Análise

O filme de Bunny Girl Senpai é bom? Vale a pena assistir? | Crítica

Mesmo sendo um filme, continua sendo “apenas” mais Bunny Girl, e continua bom
18 minutos para leitura
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no pocket

Seishun Buta Yarou wa Yumemiru Shoujo é o nome do filme de Seishun Buta Yarō wa Bunny Girl Senpai no Yume o Minai. Eu simplesmente adoro esses títulos ridiculamente grandes, mas vou chamar a obra em questão aqui de “filme de Bunny Girl“, para o bem da saúde mental de quem está lendo e dos meus dedos.

Bom, indo direto ao ponto, o filme de Bunny Girl é uma continuação direta do anime que adapta a obra original escrita por Hajime Kamoshida, que foi ao ar não muito tempo atrás. Até comentei aqui na Cúpula sobre ele, inclusive.

O longa adaptou os volumes 6 e 7 da light novel. Sendo assim, um filme canônico, ou seja, que faz parte ou tem ligação direta com a história principal. Esse fator por si só já é um bônus para o filme, vale dizer.

Apesar de eu já ser um fã de Bunny Girl por conta da relação dos protagonistas, eu continuo sendo um fã ainda maior de Steins;Gate, ou seja, de obras que não te tratam como um bobão.

Nesta análise irei tratar sobre como esse filme-anime-disfarçado é cativante e pode te emocionar, mas ao mesmo tempo é sem nexo e covarde.

Começando do começo…

Na primeira temporada do anime, a personagem Makinohara Shouko é introduzida na rotina do protagonista, Azusagawa Sakuta.

Apesar de não ter sido explicado de maneira completa na série (de maneira proposital), ficou claro para nós, a audiência, que a Shouko-chan também sofria da tal “síndrome da adolescência”. E esse novo filme de Bunny Girl foca na Shouko e na sua problemática.

Makinohara Shouko, do filme de Bunny Girl

A síndrome maluca pseudo-ciêntifica-sobrenatural afetou a garota de modo que ela vivia seu presente, seu passado e seu futuro ao mesmo tempo.

Ou seja, ao mesmo tempo que seu “eu do passado” estava no passado, ele também estava no presente, só que também no futuro.

Não entendeu? Nem eu. E um dos problemas está ai, mas tratarei sobre isso mais a frente.

Em cada período temporal, a garota sofria uma mudança evidente de aparência, o que tornava mais fácil saber se o Sakuta estava sendo assediado por uma garotinha do fundamental ou por uma adulta da faculdade.

Makinohara Shouko, com guarda chuva criança
Makinohara Shouko e Sakuta, na chuva, em Bunny Girl

Não vou entrar em detalhes sobre a síndrome em si, pois já o fiz o suficiente na minha análise da 1ª temp. Focarei aqui neste review em justificar a ultima sentença que coloquei na introdução.

Sendo assim, vamos por partes…

“Cativante”

O filme de Bunny Girl, por ser mais um anime mascarado de filme e por seguir exatamente a mesma lógica e interação de personagens da primeira temporada, acaba por agradar qualquer pessoa que tenha gostado da primeira temporada.

Foi muito gostoso reaver os personagens e eles interagindo entre si, porque em Bunny Girl temos laços de amizade e de namoro muito maduros.

Sakuta e Mai, de Bunny Girl
Sakuta e Mai, na primeira temporada de Bunny Girl

Com destaque para o namoro, porque o relacionamento da Mai e do Sakura, o casal protagonista, é de abrir um sorriso de orelha a orelha de tão bacana que é acompanhar a forma super não padrão-shoujo-japonês de ser, onde geralmente teríamos pessoas coradas simplesmente ao olhar para a cara um do outro.

Sendo assim, poder vê-los novamente, junto de seus colegas e até mesmo com uma nova personagem sendo desenvolvida, a Shouko, foi bem gratificante, empolgante e curioso.

