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O que é dorama? Como assistir, e o que esperar de um dorama?

20 minutos para leitura

Os doramas estão fazendo muito sucesso e ganhando mais espaço por aí, inclusive a dona Netflix tem feito o lindo trabalho de trazer muito mais doramas para seu catálogo. Então, “como assistir dorama” você meio que já sabe… Mas, afinal de contas, o que é dorama?

Imagina assistir uma série com episódios mais longos, muitas vezes sem uma segunda ou terceira temporada, com personagens e histórias cativantes e de bônus uma carga cultural muito diferente da do ocidente? Pois bem, os doramas são, em resumo, isso.

A muito popular palavra dorama (ドラマ, “dorama”) é a versão japonesa da palavra “drama, em inglês. Embora para a língua coreana a pronúncia (드라마, “deulama”) seja parecida, existe uma nomenclatura diferente para cada um deles.

O significado da palavra “drama” envolve a encenação de algo seguindo um roteiro. É a dramatização de um conteúdo.

Apesar de existir outros significados atribuídos, como do ponto de vista emocional que se refere a conflitos (dentre outros aspectos), vamos nos manter com a parte teatral e de encenação. Por isso, doramas não são apenas séries japonesas. Na realidade os doramas podem ser de Taiwan, Japão, China e Coreia do Sul.

Mas, o que tem de diferente em um dorama? Será que vale à pena assistir? Vem comigo até o fim do texto que eu explico tudo o que você precisa saber sobre o assunto!

O que é dorama, afinal?

Em resumo, os doramas são séries asiáticas que passam na TV. Mas, diferente da maioria das séries ocidentais que contém muitos episódios e às vezes diversas temporadas também, os doramas costumam ter em torno de 16 episódios.

Talvez você esteja se perguntando se em 16 episódios dá para ter uma boa história, com começo, meio e fim, e a resposta é sim, é possível.

Cada episódio de um dorama tem uma duração média de 1 hora, podendo inclusive variar entre 45 minutos e até 1 hora e meia.

Aliás, os doramas que possuem mais de uma hora de duração por episódio costumam ser os preferidos dos fãs, e, por consequência, os que fazem mais sucesso. É muito provável que isso aconteça porque possuem mais tempo para desenvolver a história e os personagens em si. Isso torna tudo mais imersivo, marcante e, portanto, emocionante.

Este é um fato importante, pois o desenvolvimento da história e dos personagens acontece e você consegue acompanhar a evolução de forma clara. Contudo, nem todos os doramas têm um final fechadinho. É comum deixarem pontas soltas e muito raramente temos uma continuação.

Não temos um motivo 100% claro para isso, mas temos um sentimento: tristeza.

Eu devo falar “dorama” ou “drama”?

Além disso tudo, a nomenclatura oficial não é dorama.

Dorama é a sonoridade da palavra drama, que vem do inglês, para os japoneses. Por isso, apenas as produções japonesas se chamam “dorama”. De modo geral, para a produções dos outros países do leste asiático você adiciona a letra inicial do país à frente da palavra drama.

Ou seja, é uma produção coreana? Então, o nome é K-drama. Mas e se for uma produção chinesa? Então, é C-drama. E assim por diante. Mas lembre-se sempre de que as nomenclaturas são com base nos nomes em inglês, por isso que um drama coreano é K-drama (Korean-Drama).

Mas, Amanda, então tá “errado” falar dorama? Sim e não. O termo dorama é o mais popular e o que as pessoas mais utilizam, inclusive usando ele como adaptação do nome dos fãs desse tipo de conteúdo midiático (já vamos chegar lá, calma).

Por isso, você ainda pode chamar de dorama, mas esteja ciente de que para a galera que consome esses conteúdos em seus respectivos países e em muitos outros lugares consideram o uso do nome “correto” (na língua natal, ou com a inicial) como respeito a cada obra e localidade de origem.

É dorama ou live action?

Você com certeza já viu títulos como Bleach, Tokyo Ghoul, Shingeki no Kyojin e Death Note com filmes com pessoas reais além das suas animações originais e mangás. Pois bem, toda encenação com pessoas reais que adapta uma obra original (anime, mangá, etc) é considerado um live action. Ou em tradução livre, uma “representação ao vivo”.

Então, como que você diferencia o que é um dorama e o que é um live action?

Para ser considerado um dorama, o roteiro deve ser original, ou seja, criado única e de forma exclusiva para aquela produção. Aqui na Cúpula, o André comentou sobre suas impressões sobre Alice in Borderland.

Alice in Borderland, por teoria, é um live action e não um dorama, pois essa série é uma adaptação de uma história original (mangá e anime), não foi feito um roteiro exclusivo para a realização dela. Contudo, ele está dentro da lista de doramas do MyDramaList, e ficou muito popular entre os dorameiros de plantão, que o consideram como dorama.

