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Entrevista com Yuri Petnys, Portuguese Region Lead da Crunchyroll

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Sejam bem vindos a mais um artigo-entrevista aqui da Cúpula! Dessa vez, tivemos a maravilhosa oportunidade de trocar uma ideia com o Yuri Petnys (@arara_, no Twitter). Ele é Portuguese Region Lead, da gigantesca Crunchyroll (não sabe o que significa esse cargo? Então continua lendo!).

Mascote da Crunchyroll, feliz

Tive o primeiro contato com o Yuri pelo podcast dos nossos amigos do Animes Overdrive, onde eles entrevistaram o Yuri num papo sobre fansubs, streaming e mercado de animes num geral.

Ficou sensacional, por isso achei que seria interessante tentar um contato com o Yuri para que pudéssemos (nós e vocês) aprender um pouquinho a mais além do que foi debatido por lá.

E não é que o Yuri gentilmente aceitou?

Agora, sem mais delongas, fique com a nossa entrevista…

OBS: Deixarei o podcast no final dessa entrevista, como conteúdo adicional para os interessados no assunto.

1) Oi Yuri! Então, começando do começo, acho que é legal deixar todo mundo ciente de QUEM é o Yuri. Segundo seu formoso Linkedin, você está como “Business Development, Strategy and Marketing at Crunchyroll Brazil”. Conseguiria resumir mais ou menos quais são suas principais funções dentro da Crunchyroll?

Meu cargo oficial na Crunchyroll é de “Portuguese Region Lead”, a pessoa responsável pelo mercado de países de língua portuguesa. Minhas tarefas são basicamente três:

  • Garantir que todas as equipes locais estejam trabalhando da melhor maneira possível
  • Divulgar o serviço e o conteúdo da Crunchyroll nas regiões de atuação
  • Estabelecer novas parcerias e projetos com parceiros locais

2) Indo um pouco mais à fundo sobre “quem é o Yuri”… Qual foi seu primeiro contato com a cultura otaku?

Como muitos brasileiros, eu assisto anime desde criança e sempre tive bastante interesse, sempre fazendo parte da comunidade e acompanhando os lançamentos – mesmo não sendo um consumidor tão voraz quanto vários conhecidos meus.

3) Conseguiria explicar resumidamente e para leigos (como nós) o que é que a Crunchyroll precisa fazer para conseguir os direitos de exibição de uma série de anime? O processo é mais simples do que parece, ou é ainda mais burocrático do que aparenta ser?

Na maior parte das vezes, os animes japoneses são produzidos por um “comitê de produção” – uma associação de empresas de diferentes ramos que se une para viabilizar a produção de uma obra.

Essas empresas envolvem redes de televisão, gravadoras musicais, editoras de mangá/light novels, agências de publicidade, e vários outros tipos, e elas investem dinheiro na produção em troca do direito de explorar a obra em várias vertentes, como TV, cinema, home video, streaming, merchandising, e outros.

Para poder obter o direito de exibição de uma série, a Crunchyroll precisa sentar com um representante de cada um desses comitês de produção e negociar o licenciamento dos direitos de streaming.

Nessa negociação, entram vários fatores – dinheiro é um fator importante, mas um histórico de bom relacionamento, vantagens competitivas, melhores condições de pagamento e alcance da plataforma também são importantes.

Felizmente, a Crunchyroll tem vários pontos a favor: além de estar no mercado há 14 anos e ser a maior marca de animes do mundo, é a única empresa capaz de exibir animes em simulcast em 8 línguas diferentes, a única com uma estrutura verdadeiramente global, e a única capaz de realizar experiências 360°, com eventos e jogos mobile.

Nota do entrevistador: se quiserem entender um pouco mais sobre a indústria de animes (como são produzidos), clique nessa frase!

4) Qual o principal fator que a Crunchyroll analisa na hora de adquirir um novo anime para seu catálogo? E quais os fatores secundários que possuem peso nessa decisão?

Nós tentamos trazer todos os títulos que os nossos usuários querem assistir, para o maior número de regiões possíveis.

5) Hoje nós temos os Crunchyroll Originals, animes onde a Crunchyroll participa do comitê de produção do anime, certo? Adoraríamos saber um pouquinho sobre o começo dessa iniciativa, caso você tenha algo para agregar e que poderia compartilhar.

A Crunchyroll já participa do comitê de produção de vários animes há anos, bem antes da criação do selo Originals. Entre algumas das nossas mais populares co-produções, estão The Rising of the Shield Hero e A Place Further than the Universe.

O selo Originals inclui alguns títulos nos quais estivemos mais envolvidos na produção, e é uma maneira de tornar mais evidente ao nosso público que o valor da assinatura deles está sendo revertido na criação de mais séries do tipo que eles tanto amam.

crunchyroll originals logo

6) Ainda sobre os Originals: você diria que a empresa está insatisfeita, neutra, satisfeita ou muito satisfeita com a performance dos animes? Digo, esperavam atingir MAIS GENTE do que atingiu, ou estão satisfeitos com os números e a repercussão?

