Análise

Reset (one-shot) é bom? Vale a pena ler o mangá? | Crítica

Até chega a ser interessante, porém Reset é fraco
11 minutos para a leitura
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Reset é mais uma obra do mangaká Tetsuya Tsutsui, o mesmo autor de Prophecy, que por sinal já escrevi uma análise sobre aqui na Cúpula. E foi justamente este mangá que me fez pesquisar demais trabalhos do Tetsuya para poder ler.

Em minhas pesquisas, acabei encontrando Reset. O mangá é um one-shot (volume único), com apenas seis capítulos. Estava muito empolgado para ler, afinal Prophecy foi uma grande obra escrita por ele, da qual tive uma ótima experiência. O problema é que Reset foi uma completa decepção.

Neste texto, irei tentar fazer uma análise geral deste mangá e elucidar para vocês o motivo da história ter me desagradado. Não diria bastante, porém não atendeu às minhas expectativas.

Reset é promissor por uma perspectiva externa

Vocês já passaram por aquela situação em que leem uma sinopse perdida pela internet, sem pretensão nenhuma, mas ela aparenta ser tão interessante que dão uma chance para a história?! Foi basicamente isto que me ocorreu com Reset.

O grande diferencial deste exemplo elencado acima foi que eu já conhecia o mangaká e pesquisei deliberadamente sobre demais obras do mesmo. A síntese abordada pelo site do qual comumente leio mangás foi muito impactante.

mangá reset dystopia

Como de praxe, Tetsuya trabalhou, mais uma vez, com elementos cibernéticos (quem leu a análise de Prophecy vai pegar essa referência). Acredito que por este motivo, me senti motivado a ler e a entender melhor como ele desenvolveria este enredo.

Pela sinopse do mangá, tudo parece valer a pena e ser imersivo e empolgante. No entanto, não foi exatamente o que se sucedeu.

Mas por se tratar de um one-shot, eu tenho ciência das limitações da obra e do quanto ela pode ser rasa, como foi o caso com a recentemente lançada de Death Note. Ainda assim, poderia ter sido melhor, talvez.

Dystopia, the game

A grande premissa do mangá foca em um jogo virtual chamado Dystopia. A grande problemática está em como esse jogo interfere diretamente na vida real. Por algum motivo, Dystopia faz com que seus jogadores cometam suicídio. E isso tem acontecido de forma cada vez mais comum.

Para dar fim nisso, um hacker surge para tentar entender a motivação dessas mortes, quem está por trás do jogo e como ele pode intervir nesse trâmite. A história, como mencionado anteriormente, possuía potencial.

new game dystopia

Mas quando vamos mais a fundo na história e chegamos ao final, vemos que poderia ter sido, talvez, melhor desenvolvida. Mas vamos por partes, até chegarmos a esse fatídico final.

Antes da morte de cada personagem, uma mensagem gigantesca aparece para os jogadores, algo como “você fracassou na vida, reinicie.” E após isto, as pessoas se matavam. Ademais, sempre questionavam-se sobre “a resposta”. Qual era a resposta para tudo aquilo.

mensagem de aviso dystopia reset

Conhecendo melhor o hacker e a protagonista apagada em Reset

Shunsuke Kitajima, esse é o nome do cara. Shunsuke é um ex-hacker que, após cometer um crime e violar as regras dentro da internet, foi pego pela polícia e, desde então, passou a trabalhar para o governo como uma espécie de “serviço obrigatório para compensar o erro”.

Ele trabalha exclusivamente dentro de Dystopia, analisando os mais variáveis casos que ocorrem ali dentro, na intenção de encontrar qualquer algoritmo que denote o motivo de todos os incidentes que ocorrem dentro daquele jogo.

protagonista da série reset

Mas ele não é o centro das atenções. Hitomi Shinohara, uma mulher dona de casa, também “rouba” a cena nesta história. Ele vive uma vida normal, o que é motivo de tristeza para ela. O que não me agradou muito nesta personagem é que ela não tem noção nenhuma de nada que acontece ali.

A todo momento nota-se que ela está dispersa quanto ao mundo. Sua única preocupação é em como ela sente que está perdendo a vida dela aos poucos, não aproveitando nada. E para piorar, ela acaba adentrando o mundo de Dystopia.

personagem feminina reset jogo dystopia

Considerei Hitome mais como uma personagem para um desenvolver da trama do que alguém realmente influente e que faça uma diferença ali dentro. Mas não é de toda mal, afinal ela acaba dando um seguimento para os eventos da história.

Mas sabem qual é o grande objetivo de Dystopia? Afinal, todo grande jogo possui um direcionamento. O de Dystopia era encontrar a morte das mais variáveis maneiras. Exatamente. Um jogo onde se matar era o objetivo. E talvez a partir disto, vocês já podem ter uma noção do porquê das mortes.

