempestade em copo d’água com dramas que não são fáceis de comprar, pois são contextualizados por meio de acontecimentos sem noção.  

Por exemplo, as cenas com o amigo gordo do protagonista pareceram promissoras.

Afinal, a relação dos dois aparentou ser algo que seria trabalhado e desenvolvido, porém, depois do primeiro arco, o gordo praticamente não apareceu mais! Só umas duas vezes, e sem impacto real na trama do anime. 

Natsuo e seu amigo que não teve o merecido foco no anime Domestic Girlfriend
“Os olhos dele estarem sempre com reflexo do óculos foi desnecessário”

Um casal “não-shippável

Frequentemente Domestic na Kanojo tenta te fazer aceitar um romance isento de química, porque os protagonistas parecem serem movidos somente por puro tesão. 

A motivação do romance deles é muito fraca (tanto de Natsuo com Hina, quanto de Rui com Natsuo). Essa coisa de “ele é bonzinho comigo” já não cola mais, meus queridos autores japoneses. Não cola mais. 

Alguns dos personagens que rodeiam o núcleo principal de idiotas até que são interessantes, como o dono do bar, que é um homosexual muito badass e ex-Yakuza.

O professor de literatura japonesa também é maneiro, porque também é um cara muito descolado e sempre dá umas dicas bem realistas e humanas para o protagonista saquinho de vento. 

Os animes desse gênero escolar que mais se destacaram recentemente (inclusive no Japão) trouxeram romances com personagens mais profundos e carismáticos, e, acima de tudo, com amor justificado. Bunny Girl é um bom título a ser citado aqui como exemplo. 

Credo. Há desenvolvimento de personagem, pelo menos? 

Existe sim uma tentativa de trabalhar o protagonista, quando começam a introduzir o clube de livros e o hobby dele de escrever e tal.

Porém, essa característica é largada de mão logo que introduzida, e só e resgatada lá no final do anime.

Natsuo é um cara muito indeciso. Num primeiro momento, ele aclama estar apaixonado pela Hina, e parece realmente estar. Faz de tudo para estar com ela e fazer parte da vida dela. Isso em metade dos episódios né, porque na outra metade ele ta ocupado dando uns pega na Rui. 

Quando irmãos que não-de-sangue começam a morar juntos, é justo pensar que, à curto prazo, é possível sim sentir atração um pelo outro (eu acho).

Afinal, aquela pessoa pode ser legalmente da sua família agora, mas ainda é difícil simplesmente esquecer que no dia anterior o fulano(a) era uma pessoa qualquer no mundo, pela qual você “poderia se apaixonar e ter relações sexuais”. 

No caso aqui, não era uma pessoa qualquer, porque foi justamente a professora pela qual Natsuo fora apaixonado faz tempo. Além disso, junto da primeira garota que ele tivera suas primeiras relações. Qual é.

A química não ocorre porque o protagonista já começa o anime apaixonado. Então, não há desenvolvimento nesse quesito. 

Não existe um porquê explicado de ele estar apaixonado pela Hina-sensei. Ele só está, e você é obrigado a aceitar.

Sobre a cabeça de vento Rui…

Os motivos, contudo, da Rui até que fazem sentido.

Ela é apaixonada por Natsuo, porque ele é gentil com ela e ela não tem muitos amigos… ele a ajuda com isso. Além disso, ele ajuda ela em várias coisas ao longo do anime, como também participa das primeiras vezes da heroína. Isso com certeza causa um impacto em nós, seres humanos. 

Acredite se quiser, mas ela talvez seja a pessoa com melhor personalidade do núcleo principal… até ela pedir pro meio-irmão dela enfiar um troço via anal nela para abaixar a temperatura corporal.

Pelo amor de Deus.

Rui emburrada, porém fofa em Domestic na Kanojo
“Fica assim não. Foi um elogio! (quase)”

E a adulta irresponsável, Hina?

Diferente de sua irmã, não houve motivos reais para que a Hina viesse a se apaixonasse por Natsuo.

