Em nossas RegrasDe3, os autores assistem os 3 primeiros episódios de um anime novo lançado na respectiva temporada. Após isso, eles escrevem uma análise sobre esse começo da obra, sendo uma espécie de primeiras impressões. Fique atento: a RegraDe3 é uma visão baseada APENAS nesses 3 primeiros episódios, NÃO sobre o anime inteiro.

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Eu nunca erro nas minhas escolhas trovejantes, e Sonny Boy foi uma delas. O resto do pessoal aí pode até errar (caham, Shaman King e outros), mas eu normalmente tenho muita certeza das obras que eu escolho. Se errei, não me lembro! E, se posso dizer que errei com alguma, foi em Bishounen Tanteidan, que entregou muito menos do que eu esperava.

Mas, sem divagar muito, estou aqui hoje para comentar dos primeiros três episódios desse anime super… único. É a melhor palavra para definir, porque, se você for assistir a Sonny Boy, provavelmente não vai lembrar de muitas outras obras parecidas. Ressalto que, claro, isso não é critério para dizer se automaticamente ela é boa ou não.

Contudo, eu, Helena, tendo a gostar MUITO de obras com padrões estéticos diferenciados. Quem me conhece sabe que eu amo a saga JoJo justamente por esse motivo, bem como outros que estão no meu “top animes”, se é que posso dizer isso. Sonny Boy tem uma trilha sonora única, estética única e uma premissa também um pouco diferente do padrão oriental.

Enfim, se você deu uma olhadinha e estava na dúvida sobre assistir (ou não) Sonny Boy, essa rd3 é para você!

Sonny Boy visual oficial
  • Gênero: sci-fi, sobrenatural
  • Estúdio: Madhouse (uau!)
  • Material fonte: Original
  • Episódios: 12
  • Diretor: Shingo Natsume (One Punch Man, Space☆Dandy)
  • Novos episódios: Sexta
  • Página do anime na Cúpula e no MAL

Vamos fugir pra outro lugar, baby

A escola some. Quer dizer, sumir, SUMIR, é um termo muito forte. Na verdade, a gente pode dizer mesmo que 36 alunos de uma determinada escola são transportados a um lugar completamente desconhecido. Não há nada em volta, eles estão ilhados e não existe nenhum meio físico de se deixar aquela dimensão escura. Só existem eles e a estrutura da escola, em um imenso e assustador vazio.

escola no vazio sonny boy

Bem, JÁ AÍ Sonny Boy começa a brilhar. Mas já, Helena? Pois é. Diga-me, qual seria a reação de adolescentes em animes (normalmente) caso houvesse uma situação dessas? Se você não consegue imaginar, vou descrever:

-Oh, não! O que vamos fazer? - fala a menina fofa de cabelos curtos, olhando com esperança para o chefe do harém.
-Não se preocupe, eu estou aqui. - fala o personagem que é uma versão remasterizada do Kirito, enquanto abraça a menina fofa de cabelos curtos. 
-PERVERTIDO! Tira a mão dela! - outra menina de cabelos longos e pretos afasta o chefe do harém, ficando vermelha. 
Daí se segue um slice of life com harém. Nada se resolve. Fim.

Gostou? Adoro minhas fanfics.

Meu ponto é o seguinte: quando uma situação caótica acontece, os personagens em Sonny Boy agem como HUMANOS de verdade. E, como se não pudesse piorar, temos ainda um fatídico catalisador de problemas: esses adolescentes começam a ganhar poderes sobrenaturais nesse mundo solitário. É nada mais, nada menos que o começo de uma nova civilização. E, uau, como eu adoro esses debates morais!

A sutileza do início de Sonny Boy

O que você, leitor (VOCÊ AÍ MESMO!) faria se estivesse num mundo completamente novo, e possuísse poderes sobrenaturais? Talvez você não saiba exatamente, e provavelmente irá dizer que depende do poder que irá ganhar. Eu concordo, também não sei muito bem o que faria. No entanto, isso já é uma discussão severa entre diversos autores de filosofia (e da minha área, o direito).

Sendo um pouco técnica, e um pouco chata, mas trazendo parte da minha vida cotidiana à minha análise, posso dizer que talvez isso seja inovador, ainda que “velho”. Tratar de estruturas de poder em um mundo que recomece de um ponto zero sempre foi objeto de estudo de muitas pessoas.

