Em nossas RegrasDe3, os autores assistem os 3 primeiros episódios de um anime novo lançado na respectiva temporada. Após isso, eles escrevem uma análise sobre esse começo da obra, sendo uma espécie de primeiras impressões. Fique atento: a RegraDe3 é uma visão baseada APENAS nesses 3 primeiros episódios, NÃO sobre o anime inteiro.

Blue Period veio chegando com aquela carinha de quem não iria dar em nada. Afinal, a gente sabe que animes muito fora do convencional normalmente não angariam fãs. E, quando tratamos de um anime que fala sobre arte, eu achei que fosse permanecer na bolha de quem curte animes.

Temos outros exemplos (de artes em geral): Arte, Barakamon, ou até mesmo meu favoritinho Kageki Shoujo. Todos são muito bons, mas acabam sendo “deixados de lado” pelo grande público simplesmente porque não têm boa projeção.

No entanto, para a minha surpresa, Blue Period está sendo veiculado pela Netflix, e ganhou proporções inimagináveis, ganhando milhares de tweets. Todos os dias eu me impressiono com o quanto a Netflix consegue projetar obras, sejam elas ruins ou boas, em qualquer que seja o ponto de vista.

Então, depois dessa projeção, acabou que Blue Period se tornou extremamente esperado até mesmo por pessoas de fora da bolha, e deixou muita gente ansiosa para a estreia. No momento em que escrevo essas primeiras impressões, o primeiro episódio já saiu na Netflix, um pouco atrasado em relação à estreia em terras japonesas.

E aí, dá para surfar no hype do período azul? Ou é só hype sem fundamento, mesmo? Segue nessas primeiras impressões e eu te conto a minha visão.

desenho mori-san
  • Gênero: Drama, Slice of Life
  • Estúdio: Seven Arcs
  • Material: Mangá
  • Episódios: Desconhecido
  • Novos episódios: Sábado
  • Página do anime na Cúpula e no MAL

Do que se trata a história de Blue Period?

Primeiramente, gostaria de falar que eu nunca pego sinopses de fora; as minhas sinopses são minhas, então tudo que vai ser explicado aqui, será do meu jeito.

Blue Period é a história de um adolescente segundanista chamado Yatora Yaguchi, que, aparentemente, é um delinquente. Quero dizer, nada na aparência dele me chamou muito a atenção para considerá-lo um delinquente, mas é o que eles dizem que ele é (então ele é).

Yaguchi blue period

Yaguchi aparece em algumas cenas bebendo com os seus amigos, fumando e fazendo coisas que delinquentes fazem. Mas, então, algo o chama atenção no raiar do dia – a cidade parecia azul. E em um trabalho de artes da escola, Yaguchi tenta transpor o azul que vira naquela manhã para o papel, descobrindo o que queria para a sua vida.

Bem, nós temos alguns encaminhamentos possíveis de roteiro a essa história sobre a arte, e vou aqui citar aqueles que normalmente ocorrem:

  • 1. Drama: Focamos nas dificuldades do protagonista em se descobrir como artista e em suas dualidades no percurso. Conflito consigo mesmo e com os outros. Similarmente a obras como Kageki Shoujo.
  • 2. Superação: Normalmente o foco de obras shounen (nada contra isso ocorrer em uma obra seinen, que é o caso aqui). De forma positiva, seria reforçar o caminho do artista, inclusive, instigando a competição dele com os demais artistas. A palavra-chave aqui seria, de fato, competição.
  • 3. Vida cotidiana: O foco aqui estaria nas interações que o protagonista tem com seus amigos, reforçando o quanto as conexões auxiliam no processo artístico (muito parecido com o que temos em Barakamon).

Bem, já expressos estes pontos, começo aqui minhas impressões, de fato: acho que Blue Period não sabe (ainda) o que quer ser.

Aonde este trem azul vai?

