Análise

SunKen Rock é bom? Vale a pena ler o mangá? | Crítica

Sun-Ken Rock trata sobre máfia, submundo, culinária e muita porradaria!
15 minutos para a leitura
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SunKen Rock é um mangá sobre a máfia. Não aquela coisa colorida e cheia de poderes elementais de Katekyo Hitman Reborn, mas sim o lado realista e cruel do submundo sendo retratado em suas páginas.

Em contrapartida, o mangá também fala sobre romance platônico, sobre amizade e sobre valores. Tem até questões filosóficas sobre o estado, e ainda, bastante culinária oriental!

Mas também há muitos problemas, sendo que alguns deles podem afastar os que esperam uma obra mais “madura”.

Será que agrada? Vale a pena? Continue comigo aqui na Cúpula e vou te contar tudo, na minha humilde opinião.

Informações e resumo de SunKen Rock

Roteirizado e desenhado por Boichi, desenhista de Dr. Stone, SunKen Rock foi serializado entre 24 de abril de 2006 até 22 de fevereiro de 2016. Tendo 24 volumes, o mangá saia na revista Young King, da editora Shonen Gahosha.

Conta a história do jovem Ken Kitano, que após se declarar e receber um não de sua amada no colégio, resolve ir ao seu encontro na Coreia do Sul a fim de se tornar um policial como ela.

Ken Kitano, protagonista de SunKen Rock pensativo

Contudo, após ele detonar membros de uma gangue que estavam extorquindo um idoso vendedor de comida, recebe o “convite” (sim, literalmente um convite) de se tornar chefe de uma gangue por uns caras que viram o ocorrido, nascendo assim a SunKen Rock.

Personagens

SunKen Rock apresenta e aprofunda vários personagens, porém vou manter o meu costume e apresentar só os principais:

Ken Kitano: O protagonista dessa historia, teve seus pais mortos na guerra entre os Yakuza. Em toda a história do mangá ele demonstra não ter o menor interesse nesse negócio de ser chefe da máfia.

Ken Kitano sem camisa e seu taco de baseball

Todavia, os laços que fez com os membros da gangue o impulsionaram a aceitar esse cargo e a estar sempre de frente nas batalhas. Mas, na prática, toda a administração do bando fica com o Tae-Soo Park.

Tae-Soo Park: Um verdadeiro gangster, a mente por trás do grupo. Originalmente era o chefe, porém ao ver o carisma e a força de Ken, passou o comando à ele.

Tae Soo Park de terno sentado pensativo

Enquanto o Ken é idealista e até ingênuo, o Tae-Soo que fica com o trabalho sujo do grupo e todas as suas consequências, já que fingiu tomar a liderança do bando em uma ocasião. Ele o fez somente pra garantir a segurança do seu chefe na tarefa que estava por vir.

Tae Soo Park Andando rápido e bravo

Yumi “Yumin” Yoshizawa: a filha do chefe do Clã Dragão Branco e interesse amoroso do protagonista, detesta o pai, porque, por causa da ambição dele, sua mãe e irmã foram mortas em conflito.

Yumin vestida de Policial

Foi até a Coreia a princípio para tomar o poder do submundo para seu pai, mas virou policial e combate as gangues de lá. Entretanto, nem tudo é o que parece.

O submundo de SunKen Rock

Apesar de Ken ter boas intenções, sua gangue vai conquistando poder a cada batalha vencida. O primeiro feito deles rendeu um bairro inteiro para eles pegarem taxas dos moradores. Apesar disso ser “errado”, os moradores desse bairro são agradecidos a SunKen Rock pela proteção.

os integrantes da gangue SunKen Rock

A medida que vemos o crescimento deles, tomamos noção de como funciona os negócios do submundo: extorsão, prostituição, jogos de azar e especulação imobiliária. Naturalmente não são mocinhos, porém, quando comparados ao poder público corrupto, você até simpatiza com eles.

Aí entra a mentalidade de Tae-Soo Park, de que o “Estado” é uma gangue que deu certo, pois o Estado faz parte do que eles fazem, mas amparado pela lei.

Além dessa característica mais sombria, Boichi colocou um pouco de suas experiências pessoais como um imigrante nas paginas de SunKen Rock. Em vários capítulos vemos essa temática sendo explorada de um jeito bom, mostrando a amabilidade do povo coreano com os imigrantes.

