Em nossas RegrasDe3, os autores assistem os 3 primeiros episódios de um anime novo lançado na respectiva temporada. Após isso, eles escrevem uma análise sobre esse começo da obra, sendo uma espécie de primeiras impressões. Fique atento: a RegraDe3 é uma visão baseada APENAS nesses 3 primeiros episódios, NÃO sobre o anime inteiro.

Eizouken ni wa Te wo Dasu na! (Keep Your Hands Off Eizouken!) é um anime adaptado da temporada de inverno deste ano e é a primeira RegraDe3 das duas que farei, a outra será de Dorohedoro (Spoiler!). Nesse caso, a obra de origem é um mangá homônimo. Sua demografia é Seinen, algo que me surpreendeu bastante.

Keep Your Hands off Eizouken imagem da Regrade3
  • Gêneros: Aventura, Comédia e Escolar
  • Estúdio: Science SARU
  • Material: Mangá
  • Episódios: 8
  • Novos episódios: Domingo

Primeiramente, esse estúdio é conhecido por obras bem excêntricas, como Ping Pong The Animation e Devilman: Crybaby. Então, já sabemos que não vai ser uma animação padrão.

Da mesma forma, o mangá possui o traço já bem diferente do que estamos acostumados, e, pelo que vejo, o anime tem o traço bem próximo do mangá de origem.

Esse anime está sendo muito bem recebido pelo público geral, tendo uma nota de 8.18 nesses primeiros três episódios, algo realmente raro.

O diretor da obra é Masaaki Yuasa, então minha expectativas estão batendo nas nuvens. Ele é o responsável por The Tatamy Galaxy, Yoru wa Mijikashi Arukeyo Otome, Devilman: Crybaby e outros ótimos animes.

A abertura é bem divertida e fica por conta de chelmico com a música Easy Breezy. Amei demais a música.

Aliás, aconselho verem esse AMV que usa essa música. Além de ser ótimo, contêm outras obras do Masaaki Yuasa.

Uma vida de aventuras

A primeira cena, em que somos apresentados a Asakusa, mostra uma de nossas protagonistas se mudando para uma nova residência. Inegavelmente, é um local com uma arquitetura confusa.

Ruas entrelaçados, prédios amontoados, corredores labirínticos e até mesmo um rio passando por baixo dos apartamentos tornam esse um lugar tipicamente “animesco”, cheio de vida.

Paisagem da escola de Eizouken
A intrigante escola de Asakusa

Então é introduzido o ímpeto explorador de Asakusa, que já chega cheia das vontades de descobrir cada pedacinho desse novo local e, dessa forma, ela cria diversos “diários de exploradora”, onde ela desenha e anota todas suas novas descobertas.

Em uma noite tempestuosa, ela se vê presa em seu quarto, sem nada para fazer, assim decide ligar a KidsAnime, um serviço de streaming do mundo dela, onde encontra um anime chamado “Conan da Ilha Perdida”.

É interessante salientar que esse anime tem aquele tom bem Estúdios Ghibli, como se fosse um “Nausicaa do Vale do Vento” do mundo em que se passa o anime, portanto acredito que seja como se fosse uma homenagem, já que a Asakusa simplesmente se apaixona por esse anime.

Assim, ela percebe que o mundo de aventuras que ela gostaria de explorar existe bem ali, dentro da animação, e que alguém criou esse mundo, ou seja, pensou e desenhou tudo que ela via na tela.

Eu quero fazer um anime!

Anos no futuro, nós vemos que algo cresceu dentro dela desde aquela noite e que ela agora está decidida em fazer um anime como aquele.

Inesperadamente ela se empolgou não só com o mundo retratado no anime, mas sim a própria animação.

Vemos também que ela se tornou uma boa desenhista e tem desenhado especialmente paisagens e design conceitual. Em resumo, é uma parte do design focada em buscar uma forma para os objetos por meio de uma reflexão sobre sua função.

Design conceitual da saia helicóptero feito por Asakusa

Então é introduzida outra protagonista, Kanamori, que é um jovem alta de um sorriso um tanto sínico, e um pouco de sua relação de amizade com a Asakusa.

Por fim, Asakusa pede a Kanamori para acompanhá-la ao clube de anime da escola deles para uma exibição.

O anime que é exibido é “Conan”, aquele anime que a protagonista tem tanto carinho, e essa parte é realmente bem interessante.

Uma aula sobre animação

Dessa foma, Asakusa vai explicando como cada parte da animação tem um propósito. Por exemplo, os detritos que flutuam na tela quando uma grande nave está decolando, isso serve para demonstrar sua potência, algo que normalmente não percebemos ativamente quando estamos assistindo.

De repente, elas percebem uma garota sendo perseguida por alguns caras vestidos de terno durante e a exibição.

Coisa vai, coisa vem, e elas descobrem que essa garota é Mizusaki, uma modelo e atriz famosa, embora ainda jovem, de uma família muito rica.

Ela conta sobre sua vontade de ser uma animadora e como seus pais são contra, por quererem que ela seja uma atriz, assim como eles.

