Análise

Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin é bom? Vale a pena? | Crítica

Se a história de Rainbow não te surpreender no quesito “amizade”, nada o fará
12 minutos para leitura
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Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin, ou só Rainbow, como a maioria das 3 pessoas que assistiram esse anime gostam de o chamar, é um anime que nos trás uma temática um tanto quanto diferente da que estamos habituados a ver no mercado. Mesmo dentro dos dramas.

Destaco a temática porque, na minha opinião, ela é o ponto mais fora da curva (para o lado bom do quadrante) dentre os animes que eu já assisti na minha vida. E olha que facilmente são mais de 200.

Em Rainbow, o ano é 1955, pós segunda guerra-mundial, e você acompanhará a história de 6 garotos que acabaram de serem jogados em uma “escola” disciplinar e precisarão agora sobreviver por 2 anos dentro deste ambiente infernal violento, triste e escuro. Todos jogados lá por crimes leves, justificáveis ou não.

Justiça é complicada, ainda mais naquela época.

Rainbow Nisha Rokubou no Shichinin os 7 protagonistas

Antes, a escola ficou entre aspas por motivos óbvios para quem já conhece a obra, mas você vai ter que assistir para entender. Aliás, se já viu, você há de concordar que “violento, triste e escuro” podem até ser elogios para o lugar.

Os 6 garotos são jogados na cela 2-6 e lá conhecem um veterano bonitão e bom de briga, o Sakuragi. Juntos, agora em 7, eles precisão enfrentar todas as dificuldades (que serão muitas, vale dizer) que um guarda filho da puta e um médico safado irão tramar para tentar acabar com a estadia deles na “escola”.

Abuso sexual, violência extrema e um drama bem melancólico.

É disso que Rainbow trata. Pelo menos em sua superfície, porque, por de baixo (mas não tão de baixo assim) o grande tema dessa história é a amizade.

Justificando a violência dentro do anime
Olha esse disclaimer antes do começo de cada episódio! Pesado.

A ambientação em Rainbow

Essa história me chamou a atenção pois, como mencionei acima, ela foge muito do padrão que geralmente estamos habituados a assistir.

A época de pós-guerra por si só já me chama atenção, porque não lembro de ter visto nenhuma série de anime que se passe nesse período turbulento do mundo (desconto filmes de anime aqui).

Tal atmosfera tem tom de “novidade”, principalmente para aqueles que costumam só acompanhar animes de temporada e acabam deixando os clássicos na lista mofando (ou nem sequer sabem quais são os clássicos).

No entanto, Rainbow não é um clássico. Não é um Hunter x Hunter, não é um Yu Yu Hakusho e certamente não é um Slam Dunk (mesmo que eu acredite que trate de “amizade” tão bem quanto este último).

Porém, não ser um clássico não tira mérito de Rainbow.

Acredito que esse título passa despercebido por muita gente por 3 principais motivos: é um anime bem violento, é um anime de época, e ainda é um dramão pesado.

Ao meu ver, as pessoas estão cada vez mais fugindo de dramões pesados como Shigatsu Kimi wa no Uso ou Ano Hana.

Acompanho animes da temporada já fazem anos, e percebi uma notória diminuição no gênero. Só não entendo o porquê.

Sakuragi Rainbow falando uma frase intimidadora

Afinal, drama é possivelmente o gênero que mais nos faz refletir sobre a vida. Levantar pontos de vista diferentes, e amplificar nossos sentimentos de empatia, seja por ódio, ou amor. Se colocar no lugar do próximo, e coisa do tipo. Eu pessoalmente gosto bastante de drama, desde que bem dirigido.

E Rainbow, pelo menos em sua primeira metade, supriu minhas expectativas (que eram altas, ressalto). A segunda metade continua boa, mas mudou até que bastante, e apesar de complementar a primeira, não foi nem de perto tão marcante quanto.

As 7 cores do arco-íris: os integrantes da cela 2-6 em Rainbow

Fazia tempo que eu não me apegava com tantos personagens dentro de uma mesma obra. Sendo sincero, acredito que a última vez tenha sido em Run with the Wind, e já fazem meses que eu assisti esse título.

E acredite: eu não vi poucos animes dentro desses meses que passaram.

O trabalho e profundidade que todos os 7 personagens principais possuem é de se surpreender, já que, como comentei, realmente fez eu sentir que aqueles caras são “reais”. Que são pessoas de verdade, possuem ambições únicas, personalidades únicas e motivações únicas também.

E esse é o ponto chave de Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin: a relação de amizade entre esses personagens super críveis e carismáticos é, de longe, uma das mais profundas e puras que eu já vi.

Como antes mencionado, nessa história você sentirá uma raiva tremenda de um dueto-filho-da-puta que assombra a vida dos garotos enquanto estavam naquela prisão-escola. Na verdade os desgraçados chegam a incomodar ainda mais do que isso…

Para superar as dificuldades, Mario, Joe, Desmascarado, Tartaruga, Repolho, Soldado e o Mano desenvolvem laços de amizade mais fortes do que qualquer tanque de guerra e provam que, com amigos, você pode ir além. Pode sobreviver. Mas não apenas sobreviver, você pode viver.

