Análise

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba é bom? Vale a pena? | Crítica

É definitivamente uma obra de arte o que fizeram com o mangá de Demon Slayer
19 minutos para leitura
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Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba. Esse é o nome do anime de temporada que gerou o famigerado “efeito manada” mais descomunal que eu já vi na minha estrada de otaku.

Sem sombras de dúvidas essa obra foi a mais “hypada” pelas pessoas durante seu lançamento. Até houveram títulos como Vinland Saga e Dr. Stone que tentaram roubar os holofotes, mas é inegável a superior popularidade que Kimetsu conquistou.

As pessoas estão defendendo com tudo o que tem esse anime.

Todavia, me pego pensando se esse shounen de batalhas é mesmo um título que merece toda essa notoriedade? No caso, se ele faz jus a toda essa fama que conquistou, ou melhor, será que ele merece tal repercussão?

SIM. ELE MERECE. TUDO ISSO E MUITO MAIS, INCLUSIVE.

Por meio desta análise irei provar meu ponto a você, trazendo motivos que explicam o porquê de a adaptação para anime de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, que deriva do mangá homônimo escrito pela Koyoharu Gotouge, ter feito tanto sucesso.

O plot de Demon Slayer

Começo adiantando que a magia hipnotizante de Demon Slayer não está no plot.

O motivo é simples na verdade. Já existem uma porrada de obras japonesas que trazem os monstros chamados “Onis” como vilões. Sabe, aqueles demônios japoneses.

Onis Estilosos da parede, em Demon Slayer
“O famoso trio parede dura”

Em Kimetsu, estes seres atuam como sendo os clássicos bad guys do rolê. Eles agem por impulsos instintivos que os levam a devorar humanos para saciar sua sede de sangue, bem como ficarem mais fortes.

Além disso, a Jornada do Herói está escrachada na série inteira. Desta forma, em termos de roteiro, o anime trabalhou super dentro do esperado para um “shounenzão”.

Ou seja, Kimetsu não traz fortes plot twists como vemos em animes mais “cult” e excêntricos, como Yakusoku no Neverland.

Mas então, o que é que prendeu tanta gente em Demon Slayer?

Tanjiro enaltecendo a Nezuko em Demon Slayer
“Não Nezuko, não é só você o motivo do sucesso todo”

Começando do começo…

Em Kimetsu, o protagonista é Kamado Tanjiro, um garoto de alma puríssima (até demais, talvez) que levava uma suada e esforçada vida para pôr comida na mesa de casa para sua mãe e irmãos.

Bom, pelo menos até todos eles serem cruelmente massacrados.

Após o triste fato, Tanjiro, desesperado, percebe que uma de suas irmãs mais novas ainda estava com o corpo relativamente quente.

Angustiante por uma chance de salvá-la, nosso herói a pega e corre para buscar ajuda, descendo a montanha nevosa onde moravam.

Infelizmente, no meio do caminho, Nezuko (a irmã mais nova), se mostra estar diferente. Bem diferente. A garota havia se transformado em um Oni, e, para um desespero ainda maior de Tanjiro, ela começa a atacá-lo.

Nezuko Oni Chorando em Kimetsu no Yaiba

Devido ao amor a irmã (amor fraterno, ok?), o protagonista se recusa a matá-la. Na verdade, ele se atreve até mesmo a defendê-la de um Exterminador de Onis que surge e para dar um fim à “garota”.

Após uma conversa um tanto quanto provocante, porém incentivadora, Tanjiro decide se tornar um Exterminador de Onis. A ideia era começar a caçar os malditos monstros atrás de vingança, e, um dia, conseguir transformar sua irmã em humana novamente.

Ok. Nada de novidade até aqui em Demon Slayer, certo?

Realmente, é possível perceber que não temos nada demais até então.

Mas pensa comigo: Naruto indo atrás do Sasuke, Edward e Alphonse indo atrás da pedra filosofal, Midoriya querendo se tornar o maior herói de todos.

Todos encontrando seus respectivos mestres, recebendo seus respectivos chamados da aventura, enfrentando suas respectivas dificuldades e ficando mais fortes através de tropeços, para que no fim, tudo dê certo e eles voltem para casa transformados.

