Análise

Doukyuusei (Colegas de Classe) é bom? Vale a pena assistir o filme? | Crítica

Doukyuusei é curto, mas completo (além de leve, divertido e de esquentar o coração)
Tempo não definido
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Me encontro cada vez mais agradecido com o CineCúpula, nosso evento geralmente semanal onde assistimos animes junto com nossos apoiadores no Discord. Recentemente me dei o prazer de assistir Josee the Tiger and The Fish. Agora, felizmente, esbarrei em Doukyuusei, outro filme de romance que curti demais.

Uma história simples, talvez até demais para alguns, mas que te fisga. Uma produção técnica muito acima da média, que sabe exatamente onde investir seus recursos para criar uma identidade única. E, além disso, um romance extremamente realista, sem dramalhões e que ainda dá um quentinho no coração.

Tudo isso resume legal Doukyuusei (Colegas de Classe, no pt-br). Sem dúvidas um must-watch para quem já navega por ai nas interwebs atrás de recomendações de animes de romance.

Mas, por que vale a pena assistir Doukyuusei?

Vem cá. Eu te conto!

doukyuusei visual oficial
  • Gênero: Slice-of-life, Romance, Escolar, Shounen-ai
  • Duração: 1h
  • Estúdio: A-1 Pictures (Boku dake ga Inai Machi, Shigatsu wa Kimi no Uso)
  • Data de lançamento: 20 de fevereiro de 2016
  • Material original: Mangá (1 volume, 6 capítulos)

Doukyuusei é… “simples”. E por isso é ótimo

Com o tempo passei a gostar mais de obras que não sentem a necessidade de serem grandiosas demais. Tem haver com aquela história de “aproveitar os detalhes”, sabe? Quando o simples é bem feito, não vejo porque sempre querer tentar emplacar o novo Titanic ou Avatar. Traduzindo para animes, nem tudo precisa ser One Piece ou Dragon Ball.

Apesar de óbvio, é normal que as pessoas costumem buscar histórias que fujam bastante do nosso dia-a-dia. Uma espécie de escapismo, para fugir na nossa realidade (não leia “fugir” como pejorativo, apesar de parecer). Acho perfeitamente normal e justo que exista quem só consuma animes extremamente grandiosos e populares.

Porém, Doukyuusei tem uma vibe muito diferente. Uma vibe que eu pessoalmente gosto muito.

Por ser uma história sobre pessoas, mais especificamente, adolescentes, esse filme acerta demais na entrega de uma visão realista dessa fase da vida que todo mundo já passou (ou vai passar).

Incerteza. Essa é a palavra que nos define nessa época.

Não sabemos nada, e o pior: muitos de nós acabamos achando que sabíamos de alguma coisa.

Mas sabe a verdade? Não sabemos.

Ninguém sabe. Não com 15 anos. Não com 17. Talvez nem com 30, 40 ou 50 anos.

E essa incerteza é o principal tema que Doukyuusei debate.

Porém, esse elemento não é “discutido” de fato, com críticas metafóricas. É uma narrativa sutil, que na verdade foca mais no romance dos dois protagonistas da série, Kusakabe e Sajou. Com o tempo, eles precisam conflitar com essa “incerteza”.

Estaremos juntos ano que vem?”
“Você gosta de mim, ou daquele outro cara?”
“Por que não me contou aquilo?

Coisas simples, mas que nessa fase da vida são tudo, menos simples.

Slice-of-life é a narrativa da vida!

Como o nome já diz, “slice-of-life” é uma “fatia da vida” de algum personagem que iremos acompanhar ao assistir o filme. Em Doukyuusei, como dito acima, acompanhamos dois jovens que estão se descobrindo. Individualmente, mas também em conjunto.

cenas fofas em doukyuusei

Assim como foi em Josee, the Tiger and the Fish, aqui em Doukyuusei a direção acerta demais em focar quase que literalmente no casal protagonista. Ainda mais porque Doukyuusei tem apenas 1 hora de duração, então não havia tempo para distrações.

Logo, quando temos uma narrativa que foca no dia a dia dos personagens, mas que ao mesmo tempo precisa ser objetiva sem ser apressada, e ainda com romance, a única forma de dar certo, para mim, seria passar longe dos clichês clássicos de romances em animes. Precisávamos de algo mais rápido, porém orgânico.