“Pode te emocionar”

Felizmente, o longa tem um plot super pesado e um potencial incrível para o drama, e isso me deixou muito contente.

Ver algumas das peças se encaixando, tais como a síndrome do Sakuta finalmente ser explicada e ainda ter uma relação profunda com a da Shouko, com a garota que fora seu primeiro amor, deixou a trama bem sufocante, porém chamativa.

Tivemos diversos plot twists durante o filme, e, apesar de o autor continuar usando e abusando do mau uso da suspensão de descrença (pelo menos na minha opinião), algumas das revelações são bem impressionantes e me deixaram na ponta da cama enquanto assistia.

Como mencionei, o plot pesado favoreceu a aparição de um outro lado dos personagens: um lado mais frágil, mais humano.

Filme de Bunny Girl, Sakuta Chorando
“Essa parte eu me arrepiei demais”
Filme de Bunny Girl Mai chorando
“E nessa também”

A melhor parte é que o filme de Bunny Girl entrega essa empatia de forma bem coerente e tocante, principalmente quando vemos a própria Mai caindo de joelhos e chorando por conta de uma situação triste e inusitada. A cena da Futaba mais ao final da obra foi que rachar o coração também.

Contudo, como sempre, nem tudo são flores…

“Sem nexo”

E, infelizmente, cá estou eu novamente decepcionado com o quão cara de pau o autor consegue ser entregando, novamente, soluções completamente pseudo-físicas para os fenômenos que ocorrem ao longo da obra.

Eu já deixei bem claro que eu detesto quando uma obra não consegue trabalhar dentro do que ela se propõe a entregar.

Citei isso no review da primeira temporada e até mesmo em algum Cúpulacast (provavelmente já citei em mais lugares também, rs.).

O principal problema para mim em Bunny Girl é que a obra não consegue se decidir se trilha um caminho sobrenatural ou um sci-fi.

Novamente, nesse filme-anime, tivemos explicações super sem nexo, passadas em diálogos de alta velocidade e que se inspiram em teorias físico-quânticas largadas e jogadas.

O meu problema não é com fatores sobrenaturais ocorrendo, e quero que isso fique claro. O meu problema é citarem essas teorias como explicações como soluções lógicas para eventos que, evidentemente, são sobrenaturais.

Sakuta-e-Futaba-em-Bunny-Girl
“Estou sendo duro demais? Hmmm, talvez?”

Na prática, as teorias citadas no filme são usadas para realizar estudos e formas outras teorias na vida real, porque, na vida real, elas fazem sentido e trilham dentro do que é possível perante suas idealizações.

Contudo, na obra, elas são simplesmente citadas de modo que parece que o autor quer mostrar que ele tá tentando relacionar o universo de Bunny Girl com a realidade, mas, na verdade, ele não liga muito em explicar a maneira como os fenômenos ocorrem de fato.

Os fatos que acabei de citar são um problema, mas não um problemão. O que mais me incomoda vem agora: eles mexeram com um ponto muito delicado para mim, chamado “viagem temporal”.

E lá vamos nós novamente…

De longe, a síndrome que mais me causou desgosto na primeira parte do anime foi a da Koga e o Demonio de Laplace, e, agora, no filme, sou obrigado a enfrentar outra síndrome que trata sobre linha do tempo ou coisa parecida.

Já deixei claro algumas vezes, tanto em artigos como em podcasts, que sou fã de obras como Steins;Gate. Ou seja, de obras que se preocupam em fazer seu universo inteiro fazer sentido. Steins se preocupou tanto que inclusive precisou de 2 diretores (e alguns roteiristas) para conseguir entregar uma linha temporal que fizesse sentido.

Steins-Gate-citação-no-review-do-filme-de-Bunny-Girl com elenco
“Não viu ainda? Tá moscando.”