Resumindo, a clássica Jornada do Herói. Em Demon Slayer, não é diferente. E você sabe disso.

Porém, não interprete isso como um ponto negativo. Eu (e a maioria das pessoas) gosto dessa fórmula quando bem utilizada, e Kimetsu fez isso com êxito.

A partir de agora, explico o porquê.

O começo da magia de Kimetsu!

Vou começar comentando sobre como os personagens de Demon Slayer são construídos, porque é aqui que a magia começa a acontecer, já que como já introduzido, o plot não é algo muito inovador por aqui.

O núcleo de protagonistas é formado por Tanjiro, Inosuke e Zenitsu. Ele funciona muito bem, pois temos 3 das personalidades mais clichés do mundo dos shounens: o puro, o violento e o medroso.

O evidente líder calmo, mas as vezes cabeça de vento, Tanjiro; o berrão chorão, mas que na verdade é forte e teve uma infância árdua, Zenistu, e, por fim, o cabeça quente que vive estressado e que não sabemos muito sobre porque ele só parece um animal, Inosuke.

A maneira como o relacionamento desses três se desenvolve ao longo do anime é gratificante de acompanhar, pois deixa bem claro que eles são personagens com bagagem, porém, que ainda tem muito a aprender com sua jornada.

Os tres protagonistas de Kimetsu deitados num episódio de Demon Slayer

A narrativa entrega uma interação muito evolutiva ao longo dos episódios, pois você realmente sente a amizade e a parceria entre eles crescendo.

Basta comparar o arco da mansão com o da montanha das aranhas, e depois, o da montanha com o arco final da temporada. A mudança é gritante e muito satisfatória, pois realmente se vê uma amizade crescendo aos poucos.

Para não deixar passar em branco na questão “evolutiva”, a progressão de poder dos protagonistas se mantém bem equilibrada para com os inimigos.

Ou seja, não temos (muitas) coisas sendo introduzidas do nada para resolver os problemas. Até tiveram uns pontos onde golpes foram “tirados do nada”, porém a narrativa deu cabo de explicar isso previamente, então meio que deu pra engolir tranquilamente.

Na verdade, eu consegui aceitar muito bem a maneira de onde os “poderes” deles vem, não sei vocês. Achei convincente e única.

Complementando o feitiço…

Quase todos os personagens tem seus pontos positivos e negativos bem explícitos, sendo quase um livro aberto a audiência.

Na boa, fica tão evidente a personalidade de cada um que chega a parecer que tem um narrador te explicando. Mas bem, eu disse quase todos.

Em Demon Slayer, temos sim personagens misteriosos e que não são explícitos assim.

A maioria dos personagens que não compõem o núcleo principal aparentam ter certa profundidade.

O anime faz questão de deixar vários pequenos mistérios e pistas indicando que ainda dará para ir muito além na desenvoltura dos personagens e do universo ali proposto.

Acredito demais no potencial da autora em conseguir desenvolver bem e entregar algo de altíssimo nível. Tudo porque, até agora, os personagens de fora da trama principal que tiveram destaque, como o Urokodaki e a Shinobu Kocho, foram bem aproveitados.

Kocho, de Kimetsu no Yaiba
“Best girl alert”
Shinobu e Tanjiro, exame medico em Demon Slayer
“Best girl alert 2”

Inclusive, até chorei numa cena com o Urokodaki. Aposto que você sabe de qual eu estou falando.

Foram poucos os secundários aprofundados, afinal, foi uma temporada até que com um ritmo lento. Mas ainda não é aqui que mora o principal dessa obra de arte.

Adicionando tempero em Demon Slayer…

Em Kimetsu praticamente todos os inimigos relevantes tiveram profundidade em devidas proporções, dando aquele ar de pena por meio da empatia.

Na verdade, o roteiro deu a entender que a maioria deles se tornou um Oni por necessidade ou por arrependimentos.

Quanto à essa parte, confesso que eu achei um pouco demais tal “humanização dos Onis”, porque, no fim, me pareceu que todos eles eram “do bem” por dentro – até mesmo os mais perigosos e amedrontadores.

