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Aggretsuko, o famigerado anime do tipo “parece, mas não é”

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Aggretsuko é um anime que aparenta ser tão “fofinho”, que, num primeiro contato, parece ser só um desenho para crianças, mas não se não engane.

Na minha infância, e de praticamente todas as crianças dos anos 90, era totalmente normal encontrar em produtos comercializados para o público infantil conteúdo sexualizado e bem “padrão brasileiro”.

Como exemplos, podemos citar a Tiazinha, que além do programa, possuía figurinhas apenas de lingerie encontradas nos chicletes. Na verdade, era comum ver crianças de até 10 anos colecionando tais figurinhas.

A televisão era o antro da sexualização no domingo à tarde, com programas como a banheira do Gugu. Enfim, haviam momentos que sentíamos vergonha alheia apenas por estar assistindo televisão com nossos pais (ou as vezes até sozinhos). Ou seja, tínhamos adultos sensualizados sendo usados para entregar entretenimento para crianças.

Em Aggretsuko, vemos totalmente o contrário, pois temos um anime com personagens bem infantilizados, porém com teor adulto.

Quando digo “teor adulto”, não me refiro a sexualidade, mas sim um estilo “slice of life” para adultos.

Aggretsuko-Netflix, Retsuko com muitas folhas na cabeça
“Isso lhe parece familiar?”

Primeiramente, a ficha técnica de Aggretsuko

Aggretsuko foi criado alguns anos atrás, por sugestão dos funcionários da empresa Sanrio, mesma criadora da marca Hello Kitty (sim, a semelhança não é por acaso).

A funcionária Yeti resolveu passar por cima da sua extrema vergonha e, criar um personagem. Como resultado, temos Retsuko, que tem como inspiração ela mesma.

A criadora de Resuko, Yeti, segurando uma folha escrito Aggretsuko
“Ela já usava esta máscara antes da criação de Retsuko, por ser muito tímida”

Sendo assim, em 2016 foi criada a “mini série” com episódios de 1 minuto de duração.

Como resultado, a empresa conseguiu chamar atenção da Netflix, para então lançar a primeira temporada de Aggretsuko em sua plataforma streamming.

Criada e dirigida por Rarecho, “nickname” que o autor sempre utilizou em sua vida online, atualmente Aggrestsuko possui 2 temporadas e um especial de natal, que podem ser conferidos na Netflix.

Além de criador e diretor, Rarecho tem uma participação muito importante dentro do anime, porque ele que “é a voz” da Retsuko nos momentos mais importantes de sua vida. Daqui a pouco você irá entender melhor.

A dublagem brasileira merece uma ênfase à parte, afinal temos as vozes de: Francisco Junior (Hit – Dragon Ball Super), Adriana Pissardini (Lois – Family Guy), Diego Marques (Sushi – Hunter x Hunter), entre outros. Portanto, um elenco de peso.

Entrando no slice of life de humanos, mas sem humanos

No início do anime vemos nossa protagonista, Retsuko, uma panda vermelha (que até está semana eu pensava ser uma raposa), conseguindo seu primeiro emprego aos 20 anos de idade.

Como todo jovem recém formado, ela se sente nas nuvens, com vários planos e pensando que a partir de agora a beleza da vida adulta começaria.

Com um time skip de 5 anos no primeiro minuto do anime, temos a realidade da vida adulta batendo na porta.

Retsuko possui a vida mais normal que um desenho poderia retratar: uma jovem adulta que tem dificuldades de acordar no horário com o despertador, pega o metro lotado para ir ao trabalho, tenta ser dedicada no trabalho e volta para casa para descansar.

Quando eu digo que o anime retrata realmente a vida normal, estou sendo drasticamente realista.

Em outras palavras, além das informações citadas acima, Retsuko possui um chefe autoritário, não é reconhecida profissionalmente, é sedentária (e como todo bom sedentário tenta praticar esporte, mas sem êxito), possui uma colega fofoqueira, sente inveja de uma amiga que possui o trabalho dos sonhos… eu poderia continuar com muitos outros exemplos, mas acho que você já pegou a ideia.

Alguém se identificou com alguma informação acima, falando nisso? Provavelmente, caso você já atue no mercado de trabalho.

Porém, para escapar desta vida cotidiana e muitas vezes frustrante, ela tem um hobby um tanto quanto peculiar: ela ama cantar Death Metal no karaokê.

aggretsuko-netflix-cantando death metal

Um fato interessante é que, quem faz a voz, ou o berro, do Death Metal é o próprio diretor Rarecho.

O anime Aggrestsuko ou Aggressive Retsuko (daí a brincadeira com a agressividade da música), é algo extremamente cativante, que te faz ver seus episódios em maratona sem perceber o tempo passar, e vou tentar agora explicar a você o porquê.

Assistir ou não assistir Aggretsuko?

Os episódios possuem cerca de 15 minutos cada, que os fazem serem perfeitos em tamanho, afinal, não possui enrolação nenhuma e fluxo dos acontecimentos é normal. Ou seja, igual a vida real.

Aqui vale ressaltar que o anime não é apenas sobre a vida em um escritório. Na trama, Retsuko passa pelas “adversidades” para manter uma vida social aceitável enquanto trabalha duro na empresa.

Por exemplo, podemos citar os encontros amorosos desastrados e a forma como um jovem adulto de 25 anos lida com o Instagram.

Além, claro, dos problemas mais relevantes, como o sonho de se casar e não precisar mais trabalhar e a difícil relação que possui com sua mãe.

Quando você começa a assistir, até parece que os episódios não seguem uma sequência e vê-los de qualquer jeito parece ser ok. Tipo os Simpsons, onde não há necessariamente uma sequência cronológica acompanhando a narrativa.

Porém cada episódio traz algo único que, posteriormente, é relembrado no próximo, ou algum outro na sequência, tornando assim obrigatório que você leve a ordem de assistir à sério.

aggretsuko-happyhour um goukon encontro coletivo
“Que tal um encontro a cegas?”

Finalizando…

Aggretsuko é um dos melhores desenhos que já vi sem sombra de dúvida. Sabe por que?

  • Personagens diferentes e extremamente cativantes;
  • Muitos momentos em que, pelo menos eu, um jovem adulto trabalhador, consigo me identificar;
  • Trilha sonora ótima;
  • Dublagem exemplar;
  • Enredo e história simples e direto, mas completo;
  • Momentos de reflexão.

Esses são os tópicos que pude elencar, mas ainda existem outros aspectos que o fazem ser um dos melhores animes que já vi. Fora que eu vi Aggretsuko junto com minha esposa, que também o adorou (e ela também é uma jovem adulta, rs).

Resumindo, se você está vivo e trabalhando, possui entre 15 e 100 anos, já foi a padaria comprar um pão e reclamou de ter que pagar a lavação do carro, em outras palavras, se você é uma pessoa jovem adulta viva, você irá se identificar com muitas coisas neste anime. Ainda mais: se sentirá representado em uma obra bem divertida e marcante.

Infelizmente, o André não tenha colocado esse anime na lista de melhores animes da Netflix parte 1 aqui do site. Contudo, aconselho muito a tirar um tempo do seu dia a dia e ver este desenho, e depois vir comentar o que achou aqui na Cúpula.

Escrito por

Hugo Brogni

Escritor

Inciante | Barbudo | Pseudo marombeiro

Criciúma - SC

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