Você já deve ter ouvido falar dos precursores, os chamados “contratualistas”, que redigiram livros acerca do início da formação do Estado como detentor de poder.

Eles discutem sobre liberdade, selvageria, autodeterminação, conquista do próprio espaço e competição. E tudo isso é desenhado muito claramente nesses primeiros episódios: assim que um novo mundo é construído, a chance de tomar o poder e tê-lo em suas mãos irá parecer atraente a muitas pessoas. E, logicamente, disso surgiriam embates fervorosos.

Ainda não sei, sinceramente, se os poderes são literais ou metafóricos. Acho que, de qualquer maneira, não entenderia isso com três episódios, mas já é motivo suficiente para continuar assistindo. Temos embates sociais em escala micro, que tomam proporções macro, como a exclusão social, sendo tratados com muita perspicácia e suavidade.

Plot-driven ou character-driven?

Se você não conhece os termos, vamos a uma rápida e leiga explicação: temos uma obra plot-driven quando ela foca no enredo, especificamente. Ou seja, foca mais nos ATOS, nos acontecimentos, no decorrer da obra ao longo do tempo.

Character-driven, por outro lado, foca mais nos personagens, nos seus sentimentos e pensamentos. Tivemos, recentemente, um cast em que nos perguntávamos se a história era mais focada no enredo ou nos personagens, que foi a de Vivy.

Nem sempre é fácil distinguir, e, frequentemente, autores podem misturar os dois estilos, ora focando em seus personagens, ora aprofundando seu enredo. Por não saber exatamente do que se trata (ainda), tenho dificuldades em distinguir. Mas podemos ver que alguns personagens recebem mais atenção do que outros, e é aí que entra o protagonismo de Nagara e Nozomi.

Com personalidades opostas, eles giram a trama de cabeça para baixo logo no primeiro episódio, e começam a suscitar situações que geram ainda mais perguntas. Por que eles estão ilhados? Por que todos têm poderes? Como eles ainda possuem internet? Por que ninguém consegue sair? Por que ninguém conseguiu achá-los?

E, apesar de apostar minhas fichas em uma história voltada ao enredo, não desconsidero que talvez seja uma jornada metafórica para os personagens. Em ambos os casos, se bem feito, seria incrível.

Nozomi, especificamente, parece um raio de sol que contrasta com o resto dos personagens. Até mesmo seus olhos são mais vivos e maiores, e recebem alguns takes de cena privilegiados. Claro que, com tantos personagens, estamos conhecendo todos aos poucos, e o terceiro episódio já redireciona a cena para a Mizuho, que também é cheia de personalidade.

mizuho

Fala aí, vale a pena ver Sonny Boy?

Nem precisa pensar duas vezes. Se for para decidir só pelos três primeiros episódios, vai nessa. É um anime super único, com um potencial gigantesco. Mistura elementos 2D com rotoscopia (técnica de animação que eu, pessoalmente, pago muito pau), e te imerge em um primeiro episódio super tenso em ausência de trilha sonora, só para depois te jogar toda a informação junto com uma música braba.

Posso errar? Até posso. Sonny Boy é arriscado, porque 12 episódios para uma premissa tão grande como essa podem ser poucos. Sempre existe um risco, na verdade, em se construir uma narrativa com muitas perguntas que podem não ter respostas depois. Todavia, aposto minhas fichas na Madhouse e no diretor Shingo Natsume, que já tem história.

Com uma staff poderosa como a que Sonny Boy tem, acho que você seria bobão (ou bobona) se deixasse passar. Se você não for muito a fundo nas metáforas, só curte o mistério e se deixe levar nessa aventura de adolescentes que querem voltar ao mundo normal.

Mas, claro, todas essas metáforas poderiam, inclusive, nos levar a um ponto de convergência, como a possibilidade de um mundo em simulação. Para quem já viu Matrix (1999) ou O Show de Truman (1998), fica a dúvida no ar. Tudo o que estamos vendo é real?

Eu realmente tinha MUITO mais coisas para falar, e poderia escrever um textão depois desses três incríveis episódios, mas vou deixar que vocês façam isso por mim. Deixem aqui embaixo o que acharam de Sonny Boy! Até logo, vejo vocês em um próximo mundo.

Escrito por

Helena Nunes

Estudante desesperada

Revisora textual | Cantora de chuveiro

Campos - RJ

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