Análise

Akudama Drive é bom? Vale a pena ver o anime?| Crítica

Um cyberpunk muito louco, lutas incríveis e protagonismo de vilões: Akudama Drive é de tirar o fôlego!
14 minutos para leitura
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Akudama Drive foi um dos queridinhos escolhidos para nossas últimas escolhas trovejantes de 2020, e também teve uma Rd3 feita pelo André. Devo citar aqui também algumas das coisas que ele falou, porque também foram pontos que me chamaram a atenção, mas não posso deixar de lado os spoilers.

Portanto, se você ainda não assistiu a Akudama Drive, leia nossa Rd3 e assista, depois volte a essa crítica. Inicialmente, cabe a mim falar: é conveniente, e muito. Não que isso seja exatamente um problema, porque, ignorando o roteiro, Akudama Drive é quase impecável.

Portanto, se você prefere histórias muito bem elaboradas; que tenham construção de mundo pensada de maneira milimétrica; ou desenvolvimento completo de todos os personagens, você não vai gostar. O que não significa que não seja bom.

Não pude dizer que não é bonito ou divertido. Akudama Drive é realmente LINDO, e tem uma animação digna do seu título de escolha trovejante. Sem mais delongas, vou explicar do que, exatamente, o título se trata.

Sinopse desciclopédica de Akudama Drive

Um monte de carro voando, tudo colorido demais, luz pra caramba, gente para tudo quanto é lado, barreiras invisíveis na calçada, todo mundo usando Pix e uma protagonista que a gente encontra facilmente na multidão.

E ela, depois de salvar um gato, come um takoyaki. Tenta devolver 500 ienes pro Sasuke de motoca (de acordo com o André), e NÃO consegue, porque ele não quer. Após isso, ela não paga o que deveria pagar. Com a confusão na delegacia (o que eu suponho ser), ela se envolve com um pessoal que mata até idoso chamado Akudama.

Portanto, por um erro ridículo, ela é a nova “Golpista” do grupo dos Akudama, criminosos perigosíssimos procurados pelo governo de Kansai. Alguns anos atrás, Kansai e Kanto tiveram algum tipo de guerra, que separou o país nesses dois lados. Só que Kansai é onde estamos agora, no começo, com os Akudama quebrando tudo.

Além disso, temos um gato-robô falante. Temos também uma médica que pode costurar braços inteiros cortados, veias, artérias e o que mais você quiser. Temos um homem que tem força suficiente para segurar um ônibus inteiro, e uma motoca absurda que sobrevive a qualquer tipo de explosão, igual barata. Já deu para entender, não é? Larga a lógica e assiste à porradaria gratuita, porque é bom.

Ah, com censura. Já aviso, se isso te incomoda. Não me incomoda muito, mas tem BASTANTE.

E, claro, estou criticando isto aqui porque é o meu papel, mas não significa que eu não tenha gostado de Akudama Drive; muito pelo contrário, eu me diverti bastante, diferentemente de outros animes que saíram nesta última temporada de 2020. Então, deixando isso de lado, vamos falar dos pontos positivos!

É um show de cores!

Apesar de o Degolador falar “vermelho, vermelho, vermelho” várias vezes, e a gente achar insano, ele até que está certo. A paleta de Akudama Drive é cheia de misturas de cores quentes e frias, como azul, roxo, vermelho e amarelo. É incomum vermos um anime com uma paleta tão bem trabalhada, e cada segundo é prazeroso demais de assistir!

A animação, as cores, os olhos, as luzes; que trabalho! Tenho certeza que o Studio Pierrot deve ter colocado um monte de estagiário para trabalhar nesse anime original (original mesmo, já que não veio de nenhuma fonte como mangá ou light novel), e, de fato, deu super certo.

Uma das cenas que mais gostei foi a da luta de um dos Executores com o Akudama pugilista, e a chuva era tão bonita, e a luta tão bem animada, que eu precisei voltar várias vezes para rever a cena! Acontece no episódio 6, para quem não viu ainda e está lendo o artigo mesmo com o aviso de spoiler.

Sem contar, também, com um ponto muito importante da parte visual: a montagem do cenário em blocos, que o André também comentou na Rd3. Também achei muito diferenciada, e não me lembro de ter visto isso antes: cada parte do cenário vai “caindo” (junto com o som, o que é importante) para formar um novo cenário, fazendo uma transição suave entre as cenas.

A tendência mundial atual: protagonistas vilões

Eles chamam atenção, e isso é um fato: Light Yagami, em Death Note; os ladrões de gente rica em Great Pretender; Lelouch, em Code Geass; e, finalmente, mas não menos importante, nossos fugitivos em Akudama Drive, como exemplo. Creio eu, opinião pessoal, de que há uma tendência em mostrar “o outro lado da história” de uns tempos para cá.

Inclusive, já fizemos também um cast sobre vilões! Se você ainda não ouviu, vai lá depois.

Isso não é somente nos animes, já que há alguns filmes também, como o “Parasita“, de 2019, dirigido pelo Bong Joon-ho e “Joker“, do Todd Phillips. Todos estão cansados do Super-homem, porque a história já está batida.

executores em akudama drive
Uma pena para os executores, que só querem fazer seu trabalho

E por que você acha isso, Helena?

Queremos ver os vilões, não por causa de sua maldade, mas para compreender a causa dela. É, portanto, uma descoberta mental que abre espaços para desenvolver os personagens. Não há nada (nada mesmo) de errado com um bom protagonista, que queira o bem de todo mundo e aja com retidão e justiça o tempo todo.