Mesmo para a própria plataforma de streaming Netflix, Alice in Borderland é um dorama. Para resumir, em termos de classificação “oficial”, live action é uma adaptação com pessoas reais de uma obra original que já existe (bastante comum hoje em dia tanto com animes como em obras de Hollywood, como o caso do filme A Bela e A Fera) e dorama é uma produção que possui roteiro próprio e exclusivo.

Alice in Borderland visual oficial
Elenco de Alice in Borderland

O que consomem, onde vivem e quem são os dorameiros

Consumir muito conteúdo da cultura asiática, em especial os doramas, te confere o título, autoproclamado pelos próprios fãs, de dorameiro.

Os dorameiros são pessoas que consomem muito desse tipo de conteúdo, assim como o título de otaku fica para quem assiste animes.

Mas, não necessariamente você precisa assistir muitos animes para ser otaku e, da mesma forma, não é necessário que assista muitos doramas para ser dorameiro.

Ou seja, esse “título” é para se referir as pessoas que são fãs e gostam dos doramas. Se você assistiu 1 dorama, mas gostou, se sente fã e quer assistir outros, você pode se denominar dorameiro. Ao contrário do que tá na Internet, não existe nenhuma fiscalização da carteirinha de dorameiro. Por isso, você é livre pra se auto intitular ou não, depende se você quer ou não fazer parte da comunidade.

Eles vivem no meio de nós, mas são inofensivos, olha eu aqui para provar isso. Bom, a grande maioria pelo menos. Assim como tem otaku chato, fiscal da carteirinha otaku, também vão existir os dorameiros chatos e fiscal de carteirinha.

Não liga pra eles não, e seja muito bem-vinde a esse universo.

A história de como os doramas surgiram e o caminho até aqui

Você até pode achar que os doramas são um fenômeno recente, mas você está bem longe da verdade.

Os dramas coreanos “nasceram” via rádio na Coreia, por volta de 1927. A maior parte da programação era, inclusive, em japonês. Apenas 30% dela era em coreano.

Porém, após a Guerra da Coreia (1954), dramas de rádio como Cheongsilhongsil ganharam popularidade por refletirem o “clima” do país. Dois anos depois, em 1956, iniciou-se a transmissão pela televisão. O primeiro filme passado foi baseado numa curta peça de teatro, chamada The Gate of Heaven (천국의 문; Cheongugui mun).

Não muito tempo depois, em 1961, nasceu o primeiro canal de TV nacional, chamado Korean Broadcasting System (KBS). A KBS era uma empresa que já atuava faz tempo na indústria de mídia, inclusive na de rádio.

Em 1970 as televisões começaram a se espalhar pela população, aumentando drasticamente a popularidade dessa mídia. O principal tema dos dramas coreanos era, na época, dramas mais pessoais, com produções menos custosas, como Stepmother.

Gêneros que exigiam uma produção mais complexa, como ação e sci-fi, acabavam ficando de lado, por conta do baixo orçamento para produções. Então, séries desses gêneros eram importadas de países estrangeiros, como os EUA.

O primeiro grande sucesso comercial da escritora Kim Soo-hyun, foi com o drama Love and Ambition (사랑과 야망; Saranggwa yamang), que estreou mais de uma década depois de Stepmother, em 1987. A televisão em cores foi bastante responsável pelo aumento ainda maior da popularidade de doramas coreanos.

O começo da “Onda Coreana”

A partir de 1990, mais estouros na indústria vinham acontecendo, graças ao avançar da tecnologia. Eyes of Dawn é o nome de mais um sucesso comercial, dentre outros da época. Foi inclusive nos anos 90 que a exportação dos doramas começou a ficar mais forte, dando inicio a Onda Coreana.

Foi com a internet e as novas tecnologias, como a TV a cabo, que as coisas começaram a mudar em uma velocidade muito grande, o que gerou uma expansão do mercado e do alcance de mídia.

Entretanto, um ponto interessante é que a produção de doramas não era mero entretenimento na Coreia quando começou, mas funcionava também como uma fonte de educação e reforço do autoritarismo do governo coreano da época.

A partir dos anos 70, quando as pessoas possuíam TVs em suas casas, iniciou o comércio de canais a cabo e contratados, foi que os doramas ganharam sua fase de entretenimento de fato. Não é tão diferente do que foi com animes, em essência.

Portanto, os doramas também seguiram as mudanças que estavam ocorrendo no mundo, e levava isso para as suas produções e histórias.

A Onda Coreana e o alcance mundial dos doramas

Além de tudo isso, existiu a antes citada Onda Coreana, ou Hallyu, que possibilitou os doramas a alcançarem muitos países e terem boas audiências de seus programas. O sucesso do dorama Jewel in The Palace foi um divisor de águas no que se trata dos doramas, pois expandiu para além da Ásia esse mercado.

