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O que é filler em anime? Para que servem os fillers? Entenda sua função

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Não importa se você assiste anime há pouco ou há muito tempo, você provavelmente já ouviu falar de fillers. E provavelmente, já que não é obrigação de ninguém saber ou pesquisar sobre, você ainda não saiba o que é filler, em origem ou significado. Talvez até mesmo em função… Para que, afinal, serve um filler?

Mas, você pesquisou, e cá estamos!

Para aqueles que buscam uma resposta direta ao ponto (mais ou menos né, porque sou eu escrevendo), filler é basicamente um episódio (ou alguns episódios) de “preenchimento” dentro de anime.

Para que servem os fillers? Como assim “preenchimento”?

Em inglês, filler significa em tradução literal, “preenchimento”. Vem do verbo fill, que é “preencher”. Só que só isso não deixa claro sua função dentro de um anime.

Além de não ser claro, os motivos por trás de seu uso são vários.

Pode ser porque os produtores do anime precisavam dar uma enrolada para que o anime não alcançasse a história original (que geralmente é um mangá). “Como assim o anime ‘alcançar’ o mangá, André?“, se você se perguntou isso, leia a segunda parte do artigo. Fica a dica.

Quando você vê que entrou num filler desses

Ainda, um filler pode existir para dar profundidade para os personagens, entregando mais sobre o dia a dia, ou até mesmo mais interações dos protagonistas com os personagens secundários, fazendo com que a audiência crie mais empatia e simpatize mais com o elenco.

Além disso, os fillers servem também como “episódios comemorativos”, pois os animes acabam passando durante grandes eventos que estão acontecendo no Japão (ou as vezes no mundo, mas na maioria das vezes só no Japão mesmo). Desta forma, o episódio filler vira meio que uma “homenagem” àquela data ou evento.

one piece luffy oyabun em cima de uma arvore sakura
One Piece episódio 303

Algumas pessoas também acreditam que os fillers podem existir para explicar alguns pontos da história que não ficaram bem resolvidos no mangá.

Digamos, o diretor, junto ao roteirista do anime, decidem colocar algo ali para somar com o conteúdo do material fonte, para que, assim, o anime esteja “mais completo” que a obra original (em termos de narrativa, ou até mesmo para corrigir furos de roteiro do autor).

Agora que o pessoal que queria uma resposta direta está satisfeito, vamos à segunda parte do artigo: uma reflexão pessoal (junto com alguns dados) sobre fillers e como são utilizando dento da indústria dos animes.

Pensamentos sobre o que são fillers e sua função dentro do shonen

No passado era muito comum que os animes fossem bem mais longos (pelo menos os mais populares).

Bem mais longos. Existem alguns que começaram antes dos anos 2000 mas ainda não acabaram, como One Piece, Detective Conan e Sazae-san, dentre outros.

Esses animes, assim como foi o caso de Naruto e Bleach, são chamados de animes de audiência (ou só eu chamo assim?).

Animes de audiência visam, primordialmente, dar audiência para o anime. Ou melhor, para a marca que aquele anime representa.

O principal objetivo que vem por meio dessa estratégia é fazer o anime ficar na cabeça das pessoas“, e convencê-las a comprar produtos relacionados a marca.

Peguemos Naruto como exemplo, já que, estatisticamente, ainda é o anime mais popular no Brasil (talvez o gráfico não esteja atualizado).

Para Naruto, temos action figures, mangás, novels, roupas… Enfim, qualquer coisa que carregue a marca “Naruto dará dinheiro para os detentores daquela marca, que, no caso, costuma ser o autor daquela obra junto de uma (ou umas) empresa gigantesca.

E claro, para que tenhamos animes LONGOS, precisaremos de um material fonte também LONGO.

No caso de Naruto, temos o mangá que serve como base para o anime, porém lembre-se: mangás não são as únicas fontes para produzir um anime.

Mas é o caso na maioria das vezes.

O tal do “ritmo de adaptação” e sua relação com fillers

Quem já leu meu artigo sobre indústria da animação, já sabe que existe algo chamado “ritmo de adaptação“, e este varia bastante dependendo de qual é o material fonte do anime.

Em outras palavras, o ritmo de um anime não é igual ao de um mangá.

Afinal, faria sentido um capítulo de 20 páginas virar um episódio de 20 minutos? Não.

Sendo assim, um anime costuma adaptar, em um único episódio, mais do que 1 capítulo.

