Em nossas RegrasDe3, os autores assistem os 3 primeiros episódios de um anime novo lançado na respectiva temporada. Após isso, eles escrevem uma análise sobre esse começo da obra, sendo uma espécie de primeiras impressões. Fique atento: a RegraDe3 é uma visão baseada APENAS nesses 3 primeiros episódios, NÃO sobre o anime inteiro.

Ousama Ranking me impressionou. E já começo assim porque eu esperava muito, afinal, foi a nossa GRANDE escolha no meio de todas as escolhas trovejantes. Para elucidar, foi uma vitória completa e fatal de quando votamos aqui, no nosso time da Cúpula, quem seria o queridinho da temporada.

Enfim, some essa informação ao fato de que é animado pelo estúdio Wit, o mesmo que fez Shingeki no Kyojin, e tenha toda essa expectativa. Aliás, pode criar expectativas à vontade, porque eu duvido muito que Ousama Ranking vá te decepcionar. Ou ME decepcionar, para ser mais específica.

Antes de explanar qualquer coisa que eu ache a respeito do assunto, gostaria de dizer que já estou cotando Ousama Ranking como uma das possibilidades de anime do ano na nossa premiação, o Cúpula Awards. Já estamos quase acabando o ano, então é bem possível que seja, de fato, a grande escolha. No entanto, também não posso ser tão mesquinha, afinal, temos todo um time pronto a decidir.

Todavia, como sou estudante de Direito (e, futuramente, formada – por favor, torça daí), vou advogar em favor desse anime. Meu irmão, o que foi isso em só três episódios?

Bojji, personagem principal de pele clara, olhos de cor preta e cabelo preto. Está vestindo uma roupa azul.
  • Gênero: Aventura, Fantasia
  • Estúdio: Wit Studio (Shingeki no Kyojin, Vinland Saga)
  • Material: Web mangá
  • Onde assistir: Funimation
  • Novos episódios: Quinta-feira

“A história de um menino surdo que quer ser rei!”

Essa é a principal história de Ousama Ranking. Quer dizer, não exatamente nesses termos, mas é um bom resumo. Bojji é um menino muito sensível que é filho de um grande rei doente. E, bem, como é o filho mais velho, seria naturalmente a pessoa mais cotada ao cargo.

Entretanto, a história se ambienta em um período meio medieval, com uma carinha de aventura histórica. Se hoje, existe preconceito com pessoas surdas, imagine anteriormente! Todos apontam milhares de dedos a Bojji e dizem que ele nunca poderá ser rei.

Bojji lutando com um bastão de madeira em ousama ranking
Fight, Bojji!

Ele decide que será, e é isso! Bojji caminha rumo ao seu sonho de ser rei, e acaba, já no primeiro episódio, encontrando uma sombra, cujo nome é Kage (que significa sombra, mesmo, em japonês). Kage, inicialmente com intenções escusas, passa a se afeiçoar ao menino e a criar laços de amizade com ele.

Bojji e Kage se tornando amigos pela primeira vez

Ousama Ranking é, portanto, uma aventura sobre o mundo de Bojji e seu amigo Kage e sobre as perspectivas de ser um rei – ou de ser um princípe surdo. E, cara, como essa perspectiva transforma a história e dá uma vida completamente diferente aos personagens!

A sensibilidade do protagonista de Ousama Ranking

Quando falamos em personagens surdos, a Shouko Nishimiya, de Koe no Katachi, surge magicamente na nossa cabeça. Pelo menos para aqueles que viram o filme, sabem a potência que ele tem quando fala sobre bullying e sobre inclusão de pessoas surdas.

Eu amo Koe no Katachi, e chorei muito. Mas Ousama Ranking pegou aquele sentimento que eu tive e repetiu nos três episódios. É impressionante como a história pretende ressaltar que, mesmo sendo uma pessoa de grande importância, como o Bojji é, possuir uma deficiência faz com que os outros te olhem de forma diferente.

Bojji, apesar de não ser um surdo oralizado (que é aquele que consegue viabilizar a fala), tem muitas outras formas de se comunicar com o mundo: por linguagem de sinais, por leitura labial e leitura corporal, inclusive. Ele é extremamente atento ao que as pessoas sentem, fazem e falam.

mestre de armas fazendo linguagem de sinais para o bojji
Há algumas pessoas na corte que utilizam língua de sinais para comunicação!

Tendo isso em vista, Bojji SABE o que falam dele e da sua condição, e ainda assim pretende ser rei. Ao passar por todos os olhares e fofocas, mantém sua postura alegre, mas chora assim que se vê sozinho.

