Análise

Vivy: Fluorite Eyes Song é bom? Vale a pena ver o anime? | Crítica

Vivy vai te ensinar a cantar de todo o coração!
15 minutos para leitura

Vivy já tem uma Rd3 aqui, inclusive muito boa, que o Hugo fez. Nela, ele diz que Vivy tem um enredo simples e um tema já batido: bem, talvez seja, mas acredito que possamos flexibilizar essa compreensão. Como já deixei aqui a Rd3, se você não viu ainda, vai lá ler antes de passar aqui na minha crítica. Não vou economizar palavras boas para um dos animes mais magníficos dessa temporada!

Vivy com certeza NÃO É um dos mais falados. Sinceramente, vai até passar batido. Gostaria de saber qual foi o SEU motivo para não ver Vivy, se você caiu aqui de paraquedas. Achou que fosse um anime sobre idol? É, eu também. Achou que fosse ficção científica sem sal nem açúcar? Ah, eu também. Achou que, apesar de bonito, não teria conteúdo? Uau, eu também.

Na reunião da Rd3, por algum motivo místico, apostei minhas fichas em Vivy (e deixei de votar em alguns que entraram nas escolhas trovejantes), porque eu sentia que haveria algo de diferente. Apesar de parecer mais do mesmo, todo mundo que conhece o estúdio Wit (Shingeki no Kyojin 1ª, 2ª e 3ª temporadas) sabe do trabalho magnífico que eles realizam em termos de animação, direção e embelezamento digital; este último, ponto fortíssimo em Vivy.

No mais, vamos ao conteúdo dessa ficção científica muito louca e emocionante!

vivy poster
  • Gênero: Ação, Música, Ficção Científica, Suspense
  • Estúdio: WIT
  • Material fonte: Original
  • Episódios: 13
  • Página do anime no MAL e na Cúpula

Do que se trata a história de Vivy?

Drones, robôs autonomos, painéis fluorescentes e hologramas: apesar de tudo isso existir de maneira muito precária atualmente, ronda a cabeça dos seres humanos. Até porque para muitas pessoas, a premissa de Vivy é comum. E não discordo disso: quantos foram os filmes sobre um futuro cheio de Inteligências Artificiais que desenvolvem consciência própria (e eventualmente tomam conta de tudo)? Um dos meus favoritos é Her. Mas não vamos falar de filmes aqui, isso fica para uma outra conversa.

Vivy, o título do nosso anime, é, na verdade, um outro nome para a nossa personagem principal (já que ela também é chamada de Diva, em sua persona de cantora). Em Nialand, um parque de diversões, Vivy luta para cumprir a sua missão.

E aí entra o principal ponto, e que o Hugo também comentou, sobre essa história: cada IA foi designada para uma missão em específico. Assim que os humanos notaram que comandos complexos e objetivos complexos não funcionavam conjuntamente, decidiram fornecer um objetivo a cada IA.

E, dentro disso, a missão da nossa protagonista se coloca como seu principal objetivo de vida artificial inteligente: cantar com todo o coração. Uau, mas que… vago? O que é cantar de todo o coração? Nós, seres humanos, sabemos disso? A primeira IA autônoma foi a escolhida para essa tarefa, e decidiu encarar esse caminho tortuoso.

O que ela não contava era que, eventualmente, uma outra IA, chamado Matsumoto, se encontraria com ela vindo do futuro para denunciar uma horrível situação. Daqui a 100 anos, todas as IAs se virariam contra os humanos e matariam um a um. E o trabalho de Vivy agora é salvar o mundo, entrando no Projeto de Singularidade.

vivy e seu parceiro
Vivy e seu parceiro Matsumoto.

A execução de Vivy é brilhante

É possível ver o esforço que o roteirista Nagatsuki Tappei (autor de Re:Zero) faz para tornar esse mundo completamente compreensível, mesmo que seja inteiramente ficcional. Apesar de haver todos esses pontos que normalmente vemos em filmes de robôs, toda a ambientação é planejada para que você se projete em um futuro (científico, mas não tanto). Ainda há, por exemplo, aviões (como os que hoje conhecemos), mas um pouco mais tecnológicos. Ele se esforça para colocar os pés no chão e observar um futuro possível.