Midoriya preparando seu ataque Detroit Smash

Existem títulos como Boku no Hero Academia que em 89 episódios adaptou apenas cerca de 190 capítulos do seu original. Ou seja, basicamente uma adaptação de 2 para 1 (2 capítulos para 1 episódio).

Porém, existem outras como InuYasha, que, para quem não sabe, é uma das adaptações mais rushadas da história (ou que mais cortou coisas do original). Para você ter noção, o material original conta com 56 volumes, que somam 558 capítulos. O anime de InuYasha conta com 2 temporadas, uma de 167 episódios, e outra de 26.

anime inuyasha

A parte interessante é que a primeira parte de 167 episódios adaptou 36 volumes (uns 360 capítulos), o que não foge muito do 2 para 1 de Boku No Hero.

Porém, isso quer dizer que a segunda temporada adaptou em míseros 26 episódios os restantes 200 e poucos capítulos! Com certeza cortaram MUITA coisa.

Temos ainda casos como Yamada-kun And the Seven Witches, que em sua primeira temporada (e provável única temporada, porque, mesmo eu gostando, ficou uma bosta) adaptou 90 capítulos em 12 episódios. Isso dá praticamente uma adaptação de 7,5 capítulos por episódio. É muita coisa! Não tem como ficar bom.

Personagens de Yamada Kun and the Seven Witches

Mas, voltando para Boku no Hero, que possui um ritmo de adaptação “lento”, você não precisa ser nenhum gênio para perceber que se tivermos 1 capítulo por semana e 1 episódio por semana, mas que adapta 2 capítulos, eventualmente o anime alcançará o mangá e não terá mais material fonte para adaptar.

Como solucionar essa problemática, então?

E assim, nascem os fillers! (provavelmente)

Nesse momento é que os fillers brilham.

Os fillers estão ali para dar distanciamento do anime para com o material original, já que os fillers são histórias independentes, que não estão no material fonte (no nosso exemplo, mangá).

Dessa forma, os produtores vão continuar mantendo sua marca na cabeça do povo. E isso com produções mais baratas (porque animes de audiência costumam ser mais baratos de produzir), ao mesmo tempo que dão uma folga para o mangá se “distanciardo mangá.

Em conjunto com essas intenções, essa estratégia [uso de fillers] não compromete o tal ritmo de adaptação, pois este poderá se manter de 2 para 1, ou até 3 capítulos para 1 episódio, dependendo dos casos.

Todavia, existem produções mais toscas audaciosas como a de One Piece, que durante boa parte do anime resolveu adaptar 1 para 1. Sim, 1 capítulo em 1 episódio.

E bem, como falei antes, não tem como isso dar certo. Pelo menos, no meu ponto de vista.

One Piece tem pouquíssimos fillers, mas…

A única maneira que eles conseguiram fazer isso ficar “””bom””” foi inserir muitos minutos de recapitulação no começo dos episódios. Além disso, muitas, muitas cenas estáticas, câmeras em momentos de tensão que ficam passando durante SEGUNDOS DEMAIS na cara de CADA personagem que está na cena, até dos figurantes, só para encher linguiça…

Toda essa gambiarra para preencher os 20 minutos de episódio com apenas 1 capítulo do mangá. Para mim, um absurdo total. Fica muito chato. Tanto que dropei o anime de One Piece, mesmo amando de coração a série.

No fim, escolheram amassar e jogar no lixo um ritmo bom de adaptação, simplesmente para não termos fillers no anime.

Veja essa cena ridícula da luta do Zoro contra o Pika (spoiler de One Piece, veja por sua conta).

Cena estática atrás de cena estática, câmera no Zoro, no Pika, no Zoro, no Pika, isso tudo enquanto o Zoro está NO AR voando em direção ao inimigo… A cena dura 3 MINUTOS INTEIROS. Cansativo demais.

Animes de audiência populares que usam fillers: Naruto e Bleach!

Ainda falando sobre animes de audiência, temos casos como o de Naruto e de Bleach, que não fizeram o que One Piece fez, provavelmente para não zoarem o ritmo de adaptação, mas não fizeram muito melhor não.

Em Naruto, o problema é que a maioria dos fillers é muito, muito tosquinho. Pelo menos na fase clássica. No Shippuden até que dá para digerir alguns, acho…

Mas, em suma, não dão nem graça de assistir. É claro, não espero que rolem mortes ou reviravoltas tremendas no enredo ou coisas do tipo, mas assim… Sei lá. São fracos. É isto. Arrisco dizer que não vale à pena ver nenhum filler em Naruto inteiro.

