Análise

Nanatsu no Taizai: Prisoners of the Sky é bom? Vale a pena ver o filme? | Crítica

Prisoners of the Sky é muito, mas muito inferior ao anime de Nanatsu no Taizai
18 minutos para leitura
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Em agosto de 2018, saiu o primeiro filme da franquia Nanatsu, intitulado “Nanatsu no Taizai: Tenkuu no Torawarebito” (Nanatsu no Taizai: Prisoners of the Sky). O longa estreou nos cinemas japoneses, porém só chegou na plataforma ocidental de streaming cerca de 4 meses depois, no final de dezembro. 

Ainda em 2018, a Netflix divulgou um infográfico sobre suas séries mais maratonadas. O gráfico mostrou que a série de Nanatsu obteve a 1º posição no top 20 de “as séries preferidas pelos supermaratonistas brasileiros”. Ou seja, a série é forte e muito assistida!

Nanatsu no Taizai: Prisoners of the Sky (sim, misturei as linguás porque sim) se passa em um período um pouco após os acontecimentos da segunda temporada do anime (ou durante, a narrativa não foi tão clara assim rs).

Vale ressaltar que o longa não é canônico. Ou seja, ele funcionou basicamente como funciona a maioria dos filmes de franquias como One Piece, Bleach ou Naruto. Um fillerzão daqueles. Já comentei sobre isso na minha análise de My Hero Academia: Two Heroes.

Evidentemente seria estupidez criticar a escolha da direção em fazer um filme não-canônico. Afinal, filmes de animes renomados geralmente são feitos para elevar a popularidade do anime. Além de, claro, adaptá-lo para uma incrível e diferente mídia: o cinema

O diretor, Noriyuki Abe, tem uma longa carreira dirigindo filmes de anime. Dirigiu filmes de grandes séries, como Yu Yu Hakusho e Bleach. O roteirista, Nakaba Suzuki, é o próprio mangaká criador da série.

Mesmo em posse de hábeis mãos, infelizmente, Nanatsu no Taizai: Tenkuu no Torawarebito peca em vários dos aspectos que um filme deveria ter para ser um “filme memorável”. Ou até mesmo um filme “ok”. Tentarei explicar o porquê neste review.

Vem comigo!

Antes, uma breve contextualização

A história introduz o “Palácio do Céu”, que é uma ilha flutuante localizada no meio das nuvens que é habitada por descendentes do clã das deusas. 

Apesar de terem um certo grau de parentesco com o estimado clã divino, os habitantes não são nada divinos. Eles pareciam ser só uns camponeses humanos com umas asinhas, nada mais. 

O palácio do céu, de Nanatsu no Taizai Prisioners of the Sky
“Pelo menos a vista é bonita”

O Palácio existe com o propósito de fazer a guarda de um misterioso ovo gigantesco, onde se encontram muitos demônios selados. Estes demônios participaram da grande Guerra Santa que ocorreu cerca de 3000 anos antes dos acontecimentos do tempo do anime e do filme de Nanatsu. 

Além dos clássicos demônios avermelhados gordos e os cinzentos magrelos, no grande ovo estão selados também os demônios conhecidos como “Os Seis Cavaleiros Negros”. 

Esses demônios “de elite” foram rebeldes da guerra. Eles fugiram do campo de batalha no passado, durante a Guerra Santa. Contudo, foram selados pelo “grande Oshiro”, o adorado deus do povo do céu. 

De acordo com o pecado da gula, Merlin, haviam boatos dizendo que os Cavaleiros Negros eram quase tão poderosos quanto “Os Dez Mandamentos”.

Tal comentário indicou que o filme entregaria algum tipo de dificuldade aos nossos queridos protagonistas, os Sete Pecados Capitais. Não aconteceu, óbvio. 

A premissa de Nanatsu no Taizai: Prisioners of the Sky

Ao longo do filme, a anciã do povo do céu explica a Hawk que existe uma profecia que diz que o selo dos demônios está prestes e ceder. Logo, os terríveis Cavaleiros Negros estariam a solta novamente. 

Deus Oshiro de Nanatsu no Taizai Prisioners of the Sky
“O grande Oshiro é o Hawk?”

Soraad, o herdeiro das responsabilidades do guerreiro chefe da tribo do povo do céu, está tentando fugir para a Terra para procurar Oshiro, pois só ele poderia derrotar novamente os demônios que em breve estariam livres do selo.

Enquanto isso, na Terra, Meliodas e Hawk estavam à procura de um peixe celestial para preparar e servir na janta de aniversário de Bartra.

Enquanto procuravam pelo peixe, o capitão e o porquinho mergulham em um poço que aparentemente era um portal (?) e são teletransportados para a ilha do céu, trocando de lugar com Soraad.

A partir daí uma sucessão de acontecimentos previsíveis e clichés tomam conta do filme. Como esperado, o “climáx” (entre aspas mesmo, porque olha…) do filme se resumiu nos Sete Pecados Capitais indo até a ilha do céu e dando uma surra nos Seis Cavaleiros Negros.