Além da genialidade na direção, que traz ótimos cortes de câmera e te choca nas cenas pós-créditos (não deixe de assistir!), o anime faz QUESTÃO de te relembrar que, apesar da aparente humanidade da nossa IA cantora, ela continua sendo uma inteligência artificial. Por quê? O embelezamento digital, setor específico da Wit, trabalha os personagens que são IAs. Não há esse embelezamento para os humanos. Há, nesses cortes, uma aparência de cera, fria; ao mesmo tempo, muito bela.

Com a música, não seria diferente

Sem falar da trilha sonora: o nosso diretor de som (Jin Aketagawa), que já trabalhou em outros incríveis projetos sonoros, como Aldnoah.Zero, Code Geass e Kaguya-sama, arrasa aqui.

As cenas de drama e de ação são perfeitamente introduzidas, e o trabalho de som brilha junto à emoção de se descobrir o que é “cantar de todo o coração”. Nos primeiros episódios, eu estava assim: “ah, a abertura é boazinha; nada demais”. Nos últimos, eu já estava cantando junto e chorando (quase, é mentira).

Uma das minhas músicas favoritas desse anime foi mais para o começo, a linda Ensemble for Polaris. Na voz da gentil personagem Estella, emoção e frieza se juntaram em uma mescla de sentimentos comovente. Ouve!

E, quando eu achei que nada mais pudesse me emocionar, a música da opening foi cantada de novo, de outro jeito, batendo de mil jeitos no meu estômago. A primeira IA a se casar com um humano, Grace, cantava acapella, dando sentido à letra de Sing My Pleasure.

Grace cantando

Um vínculo recém nascido
Perseguindo a luz
Amarrado junto
Com um fio fino
É despertado por uma missão
Milhares de memórias orgulhosas
Girando de felicidade

(…)

Até o destino
Até mesmo a sorte
Por favor, deixe-os brilhar
A felicidade de pode proteger
Aqueles que riem
Aproveitando a vida
Estou admirando isso
Estou com saudades disso
Eu posso ficar ainda mais forte
Até minhas vozes chorando
Eu quero deixar você
Ouça como uma música

No meio deste momento deslumbrante
Eu quero que você confie
Suas lágrimas para mim

Parte de Sing My Pleasure

Por que eu acho que não é simples?

Apesar de, claro, já termos visto esse tema diversas vezes, os humanos são geralmente tratados como os coitados que estão sofrendo a invasão artificial. E, ao final, os humanos ganham – e a lição de moral que a gente tira disso é que devemos tomar cuidado com a nossa tecnologia. Veja bem, não estou falando que haja algo de errado com isso. Mas não acho que esse é o objetivo de Vivy.

Ao longo do anime, Vivy se coloca em várias situações em que se percebe que humanos agem de forma mesquinha e egoísta; de mesmo modo, IAs também fazem isso, a mando de seus donos.

E, durante toda a jornada, os personagens mais carismáticos (e nos quais a história esteve focada) queriam algo em comum: a convivência entre humanos e IAs. Mais do que denunciar o uso indiscriminado da tecnologia, Vivy pretende mostrar que é possível que seres humanos convivam de maneira amigável com o que os próprios criaram.

Neste sentido, os pontos de singularidade que a Vivy tenta mudar a fim de se resultar em um futuro melhor, abrigam as mais diversas situações: casamento entre humano e IA, suicídio duplo de IAs, explosão de bases por grupos terroristas anti-IA… E tudo isto culminaria em um destino terrível e inevitável, qual seja a extinção da raça humana.

Não é um erro de programa, não é um erro exclusivamente humano, não é uma pane no sistema: é o resultado de cem anos de tecnologia, somados à independência de consciência concedida às IAs autônomas. O processo é creditável, é real, nada abrupto; você entende como aquilo pode ter parado naquele ponto.

Resume aí, Helena. O que tem de bom em Vivy?