Frase de Rainbow com Sakuragi sorrindo
Screenshot do arco íris
Rainbow Nisha Rokubou no Shichinin frase sobre arco íris

A mensagem de amizade aqui é de marcar qualquer espectador. Não cheguei a chorar em Rainbow porque o sentimento de raiva se via presente junto ao de tristeza em boa parte dos clímax, então meu corpo meio que bugou.

Mas por via das dúvidas, prepare um lencinho, porque é um anime pesado.

E não teria como não ser, tendo em vista que trata sobre assuntos como estupro, violência explícita, assédio sexual, mortes… cara…

É pesado. Pega o lenço, vai.

E os pontos negativos em Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin?

Apesar de eu ter assistido e ter achado esse anime incrivelmente marcante e recomendável, algumas escolhas da produção me deixaram um pouco incomodado.

Eu não li o mangá que deu origem ao anime, escrito por George Abe e ilustrado por Masasumi Kakizaki, então não sei até que ponto foi “culpa” do estúdio Madhouse e do diretor Hiroshi Koujina ou dos autores originais, mas enfim…

Precisava mesmo em todas as cenas dramáticas ter chuva ou um pôr do sol? Ou ambos?

Os eventos e o diálogo, fora toda a parte audio-visual que é super bem feita (ponto para o estúdio Madhouse) somada ao enredo já eram mais do que o suficiente para fazer qualquer marmanjo se emocionar.

Aliás, principalmente marmanjos.

Cena da pedra em Rainbow

Então, a escolha de ficar forçando esse cliché climático frequentemente tirou um pouco da naturalidade das cenas, e, ainda, mostrou um pouco de insegurança da produção na sua capacidade de emocionar o espectador por meio de outras técnicas além das básicas.

E o roteiro se perde em Rainbow?

O roteiro a partir de certo ponto começa meio que a perder seu rumo, porque na primeira metade de Rainbow temos um objetivo claro: sobreviver à escola disciplinar abusiva.

Quando eles finalmente saem (em partes) de lá e resolvem algumas pendências, parece que o dramão que antes era facilmente comprável agora se tornou algo forçado.

Cito o o caso de um dos personagens que no começo do anime teve todo um arco de redenção em cima da traição que ele havia cometido com seus colegas, para mais ao final da história, cometer praticamente o mesmo erro. Era para eu sentir pena ou raiva?

Sakuragi Rainbow com cigarro aceso em sua mão
Passa a bufa que eu tô nervoso, Sakuragi

Ficou confuso. Eu já tive esse mix de emoções com esse cara, sr. escritor. Não força, vai.

Além disso, esse personagem já estava trabalhado o suficiente. Já o conhecíamos o suficiente. Se era para fazer drama novamente com ele, que fizesse algo mais original, algo novo.

Parece todos os personagens do núcleo central de Rainbow (menos o Soldado, aparentemente) eram importantes e mereciam seus momentos de redenção finais. Na verdade, não só “parece”. Eles são importantes mesmo, porque a temática aqui, o que Rainbow discute, é a amizade.

Mas isso não é desculpa para o roteiro ter se tornado repetitivo e preguiçoso.

Além disso, o ritmo acelerado dessa parte provavelmente se dá pelo fato de o anime ter cortado boa parte dos acontecimentos do mangá. Isso fez parecer com que alguns momentos dramáticos fossem “exagerados”, porque para nós, como audiência, foi tudo muito rápido.

Finalizando…

Mesmo tendo parecido que no último subtítulo eu espanquei a obra, Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin vale muito à pena, e é bom sim.

Na verdade não é bom, é ótimo.

É ótimo porque ele entrega uma temática que não é constantemente abordada em animes, então você terá uma experiência única no que tange à ambientação.

Os personagens, todos eles, são palpáveis, muito humanos e carismáticos. Você pode até não gostar da personalidade de todos eles, mas todos são bons personagens. Ou seja, funcionam dentro do que precisam funcionar.

A animação, mesmo sendo um anime de 2010, lembra muito os animes dos anos 2000 (ou antes) e é bem fluida e consistente. Provavelmente para elevar a sensação de estarmos no século XX, poucos anos após a derrota japonesa na segunda guerra.

Além disso, o drama é bem utilizado, principalmente porque a trilha sonora e a narradora filosófica que aprece no final de cada episódio amplificam o sentimento que você deveria sentir nas cenas importantes.

E todos os 4 pontos citados giram em torno de um principal elemento que com certeza vai marcar você quando assistir, e que certamente marcou todos os 3 seres humanos que já assistiram Rainbow, a amizade.

Então, mesmo com pontos negativos e o fato do anime ser escuro à ponto de você as vezes ter que se levantar e mudar seu ângulo para ver se é sua TV, como a temática é muito bem abordada e utilizada, eu relevei.

Afinal, existe um sentimento, um elo, um laço mais bonito do que a amizade? A amizade real? Eu desconheço.

E se você ainda, infelizmente, não teve uma versão audio-visual marcante, emocionante e precisa do que é de fato a amizade, assista Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin.

An-chan, eu te amo também.

EXTRA

Se por acaso o texto não te convenceu, e você é adepto da teoria de que “todo anime bom tem uma abertura boa, mas nem toda abertura boa tem um anime bom”, dá uma curtida na opening de Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin.

E se não bastasse, o encerramento também é irado demais.

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Prolixo

Criciúma - SC

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