Dystopia, uma alusão à Matrix

Lembram-se que eu mencionei sobre a frase que aparece para os jogadores momentos antes deles se matarem? Aquela frase, após análise minuciosa de Shunsuke, o hacker, ele percebeu que havia uma outra mensagem subliminar: “MORRA”.

Dystopia era uma cópia idêntica do mundo real, no qual, as vezes, era possível se perder entre as realidades. Discernir o real do imaginário, após adentrar no universo de Dystopia, era quase como tentar encontrar uma agulha no palheiro.

No início do texto, mencionei sobre os personagens procurarem por uma resposta. Mas qual era a pergunta? A pergunta era: “o que é de fato real?”

matrix elenco do filme

Como Dystopia tratava-se de um jogo idêntico ao cenário da vida real, onde o céu era o limite e os jogadores poderia morrer quantas vezes quisessem e imaginar n formas de suicídio, por esse motivo as pessoas acabavam confundindo as realidades, com ajuda também da mensagem subliminar, e morriam não no jogo, mas na vida real.

Claramente pode-se perceber uma notável referência ao filme Matrix, de 1999, distribuído pela Warner Bros. Pictures. O filme trata exatamente sobre questões do real e do irreal. Aquilo que se pode e não pode ser. Dystopia se baseou nessa premissa e apresentou um mundo de opções.

A motivação para tudo isto em Dystopia

Talvez vocês estejam se perguntando agora nesse momento: “mas quem foi a pessoa que arquitetou tudo isto e por qual motivo?” A resposta para isto vem a seguir.

Há muito tempo, uma construção estava em desenvolvimento, e visando reduzir os impostos nesta construção, algumas medidas precisavam ser adotadas. No entanto, Masako Yano, o zelador que morava ali, negava-se a cooperar com o projeto.

cena página mangá reset

Em um determinado dia, por estresse da falta de colaboração do homem, atearam fogo em sua casa. A residência simplesmente foi reduzida à cinzas e Yano teve 80% de seu corpo queimado. Mais tarde, Yano viria a se tornar GM, o criador e mestre de Dystopia.

Agora, dá para entender o porquê do jogo ser o que é e fazer as coisas que faz. Tudo gerado a partir de um grande ódio e ressentimento.

O “grande” desfecho

Essa com certeza foi a grande decepção. Após Shunsuke analisar por muito e perceber quem era de fato GM e como pará-lo, é justamente isto que ele faz. O mangá mostra que ele percebeu como detê-lo, mas é somente isto. Não mostra o que foi que ele descobriu.

De uma cena para outra, somos levados ao hacker destruindo totalmente o grande vilão da história. E mais uma vez reitero, tudo bem que é um one-shot e não há como trabalhar tanto os quesitos históricos da obra, mas poderia pelo menos ter discriminado a artimanha do vilão.

Definitivamente, não fez tão bem quanto Boichi, em Hotel: Since A.D.2079.

Parte técnica do mangá

Como já conhecia Tetsuya por outra obra, já estava mais ou menos habituado com seu modo de trabalhar. Em relação aos diálogos, Reset apresentou-os na medida. Algumas páginas com mais, outras com menos.

O que me incomodou um pouco, todavia nem tanto, foram os traços. Claramente denotam uma demografia seinen, mas parecem ter sido feitos às pressas. Não sou muito de ligar para esses quesitos estéticos, mas também não posso dizer que não os note.

O modo da história se desenrolar também não é dos melhores, uma vez que não prende o leitor naquilo que está sendo transmitido. Reset seria mais aquilo de começar e terminar logo só porque é curto, não envolvente. Nem parecia uma obra do mesmo autor de Prophecy. Por isso a desilusão.

personagem da polícia em reset

Finalizando…

Claro que não é a obra dos sonhos, também não é a pior já escrita no mundo. Eu só a li porque tive grandes expectativas, já que se tratava de um mangaká que escreveu uma obra que eu havia lido anteriormente e achado incrível. Porém, nem tudo são flores.

Ao final do mangá, é deixado uma grande mensagem de reflexão, mesmo após toda aquela “distopia” (entenderam o sarcasmo?). A mensagem dizia que, parafraseando, não importa quantas vezes erre, há sempre uma chance de recomeçar, um trocadilho com o nome do mangá: “Reset”.

Em suma, é uma obra interessante e que talvez valha a pena ser conferida. Bem talvez.

Nota
5.0

/10

Não é um mangá muito entusiasta, mas no fim é uma daquelas boas leituras para se passar o tempo e conhecer autores novos.

Escrito por

Welerson Silva

Quase Jornalista e Escritor

Youtuber | Escrita cabeçuda

Brasília - DF

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