E, sinceramente, não vejo nada mais humano do que isso. Nós, eventualmente, em alguma vez na vida, fingimos que não nos importamos, para depois chorarmos sozinhos. É humano demais, e é o que me prendeu de primeira.

Eu tive muita, mas MUITA vontade de abraçar o Bojji detrás da tela. Ele é tão vulnerável, e, ao mesmo tempo, tão forte e tão maduro, que faz a gente se questionar sobre quão bom é ser criança, e o quão sinceros nós já fomos um dia com os nossos sentimentos. É um protagonista completamente atípico e totalmente cativante.

Deixe-me ser nerdola um pouco…

Inclusive, vou deixar aqui um super ponto fora do tópico, mas que pode agregar na vida de alguém: quando o surdo não oraliza, não devemos chamá-lo de “surdo-mudo”, porque ele não é mudo.

Os surdos têm algum tipo de incapacidade com relação à audição, e não com relação à fala. Só falamos que uma pessoa é muda quando ela tem algum desvio no seu aparelho fonador, ou seja, nos órgãos e estruturas do corpo que produzem a fala.

Portanto, por isso falo que o Bojji é um surdo não oralizado! Ele provavelmente nasceu surdo e cresceu com essa condição. E, por isso, torna-se mais difícil de pronunciar as palavras como nós pronunciamos. Mas ele pode perfeitamente falar, sem nenhum problema.

Contudo, não tenho certeza ainda se ele nasceu com essa condição, porque não sabemos de toda a história, mas se for o caso, é incrível que ele consiga realizar leitura labial tão fácil. Vai, Bojji!

Sobre a ambientação e os demais personagens de Ousama Ranking

Também são incríveis! Acho impressionante como o Wit Studio consegue imprimir muita personalidade nos designs e nas colorações que eles realizam nos animes, e Ousama Ranking também não perde nem um pouco.

Os personagens e o cenário são todos cartunizados, como se fossem feitos em papel machê, dando uma sensação gostosa de infância.

E a estabilidade da arte permanece mesmo com uma animação fluida. Que trabalho, viu?

Os outros personagens que envolvem a narrativa terão seu espaço, e isso ficou bem claro nos episódios 2 e 3. No segundo, a história do Kage é contada – e dá para ver por que ele se importa tanto com o Bojji. No terceiro, a história da madrasta do Bojji com a chegada no palácio também tem seu palco.

E todas elas convergem para nosso incrível protagonista. A direção deixa cristalino como as peças se entrelaçam, e como o carisma dele atinge as pessoas, uma a uma.

Apesar da jornada ser importante, o mais importante aqui é como o nosso pequeno príncipe se relaciona com os outros. Com amor, com benevolência e com paciência, grandes características de um rei.

Ao conhecer Kage, que seria uma sombra assassina, Bojji entrega suas roupas e se deixa ser roubado. Ele não liga; ele quer fazer um amigo. Quer saber dos motivos de Kage, quer entendê-lo de verdade. Quer ser um Rei que compreende seus súditos e que não precisa brandir a espada.

E, para não entregar demais, nesses três episódios já aconteceu bastante coisa. Muitas lutas, reviravoltas inesperadas e muitas discussões a respeito de amizade, família e inclusão social. Na disputa pelo trono, Bojji vai passar por muitos problemas que o dinheiro não pode solucionar.

Finalizando as primeiras impressões de Ousama Ranking

Estou muito feliz por ter sido sorteada com essa honraria de escrever sobre o provável melhor anime do ano, mas também um pouco triste de saber que nada que eu fale aqui chega aos pés de assistir a essa obra incrível.

Nem preciso comentar que você DEVE assistir, é um must-watch total para já ir finalizando a última temporada do ano. Se quiser, deixa juntar os 23 episódios, quem sabe, e assiste tudo de vez depois, também. E se ainda não está convencido, assista ao primeiro episódio e veja o trabalho ABSOLUTAMENTE INCRÍVEL de animação que esse projeto está tendo.

É provável que você se cative por outros aspectos. Pode se cativar pela trilha sonora, pela direção de arte ou pela história em si, até porque não é comum vermos histórias medievais (muito menos de protagonistas surdos) em anime. Então, só vai. Vai ter algo para você.

Fantasia, aventura, drama familiar, crescimento pessoal… tem de tudo um pouco. É para todos os públicos, então nada de bundas de meninas enquanto você tenta ver algo legal com a família. Chama todo mundo para o sofá e venha ver nosso pequeno príncipe (responsável demais por ter nos cativado) em ação.

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Escrito por

Helena Nunes

Estudante desesperada

Revisora textual | Cantora de chuveiro

Campos - RJ

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