Os clones desnecessários

Os Sete Pecados capitais são quem acabam por resolver os problemas e derrotam todos os inimigos. Eles atuam exatamente como atuam no anime, então não vou perder tempo falando deles por aqui.

Voltando ao longa, Soraad é um personagem até que bem-intencionado e valente, porém muito fraco. Fisicamente falando, ele é incomparável a quase qualquer outro personagem do elenco.

Ele é filho do guerreiro chefe, Zoria, e forma casal com uma personagem feminina também habitante da ilha do céu, Ellatte.

Ellatte, por sua vez, é uma garota muito corajosa e com um forte senso de responsabilidade. Também não apresenta características fortes para combate, sendo assim só mais uma donzela em perigo, igual o Soraad (rs). 

Eu não teria nada contra esses personagens. Suas convicções fazem sentido e suas personalidades até que são carismáticas. Além disso, ambos tiveram funcionalidades bem “ok” para desenvolver a trama do filme. 

Entretanto, algum ser humaninho participante da equipe de produção do filme teve uma “brilhante” ideia. Fazer Soraad e Ellatte terem aparências idênticas a de Meliodas e Elizabeth! Sem absolutamente nenhum motivo. 

Não há explicação alguma no filme para este fato (a decepção começou por aqui). Achei que até o final do filme explicariam. Não aconteceu, novamente.

Meliodas e Elizabeth juntos de Soraad e Elliate
“Na boa, precisava disso?”

O irritante mal-entendido

Não bastasse o gigantesco cliché de personagens idênticos sem uma boa razão, sabe aquele outro cliché, aquele que envolve mal-entendidos onde o indivíduo tenta o tempo inteiro dizer aos outros que o rodeiam que estão enganados, pois ele não é quem eles pensam que ele é? 

Os primeiros 30 minutos (ou mais) de Prisoners of the Sky se desenvolvem em cima da confusão entre os personagens Meliodas e Soraad. Foi de embrulhar o estômago de tão maçante e cliché.

O paizão

Zoria, o pai da sósia de Elizabeth, fez o papel da figura clássica de pai-que-não-escuta-o-filho-nem-a-pau, e continua tratando o impostor (nesse caso Meliodas) como seu legítimo filho, mesmo que ele mostre sua incrível força ou fale o tempo inteiro coisas como: cara, eu não sou o seu filho! 

Posteriormente, o guerreiro chefe também serviu para o uso de uma tentativa completamente falha de climáx. Um dos demônios de elite o fere gravemente, mas em uns, sei lá, 30 segundos depois ele já está curado e de pé. Para que enfiar a droga da espada no peito do cara então? 

Foi quase a cena em Como Treinar Seu Dragão 2, quando matam Stoico, o pai de Soluço. A diferença é que no longa da DreamWorks, realmente existe um drama tocante e o personagem de fato morre, causando um forte impacto na audiência.

Pelo menos Zoria realiza bem seu papel de guerreiro chefe e como empunhador da Espada Alada, um artefato deixado pelo clã das deusas para combater os Seis Cavaleiros Negros. Isso quase ofuscou sua falha como pai e de um climáx sem graça. 

Paizão do ano, Zoria, de Nanatsu no Taizai Tenkuu no Tenryuubito
“Não percebeu que não é seu filho também, né paizão”

Os Seis Cavaleiros Anti-Hype das Trevas

A ideia de trabalhar em cima do clã demoníaco não foi ruim. Na história principal do anime, sempre foi dito que tal clã era muito numeroso e poderoso na antiguidade. Sendo assim, seria fácil de engolir a aparição de um novo grupo de demônios que até então não fora mencionado.

Entretanto, não fez sentido eles terem pertencido ao antigo exército dos demônios. Por que? Pois ao verem Meliodas, não o reconhecem, mesmo que ele tenha sido o antigo cruel líder do exército – além de ser o filho primogênito do rei demônio. O protagonista é basicamente uma celebridade.

Caso Meliodas tivesse uma aparência diferente no passado, até daria para entender a falta de reconhecimento por parte dos Cavaleiros Negros. Todavia, o próprio anime já mostrou que nosso herói é igual desde que recebeu sua maldição. 

Não bastando o fato de os Seis Cavaleiros Negros serem muito desinformados quanto a seus superiores passados e os clichés forçados já mencionados neste review, outro aspecto realmente broxante do plot é a falta de profundidade dos inimigos.

A ausência de desenvolvimento dos vilões e a total falta de carisma dos mesmos é notável. Eles são propriamente apresentados somente no ato final do filme, dando aquele ar de “vilões mal trabalhados” (só o Bellion teve um pouco de profundidade, mas bem meia boca também). 

Foi como a Kaguya no arco final de Naruto. Foi introduzida do nada, com objetivo de ser uma aparição incrível e surpreendente, mas por ser uma personagem nunca antes mencionado no anime, a recepção pelo público foi mais do tipo “quem é essa mulher e porque o Madara não é o boss final?”.