E Doukyuusei felizmente conseguiu entregar isso. Pelo menos para mim. Em momento algum senti “pressa” no relacionamento dos rapazes, apesar de que enquanto assistíamos a Helena largou um “eita” no chat do CineCúpula, e alegou estar um pouco rápido demais para ela. Casos e casos, então acho que você teria que assistir para ter uma posição.

Seria eu meio apressado? Fica no ar.

Até agora, gostei dos BL’s que assisti

Posso considerar Banana Fish um BL? Não sei. Já vi quem julgue que sim, e eu também julgo, mas é fato que a história foca muito mais na briga de gangues do que no romance. Vi também given, mas só o anime, que nem focou muito no romance, mas sim no drama.

Shoujo-ai eu já tinha assistido (Bloom Into You, e eu gostei). Porém, Doukyuusei foi o primeiro shounenai, ou BL focado em romance (Boys Love) que consumi.

Por preconceito? Na verdade, não. Só porque eu, quando mais jovem e por ser heterossexual, sempre me vi mais atraído por obras onde temos um casal heterossexual, para conseguir “me imaginar” naquela situação. Entretanto, com o tempo, me vi cada vez menos atraído por esse tipo de casal dentro do mundo dos animes. Sério, me bate uma canseira só de ver boa parte dos animes de romance que saem hoje em dia. É quase sempre a mesma coisa que não vai a lugar algum…

Resolvi então entrar nesse gênero que ainda não conhecia, e não me arrependo. Doukyuusei é uma história BL que, indo contra ao que muitos podem pensar ao ver a tag “BL”, não é apelativa e não trabalha com fan-services gratuitos que só serve para agradar quem gosta de ver o clima esquentando.

Ou seja, Doukyuusei é leve, ao mesmo tempo que não perde tempo demais, principalmente porque um dos caras do casal sabe exatamente o que ele quer. “Tem atitude”, como dizem por aí.

Ao longo do filme existem muitos momentos fofos, mas também existem os tais “momentos mais quentes”. Além disso, alguns diálogos aqui e ali mostram a maturidade com a qual o assunto está sendo tratado.

Um bom exemplo disso é um papo do Kusakabe com o professor (que merecia ser preso) no terraço da escola. Por se tratar se um assunto super íntimo, foi esquisito de assistir, mas orgânico, natural e sincero.

professor e aluno conversando em Doukyuusei
Alguém manda prender esse cara, fazendo o favor

A parte técnica também brilha bastante em Doukyuusei

Antes elogiei a escolha da direção em focar quase que exclusivamente nos protagonistas da história no que tange a “tempo de tela”. Porém, o interessante é que isso não ocorre apenas nos enquadramentos e no roteiro, mas também na escolha geral de arte. Todos os figurantes poderiam ser considerados até “mal desenhados”, mesmo em cenas importantes. Os cenários também não tem foco, e, portanto, temos várias cenas onde temos um prédio em foco e o resto é tudo branco em volta, por exemplo.

Isso tudo contribui para o foco de Doukyuusei, que é o casal e o romance deles. Romance este que possibilita que eles se aproximem cada vez mais, à fim de combater as incertezas da vida, não só sobre carreira profissional, mas também sobre “primeiros amores”.

Além de contribuir para o foco, isso meio que reduz os custos de produção, uma vez que os animadores e artistas não precisam dar tanta “atenção à detalhes”, como vemos em obras como o próprio Josee que citei antes, ou Tenki no Ko, outra obra com altíssimo nível de detalhes.

A animação também merece seu destaque, pois em vários momentos temos os personagens correndo, porém tudo parece bastante “plástico”, o que agrega muita intensidade nos movimentos deles. Tudo flui de um jeito muito gostoso dentro desse teor técnico, e soma muito bem com a escolha de, as vezes, o fundo e os outros personagens estarem “feios”.

Em suma, para mim, o “exagero” na falta de detalhes e na plasticidade da animação agregou muito para identidade de Doukyuusei como obra, por ajudar a dar foco na relação dos personagens e nos impactos de suas cenas, devido aos momentos muito bem animados.

Sobre o mangá: o filme foi uma boa adaptação?