Entretanto, sabemos como a fórmula vilanesca faz sucesso pela jornada a que somos submetidos ao acompanhar os protagonistas vilões. É, também, uma jornada de descobrir, pouco a pouco, as camadas de cada um. Há o bem no mal, e o mal no bem: ying-yang (yo)!

Acredito, contudo, que havia mais espaço para o desenvolvimento de cada um, mas também entendo ser difícil, em 12 episódios, realizar isso com exatidão enquanto se desenvolve uma fuga e uma guerra aos Akudama.

Tivemos, todavia, um avanço em relação à personagem principal (Golpista), que assume o seu papel enquanto Akudama e luta para proteger aquilo que acredita ser correto, ainda que seja agora uma criminosa. Ela inclusive mata, com as próprias mãos, o Degolador, que foi um entrave à salvação dos irmãos e fuga dela e do Mensageiro (Sasuke motoqueiro).

fases da golpista em akudama drive

Os demais personagens não recebem a devida atenção, mas também é possível compreender que todos têm seus motivos para estar ali. E isso é que nos prende: entender suas expectativas e acompanhar sua misteriosa jornada. Para os caras maus, o “felizes para sempre” é bem duvidoso, e a dúvida estimula o espectador.

Mas o que foi esse episódio 11 de Akudama Drive?

suspendemos a descrença e já entendemos que o anime não carrega nenhum tipo de lógica. No entanto, que viajada que o episódio onze deu! Ainda estou tentando deglutir, e não sei se vejo muito como algo positivo. SUPER ALERTA DE SPOILER aqui. You shall not pass.

Já falamos sobre a guerra entre Kansai e Kanto. Nesse ponto, também já sabemos que a lua está destruída e que criaram os irmãos para serem imortais. No entanto, com a partida do Shinkansen, o trem para Kanto, descobrimos o ponto mais importante: Kanto foi guardada em um supercomputador quântico.

Talvez seja preconceito meu, mas sempre que ouço a palavra “quântico”, reviro os olhos. De todo modo, criaram as crianças para alimentar isso, que guarda todas as informações de tudo em Kanto, que, fisicamente, está destruída. Ela existe virtualmente, no entanto.

Até aí tudo bem, apesar do meu preconceito. Com isso, o hacker aparece dizendo que fez umas modificações lá no computador quântico e abre uma passagem para que eles possam salvar as crianças de serem utilizadas como experimento eterno para alimentar o supercomputador. Enquanto isso, a Golpista tenta alcançar as crianças do lado de fora.

olhos da golpista

Com isso, as “almas” das crianças presas no amuleto que o irmão carregava aparecem no meio virtual, ajudando o hacker a alcançá-los.

Já deu para entender, certo? Bem viajado. Eu não esperava algo com lógica, de certo. Mas este foi BEM viajado. Uma jogada arriscada já no penúltimo episódio. Foi bonito, mas não muito condizente com a emoção dos primeiros episódios. Seria possível roteirizar diversos outros caminhos que captassem o coração dos espectadores.

Pareceu um pouco pensado de última hora, sem muito cuidado, como que subestimando a capacidade de quem vê. Talvez você não concorde comigo, mas esse episódio tinha um potencial incrível que foi desperdiçado.

Enfim, Akudama Drive terminou bem?

O décimo segundo episódio foi ABSURDAMENTE INCRÍVEL! Todos os pontos positivos de Akudama Drive são retomados na reta final, e apagam quase que por completo os erros do décimo primeiro: cenários maravilhosos, animação fluida, cores exuberantes, emoção e questionamento sobre o caráter dos Akudama e dos Executores, uma direção fantástica.

criança questionando executora sobre a morte de sua mãe

Ele coloca à prova o que já falei acima: quem são, de fato, os Akudama? Quem é que comete crimes? Quem decide isto? O que é certo, o que é errado? E, de alguma maneira ou de outra, nossos protagonistas completam a sua missão.

Para a minha satisfação, a lógica foi imperante desta vez – o sacrifício de uns resulta em uma consequência para outros. O sacrifício de uma humana comum, afetada pelo destino cruel em uma decisão que mudaria toda a sua vida, tocaria também os diversos humanos considerados como Akudama por uma “polícia” intransigente e salvaria duas crianças fadadas à imortalidade.

crianças fugindo sob a luz da lua em akudama

Estas dicotomias, de fato, são extremamente emocionantes. Os cidadãos, juntos, declarando aqueles que antes eram protetores da justiça, como agora criminosos a serem odiados, causa arrepios (bons). Akudama Drive fechou com chave de ouro.

Novamente, parabéns à construção da nossa Golpista, que não desistiu de lutar até o final, calculando a consequência de suas ações. Uma personagem feminina que, com certeza, entrará para meu rol de favoritismo.

Finalizando a crítica deste anime cyberpunk muito louco

Sem dúvidas, Akudama Drive vale a pena. Claro, deixei minhas críticas acima, mas eu com certeza recomendaria. Principalmente para pessoas que estão adentrando o mundo dos animes e curtem a temática cyberpunk.

Gosto da discussão sutil que ela traz, e, de fato, é esteticamente mais do que satisfatório. Para os originais de 2020, o show que Akudama Drive deu foi de matar! (hehe)

Escrito por

Helena Nunes

Estudante desesperada

Revisora textual | Cantora de chuveiro

Campos - RJ

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