Às vezes ter vilões maus de verdade é algo que agrega tensão e carisma à persona do antagonista, pois instigaria o telespectador a querer saber mais sobre ele. O que o motiva, sabe?

Entretanto, quando levamos em consideração a originalidade dos inimigos, tanto no character design, quanto em suas habilidades únicas, que vão de bolas malucas da destruição até tambores que fazem o teto virar chão em segundos.

Essa abordagem única foi algo que me pegou demais na série, pois as soluções encontradas para os problemas fizeram muito sentido dentro do que fora introduzido até o momento crítico.

Além disso, todos os vilões meio que serviram para algum tipo de lição para o protagonista, seja essa lição voltada para “não somos todos maus” ou algo mais simples, como “o último chefão é pica”.

Em Demon Slayer, os combates não foram só combates sem sentido, e isso me agrada.

O elemento X de Demon Slayer, talvez?

Meruem, de Hunter x Hunter, é um vilão que trabalhou muito o famoso ponto de vista ideológico e subjetivo.

Digo, do ponto de vista dos humanos ele é 100% mau, porém, se você parar para analisar, ele simplesmente segue a lei do mais forte de Freeza.

Desta foma, o rei das quimeras de HxH lutava por seus ideais (que faziam sentido, até) e vivia se aprimorando, física e psicologicamente falando.

Graças a fatores como esse que ele se tornou um dos mais icônicos vilões da história dos shounens de batalha.

Em Demon Slayer também temos um vilãozão, e ele se chama Muzan Kibutsuji. Com base no que foi passado nessa primeira temporada, Muzan me parece que será um Meruem 2.0, e isso me deixa muito ansioso e esperançoso. Afinal, eu acredito muito no potencial dessa história.

Muzan foi introduzido de uma forma misteriosa, depois, se mostrou ser muito poderoso e que tem de fato raiva dos humanos. Mais ao final da história, vemos outra faceta dele, que prova que ele é mau mesmo, de verdade.

Talvez tão mal para os humanos quanto para os Onis, inclusive. Esse fator “mistério/maldade” me atrai bastante na introdução de um bom vilão.

Somando isso com toda a confiança que estou botando no que Kimetsu promete ser, eu acredito que Muzan se desenvolverá tão bem quanto Meruem, o que o tornará num antagonista icônico dentro do mundo dos battle shounens.

Kibutsuji Muzan, o Michael Jackson de Demon Slayer"
“Me recuso a fazer piada de Michael Jackson”

Mas o Muzan, apesar de promissor, ainda não é o elemento secreto de Demon Slayer…

A parte técnica é, de fato, o elemento X em Kimetsu

Agora sim, é aqui que o bicho pega.

O estúdio responsável foi o ufotable, que conseguiu manter o elevadíssimo nível de trabalho que vem entregando na franquia Fate ao longo dos anos.

A trilha sonora é muito bem dosada e expressa com maestria todos os sentimentos que a cena quer passar, complementando a narrativa de modo que te inspira, marca e emociona.

As aberturas e encerramentos são incríveis. A música da LiSA, da abertura, foi até mesmo premiada recentemente. E a famosa música do episódio 19, cantada por Nami Nakagawa, ganhará até um single.

A ost composta pelo Go Shiina ficou caprichosa demais, e merece toda a atenção desse âmbito sonoro.

O tema dos personagens é muito divertido e brinca com a personalidade deles. Mas, falando em temas, o destaque vai para a música que toca nos momentos de tensão. Essa aqui. É de arrepiar os pelos de onde eu nem sabia que tinha pelos.

A paleta de cores é super vívida e bem colorida, tanto na ambientação, quanto nos personagens. Tudo conversa muito bem com a trilha e com o background.

Algumas cores são tão chamativas que chega a ficar meio fora do contexto “padrão era Taisho”. Mas, qual é, estamos falando de um shounen aqui. Por isso, funciona. E funciona bem.

A narrativa é suportada de maneira magnífica por jogadas de câmera muito bem utilizadas. Inclusive, temos muitos takes em primeira pessoa, o que deixa a imersão mais completa profunda, colocando você no lugar do personagem, pronto para enfrentar uma nova difícil situação.

Palmas para o diretor, Haruo Sotozaki.