Eu não sei. E, sinceramente, não acho que isso o torna ruim (de forma alguma), mas acho que só não o torna uma obra fácil de fazer a nossa RegraDe3. Nós acreditamos, aqui, que por meio de três episódios, podemos ter alguma ideia mais concreta do que a obra se propõe a fazer.

Blue Period não facilitou: em três episódios, meio ano se passou (ou até mais), com férias de verão, terceiranistas se formando e o Yaguchi fazendo diversos tipos de obras.

E, nos moldes das três possibilidades que coloquei acima, nada ocorreu concretamente. O que pretendo dizer é que parece que a obra não sabe para qual caminho vai andar, e fica cambaleando entre todas essas narrativas nesses primeiros episódios.

Temos um pouco de drama entre ele e sua mãe, que trata da sua dualidade sobre o futuro. Temos alguma interação dele com a sua senpai, Mori, que é a valorização da amizade enquanto meio de inspiração artística. Também temos competitividade no terceiro episódio, quando ele conhece rivais. E nenhum desses aspectos foi valorizado o suficiente para eu descobrir a “carinha” que a obra tem, e seu ponto de originalidade.

mori e yaguchi blue period
Mori-san, muito fofa.

Alguns aspectos técnicos

Eu, pessoalmente, não surfei no hype, no final das contas. Estou um pouco frustrada, porque acho que esperava algo mais intenso, mais moderno, com uma trilha sonora arrebatadora e um clima de competitividade e tensão artística. Acabei me encontrando com um slice of life com um ritmo extremamente rápido que parece um trem ainda sem muita direção.

O Seven Arcs é o mesmo estúdio que fez Arte, mas diferentemente de Blue Period, Arte tem toda uma ambientação já direcionada a um slice of life preguiçoso, com ritmo lento, algo como “aproveite a paisagem”. Blue Period, por sua vez, engata um slice of life com um ritmo de lebre, a ponto de, no final do primeiro episódio, o nosso protagonista já estar replicando objetos reais, sombra e luz, com grande êxito.

Sua evolução foi muito rápida, e sinto que ela me levaria a um clima de competitividade, que poderia muito bem ser reforçado pela animação ou trilha sonora. Contudo, a trilha se mantém como a de um slice of life, de fato, puxando o “clima” para baixo, relembrando a você de que a tensão não irá ser elevada.

Finalizando as primeiras impressões de Blue Period

Apesar de todos os pontos que coloquei, não acho que não valha a pena ver. Eu sou sempre muito a favor de assistirmos animes que tratam sobre arte, nas suas mais variadas formas. Contudo, não acho que será a melhor obra sobre o assunto que você poderá ver. Claro, posso estar enganada; afinal, três episódios às vezes não são suficientes para decidir o destino de uma obra.

Então, deixo aqui o meu direcionamento, caso você que esteja lendo ainda esteja em dúvida sobre assistir (ou não). Se você for uma pessoa mais criteriosa, com um olhar mais julgador no que tange à animação e aspectos técnicos, ou só não goste muito de slice of life: tem muita coisa boa essa temporada. É possível assistir outros animes que estão por aí, e alguns estão prometendo!

Caso você só queira ver algo para relaxar: pode ver. É gostosinho, tem uma vibe relax. Pode não ser a melhor coisa que você já viu, mas com certeza vai dar uma relaxada. Ler, ouvir ou assistir arte sempre me deixa mais tranquila!

Além disso, mais uma opinião: depois de alguns animes com qualidade que eu considero inferior sendo licenciados ou produzidos pela Netflix, acho que Blue Period ainda tem potencial para ser uma das melhores produções por lá. Dessa forma, não desconsidero o potencial que ele tem, e vou continuar assistindo! Estou torcendo para que o trem azul encontre o seu caminho, e que seja super divertido!

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Escrito por

Helena Nunes

Estudante desesperada

Revisora textual | Cantora de chuveiro

Campos - RJ

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