E o pior: literalmente da noite pro dia. A única coisa que ele havia feito até então foi acabar com um relacionamento que ela gostava de ter. Desta forma, não faz sentido a professora começar a gostar do garoto após isso…

E não venha com o papo de que eles já flertavam na escola, porque mesmo que isso seja verdade, numa obra audio-visual os produtores precisam mostrar o visual, pelo menos né.

Como que eu vou sentir empatia e me apegar aos personagens e seus relacionamentos, se simplesmente não é mostrado? Eu tenho que adivinhar? Ai não dá né.

Hina com cara de sapeca no anime Domestic Girlfriend
“Me incomoda você ser tão bonita, mas ser a pior personagem. Me lembra as patricinhas da época da escola…”

A parte técnica de Domestic na Kanojo é tão ruim quanto o resto? 

Fico feliz em dizer que não, não é tão ruim quanto o resto. PORQUE É AINDA PIOR! Brincadeira~ 

Admito que pelo menos nisso o estúdio Diomedea acertou. Os traços são bem bonitos. O character design ficou bom e o nível da animação ficou acima da média. Para um anime do gênero, está bem legal e bem-feita. 

Hina e Rui surpresas
“Surpresas porquê? Eu não sou tão cruel assim!”

A obra usa uma paleta de cores não tão chamativas, o que dá um ar mais maduro e realista para o anime, o que contradiz totalmente com a escolha de ir para um lado cômico em certas horas da narrativa, onde cores mais chamativas e fortes funcionam bem melhor. 

Mas tudo bem. Porque, em suma, o gênero aqui foi de fato drama (drama ruim, mas continua sendo drama). 

A trilha sonora em si é fraca. Os efeitos e a melodia que toca no plano de fundo, digo. Geralmente é só um pianinho miado. Então não há nada a destacar aqui, além, claro, da sensacional música de abertura: “Kawaki wo Ameku”, da Minami

openning de Domestic na Kanojo entra facilmente na briga de música abertura do ano (o que é bem irônico, sendo que o anime vai tirar provavelmente minha pior nota do ano). 

Aliás, chegou até a concorrer no nosso Cúpula Awards 2020.

Finalizando… 

Se você chegou até aqui, você já percebeu que Domestic na “Quenojo” não é para qualquer um.

Obviamente, faltou eu comentar de muitos outros pontos que me deixaram decepcionado na obra. Tipo a Hina sensei se masturbando de porta aberta, ou o Natsuo “pegando” a Rui em casa, com a porta também aberta (ô mas essa gente é BURRA). 

Sério, tudo bem vocês quererem se pegar em casa com sua meia-irmã (mentira, não faça isso).

Mas pelo amor de Deus né! Pelo menos fecha a porra da porta. NINGUÉM FARIA ISSO DE PORTA ABERTA. ISSO É SÓ MAIS UMA PROVA DE QUE É FORÇADO PRA CARAL- chega, se você quer saber mais sobre isso, assiste o anime.

Vai lá. Afia bem sua espada, que o monstro é brabo! 

A grande moral em Domestic na Kanojo é: não há moral. O anime não te ensina nada, não te passa nada, não te toca em NADA.

Além disso, ficou impossível de simpatizar com personagens tão sem carisma e burros. Fora uma história onde é evidente que a real intenção é garantir muitas cenas “picantes” sem um contexto bem trabalhado. 

É engraçado que as cenas de pegaceira tinham uma animação bem boa, por isso que faz parecer mesmo que é um hentai hahaha 

Sendo assim, para não desmerecer completamente o dinheiro que alguém pôs nessa produção o trabalho do estúdio e o material original (que, pelo que eu li sobre ele na internet, não é tão péssimo), Domestic na Kanojo vai sair com um…

Nota
2.5

/10

Eaí, você conseguiu assistir Domestic Girlfriend até o final? Ou dropou, como eu quase fiz em praticamente todo episódio depois do primeiro? Me conta aí!

Continuação?

Espero que não tenha.

EXTRAS

Natsuo caindo da escada
“Não eu que vou te segurar, cara”

Escrito por

André Uggioni

Co-Fundador

Editor-chefe | Host do CúpulaCast

Criciúma - SC

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