Sendo assim, acho um descaso total para com a audiência quando autores como o Kamoshida-san entregam soluções sem nexo e mal explicadas para as problemáticas que ele mesmo criou.

É sério, eu não consigo entender por que esse cara não optou por simplesmente, no começo da história, tipo na primeira página da light novel mesmo, ter introduzido um mundo onde é evidente que ocorrem coisas sobrenaturais, como vemos na série Monogatari.

Ao fazer isso, as pessoas simplesmente comprariam a ideia de que aquelas coisas podem sim acontecer naquele universo.

Com uma introdução bacana, ele poderia até continuar usando as teorias que ele já vem utilizando para “tentar explicar” os fenomenos sobrenaturais.

Como já disse, seria compreensível, afinal, quem estivesse consumindo a obra já estaria anestesiado com um mundo que não é o nosso “mundo real”, onde coisas assim não acontecem (até que se prove o contrário).

Porém, em momento algum na obra qualquer personagem trata isso como um fenômeno sobrenatural. Todos eles fazem questão de simplesmente acreditar que aquelas coisas são realmente possíveis num mundo normal como o que eu e você, leitor, vivemos.

E isso eu não consigo comprar. Peço perdão.

“Covarde”

Chegamos então na parte que de longe foi a que mais me decepcionou na obra.

Ah, não se engane com o subtítulo anterior, afinal, eu já manifestei o suficiente meu desgosto pelo autor agir com descaso para com o universo que ele mesmo criou.

Em Bunny Girl, eu continuo achando que os personagens são tão maneiros e suas relações tão ricas, que esse fator que me decepcionou no filme é até que possível de engolir.

Pessoas que não são chatas como eu nem essa covardia como um problema, na verdade.

“Eu sou o Carl na vida”

Contudo, essa parte “covarde” do filme me obrigou a passar meu ponto de vista para que você, caso já tenha assistido (porque terão spoilers), reflita sobre.

Sabe em Dragon Ball, quando temos lutas e mais lutas, gente morrendo atrás de gente morrendo, mas sempre temos as Esferas do Dragão para reviver o Kuririn?

Ou então em Nanatsu, que sempre que o meliodas está prestes a perder o combate, é revelado que ele tem AINDA MAIS PODER SELADO e vence a batalha?

Ou ainda em Fairy Tail, onde temos absolutamente zero consequências para os mocinhos e para os vilões, mesmo que eles estejam se enfrentando em “batalhas até a morte” em todos os arcos?

No filme de Bunny Girl, evidentemente não veremos o Sakuta lutando conta o Vegeta, lutando contra os 10 Mandamentos ou muito menos caindo sem querer nos peitos da Lucy.

Contudo, infelizmente, graças à péssima, triste e covarde escolha do autor, o filme inteiro de Bunny Girl não serviu para nada. Nada. E eu vou tentar provar.

Ficou confuso?

O motivo dessa afirmação é bem simples: a trama inteira se desenvolveu em cima do Sakuta tentando salvar a Shouko.

Após alguns plot twists aqui e ali, descobrimos que aqueles cortes no peito dele existiam porque, na verdade, a Shouko criança recebeu um transplante de coração do Sakuta, pois o Sakuta estava destinado a morrer muito em breve.

Acontecem diversas coisas ao longo do filme, e, após baboseira científicas largadas e diálogos ótimos e engraçados, o Sakuta se encontra num dilema: salvar a si mesmo e não magoar a Mai para sempre, ou deixar o destino assumir as rédeas e ele morrer para que a pequena Shouko pudesse viver.

BINGO! Isso era simplesmente incrível, profundo e reflexivo. Caramba, se imagine numa situação dessas. O que você faria?

O longa me fez refletir muito sobre por quem eu daria a minha vida, e quem sofreria após tal decisão?

Me pegou em cheio!

Foi bem colocado, bem feito e muito bem dramatizado.