Em Bleach, por outro lado, os alguns fillers até são legais, o problema é que a produção parecia não saber fazer um cronograma inteligente, então neste caso, DO NADA, no meio de um puta clímax, o anime entra num filler de 1 FUCKING ANO INTEIRO. Mais de 50 episódios, no meio de uma luta que era para ser o climáx da história principal… Complicado.

“A nova maneira de fazer shonen de porrada”!

Se você vivencia o mundo dos animes, por mínimo que seja, você já deve ter notado que hoje em dia não temos mais a mesma “fórmula” (ou lógica?) de produção de animes. Ou pelo menos do gênero mais popular, o shonen de porrada.

Digo, antes era muito mais comum encontrar shonenzão longos, em formato de anime de audiência. Hoje, temos o quê? Boruto, One Piece (que é antigo, na verdade) e Black Clover? Acho que só, porque até Pokémon está arriscando umas coisas novas.

Ash e Gou, visual
“Rebootzada”

Hoje em dia é muito muito mais comum vermos nossos animes de lutinha tendo adaptações que seguem as temporadas de anime do ano, possuindo, geralmente, de 12 a 24 episódios.

Dr. Stone, Demon Slayer, The Promised Neverland, Jujutsu Kaisen, Shingeki no Kyojin, Boku no Hero AcademiaTodas produções praticamente isentas de fillers.

E o motivo é simples: eles não são produzidos constantemente, toda semana, durante anos.

Os “shonenzão, hoje, possuem entre 12 ou 24 episódios

Estes novos animes são produzidos em “partes” de 12 a 24 episódios, o que permite que os responsáveis pela produção consigam manter um ritmo legal de adaptação sem precisarem usarem fillers.

Para mim, isso é infinitamente melhor por 2 motivos.

Primeiro, eu detesto a quebra de climáx que alguns fillers geram (como a saga zanpakutou de Bleach), principalmente por serem, em sua grande maioria, episódios ou arcos bem ruins. Sem sal mesmo.

Segundo, porque os animes de temporada ficam com uma produção muito mais atrativa, mais caprichada e detalhada do que os animes de audiência (pegue qualquer um dos citados no final do tópico anterior). Não é uma regra, mas funciona para a maioria esmagadora dos casos.

Ou seja: winwin!

Afinal, temos animes mais bonitos, mais bem feitos. O autor ganha tempo para escrever seu material original, e os estúdios não precisam trabalhar por anos e anos na mesma série…

É bom ter o shonen de porrada para ver toda semana? É.

Mas se eu acho que vale à pena, já que tira os fillers? Acho.

naruto bravo bem perto da câmera
Não fica puto Naruto, eu ainda te amo

Sei lá, para mim, é só vantagem. Mas eu sou um zé ninguém.

Minha expectativa sobre o uso de fillers em animes no futuro

Sendo bem sincero, eu acho que o uso de fillers irá acabar com o tempo, junto com os animes de audiência.

Digo, sempre teremos um One Piece ou Black Clover da vida passando.

Luffy sorridente, olhando para o horizonte

Só que eu acho que animes mais curtos, como Demon Slayer, Jujutsu Kaisen e The Promised Neverland, fazem muito mais sentido, mercadologicamente falando.

E todos os 5 títulos citados acima são da mesma revista, da gigante Weekly Shonen Jump.

Todos são obras com um número relativamente alto de capítulos, que facilmente poderiam virar animes de audiência se os produtores quisessem encher de fillers. Mas não parece ser este o caminho que os produtores estão rumando.

Afinal, como comentei no tópico anterior, ao meu ver, todo mundo envolvido na produção do anime sai ganhando com o “”novo”” jeito de fazer shonen de porrada (menos o otaku que quer ver o anime toda semana, pra sempre).

Acredito ainda que, com o tempo, até mesmo os lançamentos em formato de “temporadas de anime” cairão, e os animes começarão a ser produzidos exclusivamente para plataformas de streaming, ignorando o poder da televisão (que só cai com o passar dos anos), e, por isso, sendo lançados em datas estratégias, e não seguindo as estações do ano.

Posso estar errado? Óbvio. Provavelmente estou, na verdade. Lembre-se, não sou ninguém.

Mas essa é a minha opinião do assunto “o que é filler”, acompanhada de uma reflexão sobre o uso de fillers em shonen de porrada (que é onde mais vemos fillers).

E a sua? Me conta aí nos comentários! Vamos conversar.

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Host do Cúpulacast

Criciúma - SC

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