Análise

Dorohedoro é bom? Vale a pena ver o anime? | Crítica

Uma história que nasce, se constrói e se desenvolve em meio a muito caos e originalidade: Dorohedoro
12 minutos para leitura
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Se Dorohedoro tivesse um subtítulo, certamente seria algo do tipo “o lado cômico da violência gratuita”. Arrisco a dizer que se o anime fosse um live action, seria dirigido pelo Quentin Tarantino.

Parafraseando o diretor americano, “a câmera foi criada para filmarmos a violência”, troque câmera por animação, e terás Dorohedoro!

Mas calma, como nos filmes do Tarantino, além da MUUUITA violência, Dorohedoro possui uma história intrigante e personagens muito cativantes.

Enfatizei bem a questão da violência, porque para alguns a extrema violência é como o ecchi desnecessário: o fato de estar na obra já o faz não querer assistir. Sendo uma pena, tratando deste anime específico.

Poster de dorohedoro

Digo isso, pois o anime se vendeu como uma imagem agressiva. Realmente o resultado da animação condiz com isso, contudo o anime possui muito mais do que apenas agressividade e desordem.

A motivação do protagonista é até aceitável, mesmo que nada fascinante. Porém como Kaiman, com sua cabeça de lagarto, é um personagem “encantador”, você acaba comprando a briga dele.

A ambientação fora da curva, os outros personagens imersíveis tanto quanto o protagonista e um humor nonsense, fazem este anime ser, para mim, impecável no que se propõe.

Fora a trilha sonora que faz você entrar de cabeça no universo do anime.

O que faz a história de Dorohedoro andar

No inicio de Dorohedoro somos já apresentados a Kaiman e sua amiga Nikaido, que residem num mundo denominado “O Buraco”.

Digamos que este lugar é o playground dos feiticeiros. Lá vivem pessoas que não possuem magia tentando sobreviver. Já os feiticeiros invadem e utilizam os moradores como cobaias de suas magias.

Kaiman possui sua cabeça de lagarto graças a uma magia de um destes feiticeiros. Contudo, além da transformação de sua cabeça, ele perdeu totalmente sua memória.

Então com a ajuda de Nikaido, uma loira porradeira que se mostrará ser mais do que aparenta, nosso protagonista vira um “caçador de feiticeiros” do Buraco. Seu intuito: encontrar aquele que fez isso com sua cabeça e tentar entender o porquê de tudo isso.

Mas, ao sair por ai matando todos os feiticeiros da cidade, a dupla chama atenção de En, o mestre dos feiticeiros, que para resolver o problema envia uma equipe para caçar a dupla dinâmica.

Sendo assim temos um enredo de briga de gato e rato, que em alguns momentos o gato caça o rato, e em outros o rato caça o gato (travou a língua aí?).

Motivação aceitável e história cativante em Dorohedoro? Como assim?

Mais acima utilizei o adjetivo “aceitável” para a motivação do nosso protagonista, com um sentido, de certa forma, pejorativo.

Isto é, eu esperava muito mais do motivo para fazer essa história girar. Porque, no fundo, temos apenas um protagonista querendo recuperar seu rosto e sua memória.

Veja bem, coloquei apenas entre aspas, porque, para uma animação corriqueira, essa motivação é muito bem aceita. Mas estamos falando de um universo único, personagens cativantes ao extremo, violência, gore, sangue, psicodelia, etc, etc.

Com tudo isso acontecendo, o plot me lembrou Vinland Saga, que da mesma forma, o plot serve apenas para você entrar no universo. Já o que te mantem nele são os personagens, o próprio mundo e até mesmo a “espera do inesperado”. Mas irei explicar melhor isso.

Por isso digo, a história, o universo e os personagens são cativantes, mesmo que a motivação de Kaiman ficou meio aquém a tudo isso.

A espera do inesperado

Se você já conhece nosso portal, certamente já leu algo sobre a RegraDe3, só que essa regra talvez seja complicada de ser aplicada em Dorohedoro.

Afinal, a cada episódio que passa acontecem coisas inimagináveis, algumas fazem parte da história (para fazê-la andar), outras, nem tanto.

Caso você pretenda ver os 3 primeiros episódios para entender o que é Dorohedoro, me desculpe, você irá encher a cabeça de informações loucas e jogadas, e ainda nem todas são aproveitadas na história.

E isso é fantástico para o anime! Veja bem, estamos falando de uma obra totalmente nonsense, com cores vibrantes e violência gratuita, ou seja, um verdadeiro caos!

É isso. Caos define Dorohedoro.

E da mesma forma a história é nos contada, informações são jorradas em cada episódio, que para algumas sua resposta será só “ok, segue”.

Um exemplo prático que não irá afetar em nada sua experiência é a imagem abaixo.

Sim, você não leu errado, no meio do desenho aparece o Mestre En testando uma vassoura gigantesca que ira começar a vender com sua marca. E isso não interfere em nada na história, é apenas pela groselha mesmo.