A popularidade dos nossos Originals, como Tower of God, The God of High School e Onyx Equinox, certamente foram muito além do que prevíamos inicialmente.

7) Ufa! Agora, chega de Originals! Falemos um pouco sobre dublagem! Dá para ver que vocês estão investindo pesado em dublagem. Muita coisa nova saindo ultimamente. Em anos passados, sempre tivemos a presença da Crunchyroll dublando animes, mas parece que agora intensificou! Algum motivo específico para isso? Demanda do público? Investimento estratégico com base em uma previsão bacana, ou se destacar perante concorrentes? Ou estamos completamente errados e é um motivo completamente diferente?

Nosso público sempre pede mais animes dublados em português, e temos dados que comprovam o retorno que a dublagem pode trazer para as séries.

O investimento recente se “intensificou” devido a cenários favoráveis, como a possibilidade de realização de Dublagens Expressas (lançadas menos de 2 meses após a exibição no Japão), a parceria com o bloco Toonami do Cartoon Network (que viabilizou a dublagem de Dr. STONE), entre outros.

Nota do entrevistador: se quiser ler mais sobre essa parceria com o Toonami, clique nessa frase!

8) Quase no fim! Yuri, para você, qual é o maior feito da Crunchyroll até hoje aqui no Brasil?

Eu diria que o maior feito é conseguir transformar o Brasil em um de seus maiores mercados, mesmo com as diferenças socioeconômicas do país e a forte cultura de pirataria, se comparado a outros países da Europa e da América do Norte.

O Brasil figura constantemente entre os cinco países com maior número de assinantes e acessos, foi o primeiro país a receber um bloco exclusivo da Crunchyroll na TV aberta (Crunchyroll TV, exibido na RBTV), e é o maior país de língua não-inglesa da plataforma.

9) E como você vê a projeção? Estão otimistas com o mercado brasileiro num geral?

Os indicadores do mercado brasileiro crescem acima da média da Crunchyroll há mais de 4 anos, e tudo indica que essa tendência de crescimento se manterá em 2021 – então sim, estamos bastante otimistas.

10) Será que conseguimos alguma novidade quentíssima do que está para sair na Crunchy? Um novo anime que será dublado, ou uma nova produção original… Quem sabe algum evento online?

Lol.

Nota do entrevistador: eu realmente não sei se ele riu da minha pergunta ou se tem algo a ver com League of Legends… Só esperando para descobrir.

11) Nós aqui na Cúpula já temos ciência da importância de serviços como a Crunchyroll, e entendemos a importância de nós apoiarmos e investirmos nesse serviço. Porém, muita gente ainda carece de entendimento. Tem gente que acha que anime dá em árvore, vê se pode… Será que você conseguiria explicar, resumidamente, como o dinheiro do assinante se converte em colaboração REAL para o mercado de animes num geral?

50% de todo o valor das assinaturas dos nossos 3 milhões de assinantes no mundo todo é revertido diretamente para nossos parceiros no Japão.

Isso não inclui os valores de licenciamento pelos direitos das séries, os royalties das vendas de mercadorias na nossa Crunchyroll Store ou de um de nossos vários parceiros de sublicenciamento, e tantas outras fontes de renda. Mesmo se você é um dos 70 milhões de usuários que assistem a Crunchyroll de graça, parte da receita dos anúncios veiculados durante os episódios também retorna para o Japão.

Graças a isso, já contribuímos com mais de $100 milhões de dólares para a indústria japonesa, participamos de dezenas de co-produções e continuamos trabalhando para expandir esta arte que todos nós amamos.

EXTRA: “Por estar nessa área que tantos tem sonho em trabalhar, gostaríamos de saber se nos dias de hoje é mais difícil ingressar, ou o tempo e o crescimento do mercado de animes só ajudou a mais pessoas a conseguir trabalhar nessa área?”

O mercado no momento está bastante aquecido, com vários novos players surgindo no Brasil e com várias oportunidades de negócio prontas para serem exploradas.

É um bom momento para quem quiser se aventurar na área.

Finalizando a entrevista com Yuri Petnys, da Crunchyroll

Nota: os links internos são indicações aqui da Cúpula para complementar as respostas do Yuri, sob aprovação dele mesmo.

Yuri, muitíssimo obrigado por essa oportunidade. Sempre é interessante nós podermos aprender um pouco mais sobre o mercado de animes, porque, afinal, nós amamos isso. Provavelmente quem está lendo também!

Desta forma, só podemos agradecer, e quem sabe, no futuro, consigamos marcar alguma coisa para aprofundarmos ainda mais nosso conhecimento, e ainda conscientizar ainda mais nossa comunidade.

Aqui na Cúpula, como sempre, visamos levar animes e mangás a sério, como merecem.

Muito obrigado para você que leu, também!

Deixa aí em baixo um feedback sobre essa entrevista. Pretendemos trazer muitas mais!

Ademais, deixo aqui o podcast do Animes Overdrive sobre fansubs e streaming. Vale à pena ouvir.

Escrito por

Cúpula

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Interessante | Atual | Sério

Criciúma - SC

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