Juntas elas se reúnem então com o objetivo de fazer um anime, Asakusa cuidando do desenho dos fundos e objetos, Mizusaki fazendo o desenho das personagens e Kanamori cuidando mais da parte de produção e finanças.

Pelos pais de Mizusaki proibirem ela de entrar no clube de animes da escola, elas decidem fazer o próprio clube: o Clube de Audiovisual! Assim, elas podem fazer seus animes meio que… por baixo dos panos.

Galpão onde ficará o Clube de Audiovisual (Eizouken)
Super novinho o local do clube

E é isso…

Essa é a premissa básica: elas tentando tornar seus sonhos de fazerem um anime (e possivelmente outros depois).

Mas não é só isso!

Afinal, um bom anime não se faz apenas com uma premissa. Na verdade, o ponto forte de Eizouken não é especificamente sua história base, mas sim outros aspectos que são usados para contar a história. Ou seja, a narrativa.

Inicialmente, as personagens não são profundas como o abismo de Made in Abyss, porém todas apresentam suas características e o design delas é muito coeso com suas personalidades.

Na própria abertura de Eizouken, vemos elas representadas com suas formas geométricas ao fundo, sendo círculos para a Asakusa, quadrados para a Kanamori e losangos para Mizusaki.

Mizusaki com Losangos ao fundo da abertura

Similarmente, essas formas geométricas são encontradas no próprio design das personagens, no formato de seu corpo e tem uma função de informar visualmente o espectador sobre a personalidade de cada uma.

Já vou avisando, o estilo de arte dele é bem diferenciado. Entretanto, acredito que é um diferenciado bom, tem muita personalidade e é bem único. Ainda assim, sei que não agradará a todos, mesmo eu achando incrivelmente bonito.

Criatividade na tela

O maior ponto forte de Eizouken, até agora, é a forma que a história apresenta o processo criativo do design conceitual.

A forma mais simples de explicar isso é por meio de um exemplo: em um momento, elas estão pensando sobre o design de um tipo de helicóptero.

Primeiramente, ele começa quase como uma esfera, então Mizusaki tem uma ideia de colocar asas nele como se fossem de uma libélula e isso é seguido por adicionar um rabo, para que pareça mais com uma libélula.

Sobretudo, enquanto elas estão pensando e modificando o design do libelucóptero, um mundo é criado na animação, onde elas interagem com o libelucóptero como se ele realmente existisse e elas pudessem tocar nela e modifica-lo por meio da imaginação.

Desenho conceitual de um Helicóptero em formato de Libélula
Eizouken tem desenhos bem interessantes

Claro, tudo acontece somente na cabeça delas, mas é muito legal!

Surpreendentemente, elas também fazem sonzinhos com a boca, como uma criança que faz os efeitos sonoros de um soldadinho atirando ou um aviãozinho de brinquedo voando.

Nesse mundo, elas testam o design que acabaram de criar, adicionando novas coisas conforme veem que é necessário para o melhor uso do equipamento que estão desenvolvendo, como a adição de portas laterais no libelucóptero para entrar e sair mais rápido.

Acredito que esse aspecto é o que faz Eizouken tão interessante e cativante, ver o mundo que elas estão imaginando em movimento.

Contudo, nem tudo são flores

Na minha opinião, a parte mais fraca do anime é quando elas vão resolver problemas reais não relacionados a animação em si, como por exemplo o conserto do telhado no episódio três.

Quando elas estão tentando arranjar equipamentos para fazer a animação ou explicar como eles funcionam, tudo é muito bom e interessante.

Entretanto, o anime as vezes perde tempo demais com problemas desinteressantes e que poderiam ser resolvidos mais rapidamente. Afinal, quase metade do episódio três é gasto consertando o telhado.

Não é um problema muito grande e é até acrescentada uma parte lúdica no conserto, porém, para mim, não funciona muito bem.

Finalizando

Acredito que quando comecei a assistir o anime, estava com a mentalidade errada.

Não tinha lido nada sobre ele e queria ter uma primeira impressão pura, sem nenhum spoiler, mas por ser do meu diretor favorito fiquei com uma ideia errada sobre o que seria.

Entretanto, Eizouken é realmente algo único! Ele é um anime bem relaxante de assistir: otimista e bem despretensioso. Contudo, ele consegue também ser bem informativo sobre técnicas de animação e a construção de um mundo coeso.

Tenho grandes expectativas e acredito que ele ainda tem o potencial de nos surpreender bastante.

Sem dúvidas aconselho a todos darem uma chance. Esses três episódios foram bem interessantes e acredito que ainda pode melhorar muito quando elas de fato começarem a fazer o famigerado anime.

Eizouken é realmente uma grande aposta para essa temporada.

E você, já assistiu os 3 episódios? O que achou?

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Na dúvida do que assistir nessa temporada? Dá um pulo no nosso eletrizante GUIA DA TEMPORADA!

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Escrito por

Wesley Dagostim

Engenheiro Mecânico e Escritor

Hipster | Amante de leitura

Criciúma - SC

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