E é assim em vários momentos do anime. Muitas coisas simplesmente só existem e acontecem, sem explicação prévia, ou posterior. E isso é que difere Dorohedoro daqueles animes que para cada detalhe novo um livro de explicação é criado.

Talvez o único ponto negativo aqui seja a grande quantidade de que informações que são levantadas sem pelo menos um “aviso prévio“. Uma preparação. Um esquenta, sabe?

Tudo só acontece. Saímos de um jogo de beisebol “normal” para um evento onde todos os humanos mortos por feiticeiros se erguem como zumbis e querem comer os vivos no “O Buraco”, apenas porque sim.

Para cada episódio que passa, parece que na minha frente tem um demoninho com uma placa escrito “Só aceite o universo que você se meteu, cara.”

Conte-me um pouco mais deste mundo….

Bom, acabei de utilizar a palavra “demoninho” para identificar um “disclaimer” neste mundo. E essa figura não foi utilizada por acaso.

Pois bem, nos dois mundo que são representados em Dorohedoro, “O Buraco” e o mundo dos Feiticeiros, o que se assemelha ao nosso mundo real é a existência do inferno (se você acredita, é claro).

O que achei mais louco é que aparecem demônios, oferendas e adoração (cômica) ao Rubro, Pata Rachada, Belzebu, Satanás, Satã ou qualquer outro nome que você conheça para identificar esse personagem.

Mas não aparece nenhuma citação para o lado angelical.

Até parece que no mundo onde se passa o anime só o mal prevaleceu, e as formas como os mundos estão ligados ao inferno são no mínimo curiosas.

Outro ponto deste mundo, é que os feiticeiros utilizam-se de uma fumaça como forma de liberar sua magia. Cada feiticeiro possui apenas um tipo de poder: pode ser algo haver com combate, cura ou até mesmo transformação, mas nunca um feiticeiro terá mais de um tipo de poder.

Como a magia dos feiticeiros é exposta em fumaça, existe meio que um “mercado negro” da magia, onde pode ser comprado vidros de magias para que feiticeiros com pouco poder mágico, possam “bufar” seus poderes.

Contudo ao realizar este tipo de transação você está declarando ao mundo o quão fraco você é, e nem preciso dizer que será mal visto pela sociedade dos feiticeiros.

E a violência de Dorohedoro, é bem feita? Ou só gratuita?

Os feiticeiros são seres que não se incomodam nem um pouco em desacerbar seu lado violento em qualquer um que ultrapasse a sua frente.

Porém, como estamos falando de seres mágicos, magias, porradaria e armas brancas, não me apareça com arma de fogo que será motivo de piada.

As cenas de violência são a cereja do bolo, porque como estamos em um universo agressivo, a violência extrema se torna algo aceitável, mesmo que exagerada. Afinal é o que se espera dos personagens que vivem neste mundo caótico.

Temos momentos explícitos de covardia, onde claramente os feiticeiros são muito mais fortes agredindo a todos sem uma motivação real. Magias, socos, chutes e até mesmo martelos são utilizados para desencadear a porradaria.

Somados à isso, temos as coreografias de luta sensacionais entre personagens com forças equiparadas.

E o mais “bacana” dessa violência toda, é que a grande maioria acontece em momentos inesperados. Quando você percebe já tem gente sendo esmagada na parede, uma luta se inicia ou, como grande parte do anime, só pela violência mesmo.

Vale ressaltar que, mesmo com todo sangue e cena explicita, o anime é muito mais tranquilo que o mangá que deu origem a esta animação.

Finalizando…

Poderia sim, continuar falando sobre cada personagem e o quanto cada um enriquece (ou não) a história de sua maneira. Mas, a descoberta de cada um é algo essencial para entender o universo do anime.

Cada personagem se difere do outro em praticamente todas as características. Dá para perceber que cada um foi criado com atenção e carinho único.

E você precisa assistir o anime “diferentão” que é Dorohedoro. Tentei apenas instigar você a dar uma chance a essa obra e se deixar levar pelo universo sem sentido, mas ao mesmo tempo cativante que é.

Dei uma pincelada, mas não me aprofundei em como a magia dos feiticeiros funcionam ou como “O Buraco” se transformou no local desolado que é hoje de propósito, afinal, como já disse, é exatamente essas descobertas que fazem o anime ser o que é.

O Studio MAPPA está de parabéns pelo trabalho feito em Dorohedoro, casando perfeitamente, ambientação, trilha sonora e personagens de forma magistral.

Vale ressaltar que a história não está completa nos 12 episódios da primeira temporada, serão lançados 6 OVAs ainda este ano (2020) de 30min cada.

Pegue sua máscara, escolha sua arma e ligue seu humor nonsense para apreciar esta obra única.

EXTRA

Falei tanto de nonsense e o caos que é o anime, deixo então a opening para você tirar suas próprias conclusões.

Welcome to Chaos — (K)NoW_NAME

Escrito por

Hugo Brogni

Escritor

Inciante | Barbudo | Pseudo marombeiro

Criciúma - SC

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