E o filme se desenvolve inteiramente para fazer o Sakuta, o protagonista, poder tomar a decisão. A relação dele com a Mai se aprofunda, mais sobre a Shouko é mostrado, até mesmo seus outros amigos tem participações significativas nessa escolha.

Ele toma uma decisão. Mas se arrepende, e toma outra decisão. Ambas impactantes, profundas e difíceis.

Meus amigos, parabéns. Até ai, sensacional.

Eu tinha ADORADO o filme, mesmo que ainda ajam fatores que deixaram a desejar na parte técnica (que comentarei abaixo) e no que diz respeito a suspensão de descrença.

Porém, nada é perfeito. O autor PRECISAVA jogar, sem absolutamente NENHUM MOTIVO, todo o jogo de reflexão e drama que o protagonista passou no lixo.

Como ele fez isso? Simplesmente tirando todo o peso das consequências das escolhas do Sakuta dos ombros dele, através de uma cena final covarde mostrando que a garotinha havia sobrevivido mesmo com o Sakuta tendo tomado a árdua decisão de viver por ele mesmo e pela Mai.

Decepção.

Filme de Bunny Girl, Sakura e Mai na praia vendo a Shouko
“Não me olhem assim…”

Parte técnica

Esse longa foi basicamente um anime normal disfarçado de filme, e isso foi completamente perceptível graças ao fato de animação, o background e a trilha sonora não terem se destacado em nada quando comparada a primeira temporada da série.

Geralmente em filmes de anime, o mínimo que se espera é que a produção entregue uma obra com uma qualidade técnica de teor elevado, pois as pessoas estão indo ao cinema ver essa parada. Logo, você precisa fazer isso valer a pena.

O filme é não fala por si só, desta forma, é obrigatório que o espectador tenha assistido a série principal para entender e gostar do filme.

Ainda, o longa não tem quesitos técnicos voltados para a animação, trilha sonora ou backgrounds maravilhosos como vemos em outros filmes de animes por aí.

Contudo, o elenco continua ótimo, e não é como se a qualidade técnica da primeira temporada tenha sido ruim. Ela foi acima da média, então deu para o gasto.

Finalizando…

Adoro reler meus reviews e perceber como parece que eu fico puto e os lados negativos são enaltecidos demais.

Sakuta e Mai, de Bunny Girl
“Me sinto sendo agredido verbalmente por você leitor. Igual o Sakuta pelas garotas”

Peço perdão por isso pessoal, mas eu realmente considerei muito bem os pontos “cativante”, “pode te emocionar”, “sem nexo” e “covarde”.

E, no fim das contas, a relação madura e fora da curva do casal protagonista continua se sobressaindo. Mesmo que o final tenha sido de se jogar no lixo, na minha opinião.

A relação dos personagens continua bacana, e ainda é refrescante de olhar. O desenvolver do filme foi excelente, mesmo com explicações boçais que eu ainda não consigo engolir (mas consigo tolerar).

Os plot twists realmente me chamaram a atenção, e eu realmente obtive um ótimo entretenimento assistindo o filme.

Não acho que Seishun Buta Yarō wa Bunny Girl Senpai no Yume o Minai esteja no nível “guilty pleasure“, mas, certamente seria uma nota 9,5+ se trabalhasse dentro do sobrenatural e não de explicações que são feitas para não fazerem sentido.

Mas eu realmente detestei a escolha “covarde”. E eu gostei menos que dá primeira temporada. Sendo assim, ficarei com um…

Nota
7.0

/10

Meu problema não é com o sobrenatural. Meu problema é que o mundo deles é introduzido como um "mundo comum", mas ninguém questiona a síndrome da adolescência.

Escrito por

André Uggioni

Co-Fundador

Editor-chefe | Host do CúpulaCast

Criciúma - SC

Gostou do artigo?

Comente abaixo sua opinião sobre o assunto e convide o autor da postagem para conversar!
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Ao navegar nele você está aceitando nossa política de privacidade.