Jewel in The Palace dorama

A partir desse sucesso, em aliança com a tecnologia, a Onda Coreana cresceu e houve uma globalização dos doramas, pois agora existem plataformas online de acesso a esse conteúdo. Uma das plataformas de sucesso era o Drama Fever, que hoje em dia não existe mais.

No começo, os temas dos doramas eram referente a acontecimentos de época e contava sobre os períodos históricos que eles viveram.

Porém, no decorrer dos anos, os doramas passaram a expandir para outras histórias e outros gêneros, como romance moderno, fantasia, terror e afins.

Os K-dramas, enquanto programas de televisão, tiveram grande influência de trabalhos da cultura japonesa. Com a expansão de recursos tecnológicos e midiáticos, houve inclusive adaptações para agradar ao público coreano de produções originais japonesas.

Por exemplo o dorama Playfull Kiss, que é a versão K-drama de Mischivious Kiss, um live action japonês baseado em um mangá e anime.

A Onda Coreana começou na China, com a aceitação de alguns programas de televisão. Entretanto, a partir de 2011 os doramas se expandiram muito mais rápido e atingiram muito mais países do mundo inteiro.

No Brasil, o consumo de doramas coreanos começou em primeiro momento pelos próprios coreanos imigrantes. Contudo, os doramas agora possuem maior audiência e ganharam espaço em outros serviços de streaming como a Netflix citada na introdução deste artigo.

Valores, cultura, religião e outros aspectos que fazem os doramas terem sucesso

A maioria dos doramas apresenta e dialoga com os valores tradicionais familiares e de outros aspectos culturais, em especial os K-dramas. Embora existam doramas de outras nacionalidades, os doramas coreanos são os que ainda apresentam maior sucesso dentro desse mercado, inclusive pela qualidade das produções.

Mas, ainda sobre os valores e aspectos culturais, existe um termo em coreano que se refere a afeição humana, jeong.

As afeições humanas, no caso os relacionamentos, acabam sendo os temas centrais das produções de doramas coreanos, onde lidam com questões do dia a dia que são comuns a todas as pessoas.

Ou seja, os temas que aparecem com frequência são amizade, família, valores e amor e todos esses temas são questões pertinentes a todo ser humano, fazem parte das nossas experiências diárias.

Além disso, a cultura se permeia pela religião do Confucionismo e nos doramas existe a mistura desses valores e conceitos com o materialismo e individualismo moderno ocidental.

Kong Qiu avatar
Kong Qiu

O nome “Confúcio” foi dado por católicos, mas em origem é Kong Qiu (551 a 479 a.C.). Ele era professor e estudante, e foi um transmissor de ensinamentos que tiveram um impacto muito grande na cultura chinesa. Existem algumas diferenças e semelhanças entre as religiões orientais e ocidentais.

Um desses aspectos diferentes está no fato de não haver, no oriente, uma crença em um único Deus. Dessa forma, a crença oriental do confucionismo reside na conduta humana.

Porém, os aspectos similares são a ênfase de ambos no valor da razão, moralidade e ligação ao transcendente. O confucionismo pode ser visto tanto como uma filosofia quanto uma religião (ou ambos).

Alguns pontos do Confucionismo, vistos nos doramas, são os rituais com significado religioso, interação das forças yin-yang, relações harmoniosas, menosprezo por confrontos e práticas de vida que levem a harmonia e benevolência.

Experiências universais sem apelo provocativo e sexual

Diferente das obras ocidentais, séries e filmes, os doramas abordam diversos temas sem serem muito apelativos em suas cenas. Em especial, não existe, de maneira mais frequente do que o nosso limite permite, o uso de cenas sensuais e provocativas nos doramas, pois o foco está nas experiências universais, nas relações e afeições humanas e em questões comuns do dia a dia.

Embora possa parecer entediante, é exatamente isso que faz os doramas terem tanto sucesso com seu público (principalmente as mulheres com os de romance que não são abusivamente machistas, chegaremos lá).

Além dessa redução de apelo e provocações sensuais, também existe uma menor incidência de conteúdos violentos, e por isso fugir do que nos acostumamos a assistir, a experiência se torna marcante.

Por isso, ao entrar em contato com esse tipo de conteúdo sentimos uma estranheza inicial, pois foge de tudo ao que consumimos aqui no ocidente. A habilidade de contar histórias poderosas, marcantes, emocionantes em um curto espaço de tempo é o que torna os doramas muito atraentes.

Nesse ponto, os doramas são feitos para serem intensos e contarem algo específico. Ou seja, você não vai ver com frequência doramas que tenham mais de uma temporada, como é o caso de séries americanas que possuem maior tempo para criarem histórias e narrativas.