Todavia ,os maus tratos que os imigrantes ilegais sofrem nas mãos das gangues também é bem mostrado em alguns arcos. Tal fato gera um dos antagonistas mas profundos da série, o qual você vai saber apenas quando ler haha.

Selva de concreto e metal + culinária: o orgulho de Boichi em retratar sua pátria

A arte de SunKen Rock é um espetáculo.

Paisagens urbanas muito bem retratadas, estações do ano, clima… Tudo muito bem desenhado e contextualizado em seus vários capítulos.

o segundo em comando entregando a chave do carro ao chefe

Boichi revelou nas paginas finais de algum volume (creio que seja o 2º) que utilizou fotografias tiradas por ele e sua equipe de várias paisagens de Seoul na obra como fundo de vários quadros, dando um efeito muito legal de realismo nessas páginas.

cenários urbanos e naturais de Seul

Ele também revelou que faz questão de incluir a culinária da Coreia na sua obra. Várias vezes encontramos os personagens em torno de uma refeição, e ela é explicada para o protagonista, um imigrante japonês.

Culinária em SunKen Rock

Achei muito interessante a forma como foi colocada a culinária coreana no mangá. Não como algo destoante de todo o conjunto, mas como um “tempero” a mais nesse ode a Coreia que foi essa obra.

Sexualização excessiva e outros problemas de SunKen Rock

Contudo, existem problemas – e não são poucos.

Esse mangá gerou uma discussão saudável entre minha pessoa e o camarada autor da Cúpula, Pedro Bernardes (inclusive ele falou que vai dar uma descascada aqui nos comentários haha).

A verdade é que nós concordamos em vários pontos, mas um deles é principal: Boichi não sabe representar mulheres graficamente em suas obras. A hipersexualização das personagens nesse mangá é algo absurdo.

Isso pode ter a ver com o fato de que o mangaka era desenhista de hentai, podendo assim ter trazido um pouco da influência que esse período teve em sua arte para SunKen Rock.

Roupas curtas demais mostrando quase as partes íntimas, posturas obviamente desconfortáveis e um ecchi desnecessário são constantes, em vários momentos destoando da seriedade de algumas batalhas.

Apesar de que um dos momentos mais passiveis de gatilho também gera um hype maneiro, que é quando ele vê uma garçonete que ele conhece toda ensanguentada e fica com sangue nos olhos pra pegar os inimigos.

Teve dois capítulos inteiros dedicados a noite de sexo entre o protagonista e sua amada, mas sem romantismo nenhum. Pensei que estava lendo um hentai. Achei muito nada a ver.

Também tem a questão da verossimilhança; toda a ambientação de máfia, com a violência e a maldade que há envolvida se perde quando o protagonista vai enfrentar quase uma multidão na base da porrada e vence.

Isso com certeza vai fazer muitas pessoas droparem o mangá, e é um dos principais problemas, pois joga fora uma construção boa feita em capítulos anteriores, sendo recorrente em todos os arcos do mangá.

O final também é um ponto polêmico, porque foi apressado e não concluiu a obra de maneira satisfatória para muitos fãs, inclusive para mim. Boichi não foi muito inteligente ou inovador no desfecho.

Finalizando a crítica de SunKen Rock…

SunKen Rock é um mangá que divide emoções e opiniões: a arte, a temática são bem legais e certamente vai te prender, obviamente se você não tiver problemas com conteúdos mais pesados.

Todavia, os problemas que relatei aqui tem o potencial de afastar os leitores que esperam um conteúdo mais maduro e responsável. Faltou um pouco de bom senso em relação a algumas questões muito sensíveis. Principalmente hoje em dia.

Contudo, eu posso dizer que eu gostei da obra, da sua imersão na cultura da Coréia e do carisma de seu protagonista. Seu amadurecimento é um ponto legal nessa série.

O Boichi também tem outras obras comentadas por aqui. O Pedro fala de uma delas no site, cujo nome é “Hotel” e você pode conferir aqui. Também, temos um artigo do André tacando pedra falando sobre Dr. Stone.

E aí, dará uma chance a SunKen Rock? Ou já leu?

Escrito por

Diego Mariano

Escritor

Músico | Oldschool | Shonenzero

São Gonçalo - RJ

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