Se não bastasse todo o capricho descrito, agora é o golpe final!

Contudo porém todavia, sem sombra de dúvidas, a animação de Demon Slayer é fator que mais chamou a atenção no anime.

A fluidez das cenas de ação somanadas a transição de movimentações de profundidade com um CGI perfeitamente aplicado ficaram impecáveis.

Além disso, a coreografia das lutas deixou o anime definitivamente isolado na primeira colocação de “animação de anime de batalhas” que eu já vi. Pelo menos dos que eu consigo me recordar.

As únicas obras comparáveis sejam as da própria série Fate, que também são do ufotable, ou One-Punch man (primeira temporada, rs).

Todavia, neste último, a animação tende mais para um lado “Dragon Ball”, com poderes mágicos e físicos de uma magnitude completamente malucas, o que torna difícil de compará-las com as lutas de Demon Slayer.

Difícil porque em One Punch você fica maravilhado com a grandiosidade e a espalhafatosidade dos destroços e dos inimigos. As cenas são mais abertas e os personagens são capazes de destruir cidades com seus golpes.

Em Kimetsu, a beleza está nos detalhes do combate. Nos detalhes do ambiente. Nos detalhes dos efeitos maravilhosos e diferenciados das magias e dos designs dos personagens.

Tudo conversa muito bem, dando gosto de verdade ao assistir. Reveja esse vídeo se achar necessário relembrar o porquê de minha defesa absoluta.

Em suma, a parte técnica de Demon Slayer é tão poderosa que até mesmo quem não gosta do anime em si, mas gosta de animes num geral, acaba assistindo. Simplesmente porque é lindo e funciona em sintonia perfeita.

Finalizando…

Acredito que o objetivo principal do estúdio foi melhorar tudo do material original. O próprio traço do anime é visivelmente melhor, na verdade.

Além disso, as coreografias das lutas foram muito bem aproveitadas, deixando os combates do mangá mais dinâmicos. Apesar de isso parecer óbvio, temos animes de batalha que falham nesse quesito “aproveitar o melhor da animação”.

Acho bom também deixar claro que o grande motivo para Kimetsu no Yaiba ter funcionado tanto, é porque ele entrega bem tudo que um shounen de batalhas precisa entregar:

  • Um plot simplório e objetivo;
  • Uma mitologia bem trabalhada e aproveitada;
  • Um universo expansível;
  • Personagens carismáticos e memoráveis.

Isso é o foco principal (ou deveria ser) desse público-alvo. Pare e pense: qual grande mangá da Jump não segue essa “fórmula dos megahits“?

Some essa fórmula com uma boa e velha Jornada do Herói que você terá o anime shounen quase perfeito. Com todos esses itens, só faltaria o que?

Bastaria entregar uma produção de nível estupidamente elevado, que combine tudo do bom e do melhor. Principalmente na trilha sonora e na animação. E o ufotable fez isso com maestria.

A parte técnica é a cereja do bolo aqui, e por isso eu chamo Demon Slayer de uma “obra de arte”. Afinal, ele pega tudo o que já vimos muitas vezes e entrega algo similar. Porém, com uma apresentação única, memorável, e maravilhosamente caprichada.

Os possíveis pontos negativos que pude encontrar não são nem mencionáveis, porque eu fiquei embriagado com o passar dos episódios.

Falando sério: fazia quanto tempo que você ficava tão ansioso para ter o episódio da semana de um anime? Para mim, faziam anos. Sendo assim, Demon Slayer: Kimetsu no Yaiaba, na minha humilde e hypada opinião, merece um…

Nota
10

/10

Eu fiquei LOUCO assistindo Kimetsu no Yaiba. Eu imploro a você que me tire desse transe... você encontrou algum ponto realmente negativo no anime? Comenta aí embaixo!

EXTRA SOBRE DEMON SLAYER

Até a data de publicação deste artigo, não temos nada divulgado sobre uma possível segunda temporada. Contudo, o mangá teve um aumento muito expressivo nas vendas, o que incentiva novas temporadas.

Além disso, ao final do ultimo episódio, tivemos o anúncio e um filme! Este longa irá dar continuidade direta a história do mangá.

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Prolixo

Criciúma - SC

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