Os 5 cavaleiros negros do filme de nanatsu, porque 1 sumiu
“Sim, só 5 dos 6 saíram na foto, porque nessa hora um já tinha sido humilhantemente derrotado”

Uma trama sem drama

Um filme geralmente conta uma história isolada. A não ser que ele termine em aberto para ter uma continuação, ou que ele mesmo seja a continuação de um outro filme ou de uma série.

Ou seja, durante Nanatsu no Taizai: Prisoners of the Sky inteiro foi dito que os Cavaleiros Negros eram muito poderosos e seria o caos total se eles fossem libertos de seu aprisionamento (e essa seria a história isolada).

O longa tentou construir uma certa moral para os inimigos, com intuíto de fortificar a profecia sobre os vilões. Contudo, não foi bem-sucedido por dois motivos: 

  • Eles não podiam fazer os Cavaleiros Negros serem mais fortes que os Dez Mandamentos. Isso não faria sentido nenhum dentro da mitologia das outras temporadas do anime;
  • A partir do momento que os oponentes dos Cavaleiros Negros são exclusivamente os Sete Pecados, automaticamente, eu e você já sabemos que vai dar tudo certo no final;

Qualquer filme não-canônico de anime deveria fazer o “feijão com arroz”. Tipo introduzir um personagem importante do núcleo de onde o plot do filme girará em torno. Nesse caso poderia ser facilmente a Ellatte ou qualquer personagem que teria uma morte impactante. Quem sabe, fazer com que os demônios a capturassem e fizessem de refém, por exemplo.

“Que cliché!”

Seria cliché? Bom, o filme inteiro já é. Ainda digo mais, a “maneira One Piece” que o filme trabalha, onde os heróis e inimigos se enfrentam um a um, cada Pecado contra um respectivo Cavaleiro Negro, resultou em combates extremamente fáceis para nossos heróis. Isso acabou diminuindo ainda mais o nível dos demônios (que deveriam ser um dos destaques do filme, já que a profecia toda girava em torno deles).

Tudo isso fez parte de outro ponto broxante do filme: constantes tentativas fracassadas de instalar um climáx de qualidade.

Gostaria eu de ser capaz de achar aquele desfecho interessante. A forma como o último demônio é derrotado foi extremamente sem graça.

Meliodas e Hawk, no filme de Nanatsu
“Meliodas procurando o climáx do filme”

Destaque merecido para os animadores

Sendo justo, o estúdio A-1 Pictures mostrou um nível bem acima da média quando falamos de animação. 

As cenas de batalha foram bem fluídas e muito gostosas de assistir. Fora que a ausência de computação gráfica quase em todo o filme me deixou com baita dum sorrisão na cara. Bem diferente de algumas cenas de Dragon Ball Super: Broly.

A trilha sonora me pareceu a mesma utilizada nas duas temporadas de Nanatsu no Taizai. Logo, como eu gosto muito desse tema meio que música de taverna-medieval com um toque mais animado, eu fiquei bem satisfeito.

Finalizando…

O filme manteve as características básicas das primeira e segunda temporada de Nanatsu no Taizai. Entretanto, ele acabou por deixar um teor de “faltou alguma coisa”.

Infelizmente, no caso de Nanatsu no Taizai: Prisoners of the Sky, para mim, pareceu mais um “faltou muita coisa”. 

O uso exorbitante de clichés, a falta de carisma dos vilões e a fracassada tentativa de entregar um climáx. Tudo isso me deixou com um grande sentimento de tristeza. Afinal, eu gosto da série principal de Nanatsu. 

A falta de contextualização da história do filme que fizesse sentido com a mitologia do universo da série principal me deixou bem decepcionado também. 

Com falta de contexto, quero dizer que não fez sentido toda aquela comoção para os Cavaleiros Negros estarem se libertando, já que eles eram tão fracos! 

“Mas os protagonistas não sabiam que eles eram fracos, André”. Isto faria menos sentido ainda! Afinal, a própria Merlin reconhece a existência deles, e existe uma lenda toda que os envolve.

Além disso, o Meliodas nem sabia que eles existiam (no máximo sabia de Bellion). 

Ainda, a ausência de explicação para o casal principal dos pecados terem “sósias” é bem tosca também. Tal fator só piorou o embrulho no estômago. A boa utilização da suspensão de descrença passou longe!

Impossível dar uma nota maior que a que eu dei. No final, os únicos pontos realmente positivos foram a animação e a trilha sonora.

No máximo, eu diria que o filme é um tira-saudade para aqueles que estão muito ansiosos para a eventual terceira temporada do anime. Só serviu para rever os queridos Sete Pecados Capitais, porque de resto não me agregou nada.

Parando por aqui, minha nota final para Nanatsu no Taizai: Prisoners of the Sky seria um merecidíssimo…

Nota
4.0

/10

Você discorda de algo que eu mencionei? Me chama aí nos comentários, vamos debater. Adoro debater!

EXTRAS

Bellion e Meliodas, lutando no filme de Nanatsu Prisioners of the Sky
“Quem chamou o Hendricksen pra festa? ”
Hawk Mama soltando fumaça pelo nariz
“Eu não poderia ter ficado mais decepcionado”

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Prolixo

Criciúma - SC

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