Se eu pudesse fazer um compilado de todas as imagens lindas de Vivy em um vídeo, eu faria. Mas sou preguiçosa. O pessoal aqui da Cúpula sabe bem que eu sou cadelinha de animação, e talvez seja o que mais me chamou atenção para ver Vivy. No entanto, se eu fui pela animação, fiquei por outros motivos.

As cenas de ação são muito bem executadas (e com timing perfeito!), alternando, diversas vezes, entre o movimento e a câmera lenta, com coreografias incríveis. As músicas são de cortar o coração, emocionantes mesmo, que dão muito mais sentido às cenas do que elas normalmente teriam.

irmã autonoma da vivy com cabelos azuis e olhos azuis
A braba que trouxe as cenas mais bem animadas, e irmã autônoma da Vivy.

Se você veio achando que era anime de idol, e de que ela iria cantar o tempo todo (igual acontece em musical da Disney), você se equivocou. As músicas TÊM função narrativa, e eu acho isso fantástico.

Até para animes de idol, muitas vezes, as músicas não significam nada e não servem de nada (e poderiam muito bem contar uma história). Aqui, portanto, todas as músicas são narrativamente relevantes e importantes à trama.

A história terminou bem fechadinha, com a Vivy descobrindo seu propósito e dando um sentido ao que ela sempre procurou. E isso foi, apesar de feito por uma IA, muito humano. Quando a criaram, deram a ela essa missão porque acreditavam em sua capacidade de descobrir o que os humanos ainda não haviam dado sentido. E, ao final, ela dá sentido: criando a sua própria música e fazendo as suas próprias memórias. Lindo!

Mas só tem coisa boa?

Se eu pudesse, por algum motivo, mudar algo em Vivy, reservaria mais tempo de tela ao Matsumoto, parceiro da Vivy. Descobrir como ele foi feito, criar um laço entre o seu criador e a música. Como outros personagens secundários foram bem desenvolvidos, eu também esperava que ele pudesse ser. Na verdade, por um tempo, meu irmão e eu achamos que ele fosse o vilão! (E poderia ser, hem?)

Eu sou apaixonada por ficção científica, então, sou bem suspeita para comentar. Uma ficção científica com uma boa animação… era quase certo que eu iria amar. E, quando eu achei que só teria isso, ainda colocam música! Ah, baixaram as chances para quase zero de eu não gostar. Não que a gente não possa ver defeitos nas obras, mas, aqui, temos muito mais qualidades do que defeitos.

E, além disso, também acho que, para o último episódio, ficamos com um ar de “já acabou?”, provavelmente pelo tempo corrido de 13 episódios. Se pudesse ajustar, transformaria o episódio de finalização em dois. O aparecimento do “vilão final” e as batalhas internas da Vivy poderiam durar um pouco mais, para trazer uma sensação de maior tensão. Contudo, nada que tenha atrapalhado todo o meu amor por essa IA cantora!

Finalizando a crítica de Vivy

vivy com expressão triste
Eu te amo, Vivy, eu te amo

Esse aqui é, sem dúvidas, para maratonar! Apesar de terminar um tanto quanto agridoce e melancólico, destoante de seu tom inicial de esperança, Vivy traz perfeição técnica e uma trilha sonora inesquecível e feliz. Eventualmente, se você gosta de alguma quebra de ritmo, o final pode te agradar. É gostoso demais, e eu com certeza vou lembrar dele com muito carinho depois. Já até coloquei as músicas na minha playlist pessoal no Spotify (e vou tentar não chorar quando ouvir).

Ademais, para quem é fã de seiyuus, vai ficar feliz com o Koyasu Takehito aparecendo no final, com um papel super importante (o doutor Matsumoto!). Ouvir o Dio (Jojo) e o Zeke (Shingeki) de novo, só que em um personagem bonzinho, me fez desconfiar bastante… (hahahaha)

E você, o que achou de Vivy? Espero que tenha gostado também! Comenta aí, e me diz se ficou tão emocionado(a) quanto eu!

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Escrito por

Helena Nunes

Estudante desesperada

Revisora textual | Cantora de chuveiro

Campos - RJ

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