E aquele papo sobre machismo muito presente em doramas?

É fato que o machismo se dá presente em toda a mídia global. Vivemos em uma sociedade machista, e isso é um fato, não é questão de ponto de vista e nem reclamação de militante. Nem entro no mérito disso ser bom ou ruim (mas é ruim), porém é fato que isso se reflete nas obras.

O ecchi, gênero muito popular no Japão, é a exemplificação dessa cultura, onde a mulher é constantemente sendo tratada como objeto. Inclusive, é um dos principais e mais fracos pontos de fan-service dentro dos animes e mangás.

Em doramas, como antes disse, a sexualização não é tão presente (principalmente porque são mulheres de verdade fazendo os papéis, e não desenhos completamente desproporcionais, com cinturas de 1cm e peitos maiores que suas cabeças). O traço mais forte do machismo cultural aqui é a “autoridade abusiva”.

Quem já leu webtoons o suficiente, ou assistiu doramas o suficiente, sabe do que estou falando. Mas, basicamente, é aquele lance de o homem ter uma espécie de necessidade de controle constante (e muitas vezes abusivo) da mulher. Segura-a com força, a bota contra a parede contra vontade, obriga-a a fazer coisas que ela não quer fazer.

O sistema patriarcal também é bem evidente. Temos muitas histórias onde o “homem é quem trabalha”, e “a mulher cuida da casa”. E o real problema é a romantização de todos esses comportamentos, de forma que a mensagem subliminar que passam é a de que isso é “normal”, os homens podem e devem agir dessa maneira. Espero que eu não precise dizer que isso não é normal.

É só sobre respeito, mesmo

Poderia aprofundar muito mais aqui, porém minha ideia era só levantar esse ponto para que você, caso nunca tenha assistido ainda, esteja preparado(a) caso esbarre em alguma série que tenha traços como os descritos aqui.

Quem sabe com a Onda Coreana tomando proporções cada vez maiores e com grandes empresas como a Netflix (que aparenta ser uma empresa defensora de causas como estas) entrando no jogo, esse traço cada vez mais desapareça.

Cada vez menos as mulheres irão tolerar esse tipo de conteúdo, e isso por si só já dita o mercado. Então, é sobre “vender mais”, também. Se o público-alvo deles são as mulheres, e se de repente muitas as mulheres resolverem não consumir mais por ser ofensivo, ou então resolvam “cancelar” uma respectiva série… Estamos falando aqui de perda de capital para a empresa.

Se é o mercado quem dita as coisas… Bem, acho que fica claro que além de ofensivo, pode ser um péssimo jeito de se manter gerando capital a longo prazo.

Não é ser “politicamente correto”. Não é dizer “é cultural, e tá tudo bem”.

É só respeito, mesmo.

O lado bom é que a “intenção” por trás do uso desse elemento narrativo, “o abuso masculino”, é justamente para construir personagens otários que, pormeio da convivência e relação com as heroínas, acabam evoluindo e se tornando homens melhores.

Assim como o polêmico uso do estupro em animes, o problema não seria exatamente em usar esse elemento, mas sim em como mostrar isso para a audiência. É questão de narrativa.

Você pode complementar este tópico assistindo o vídeo abaixo (mas está em inglês):

Agora que você já entendeu tudo isso, como e onde você pode assistir doramas?

Assistir doramas, K-dramas, C-dramas e etc, é uma experiência única por diversos fatores, como o contato com idiomas, culturas e histórias diferentes. Mas onde você pode assistir?

Por meios corretos, eu recomendo o Rakuten Viki, que é uma plataforma exclusiva dos doramas! Nessa plataforma você tem acesso a diversos dramas do catálogo de forma gratuita, mas também existem as opções pagas de planos para consumir outros títulos (e o pagamento é feito em dólar no cartão de crédito).

Porém, dá para assistir em outra plataforma também, a Netflix. Cada vez mais a Netflix tem feito boas apostas em títulos estrangeiros para trazer ao seu catálogo, e isso inclui muito os dramas.

Se você veio até aqui, talvez esteja muito interessado em começar a assistir doramas. Mas a tarefa de começar nem sempre é muito fácil, e a gente pode acabar perdendo tempo enquanto tenta assistir algo que vale a pena. Por isso, vem comigo aqui ler a lista com 7 doramas coreanos para você começar, com tranquilidade e sabendo que vão ser ótimos!

Por último e para finalizar, se você ficou curioso sobre live actions de animes e mangás, e não sabe qual vale à pena assistir, confere a lista do Pedrão e vá sem medo!

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Escrito por

Amanda Franco

Psicóloga

Escritora | Resenhista

São Paulo - SP

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