Como o mangá é bastante curto (6 capítulos), eu resolvi ler ele para conseguir traçar um comparativo rápido entre as mídias. Porém, adianto que eu escrevi todo o texto antes de ler o mangá, justamente para que o minha visão perante o filme não fosse influenciada positiva ou negativamente pelo material original.

Logo de cara, percebi que o estilo de “desenhar as coisas meio sem forma definida”, traço este que curti muito na versão anime, já vem do mangá. Entretanto, no mangá, a autora Nakamura Asumiko explora isso ainda mais, desenhando personagens “bem deformados”, e dando mais foco aos protagonistas (que também estão deformados as vezes). Não sei até que ponto esta é uma característica dela como artista ou se é algo único de Doukyuusei (porque ela já publicou MUITOS outros mangás, em sua maioria, BL’s). E não é nada negativo, só achei legal que vem dela, e não do anime.

O mangá também conta com algumas cenas a mais, e 1 dos capítulos se dedica quase que inteiramente para posicionar o HaraSen (o professor safado) na história e sua relação com Sajou, o protagonista de óculos. Eu achei que funcionou bem, e isso fez uma rima narrativa bem interessante com o final da história.

Afinal, HaraSen salva o Sajou de uma situação relacionada ao trauma do segundo com trens (Sajou fica enjoadão só de entrar ou ficar perto de trens). Na época, HaraSen levou Sajou na garupa de uma bicicleta de volta para a escola, e meio que “se apaixonou” pelo estudante (diferença de 20 aninhos apenas…….). Sajou também desenvolveu certo carinho pelo professor, porém nem no mangá, nem no anime, isso é deixado 100% claro, o que é bom para quem busca uma história longe da pedofilia, que é o meu caso.

A rima narrativa acontece quando mais ao fim do filme animado, Kusakabe precisa ajudar Satou também numa situação relacionada a trens, porém dessa vez, quem está pilotando é Kusakabe, e não o professor. E o Kusakabe está numa moto, então acho que claramente ele ganhou. KKKK’

E qual é “melhor”?

Existem outras pequenas diferenças, e eu particularmente curti o jeito “bagunçado” que a autora monta a paginação do mangá. Além disso, o legal de ler o mangá é ver o traço do criador original, o que contribui para a “experiência real” de Doukyuusei. Afinal, não é ela que desenhou o anime, foram os animadores “tentando imitar” o traço dela (e ficou muito bom, vale dizer).

Mas, enfim, mesmo o mangá tendo seus méritos e até cenas a mais, eu me senti muito mais satisfeito com o filme animado do que com a leitura do mangá. Gostei muito da direção, e achei que a animação contribuiu muito para meu gosto geral do filme. Talvez seja porque vi o anime antes, porém se um dia eu for revisitar essa obra, certamente será pela mídia animada, e não pela história em quadrinhos.

Finalizando a crítica do filme Doukyuusei (Colegas de Classe)

Como sendo minha “primeira” experiência BL, eu saí muito mais satisfeito do que esperaria com Doukyuusei . Não porque achava que “um BL não me agradaria”, mas por subestimar uma obra de 2016 que eu nunca nem tinha ouvido falar.

É um filme que, para mim, acerta muito em seu foco principal, que é no romance dos personagens. Entrega momentos fofos, mas também conta com cenas mais quentes que você certamente dá aquele sorrisinho de canto de boca e sobe aquele treco no peito que não sabemos explicar muito bem.

drama de adolescente
Essa cena fora de contexto faz parecer que é uma história de tragédia KKKKK (não é)

Além do foco no romance, o tema “incertezas da vida” para mim também é muito claro aqui, sendo ele o principal “problema” que os personagens precisam combater nessa trama. Gostei de como foi trabalhado, da naturalidade das ações de adolescentes que ora agem com certa maturidade, ora pisam na bola com força.

Orgânico e realístico. Humano!

A parte técnica também não deixa a desejar de maneira alguma. Muito pelo contrário, surpreende muito. Com certeza uma escolha certeira de fazer o material original (mangá) de Nakamura Asumiko ficar ainda mais interessante.

Finalizo aqui incentivando você a com certeza dar uma chance para Doukyuusei.

Porque uma coisa posso afirmar: de incertezas nossa vida já é cheia, então não viva com mais uma incerteza em meio a tantas outras, assista o filme e comprove de uma vez se vale à pena, e aí volta aqui pra me contar o que achou.

Escrito por

André Uggioni

Co-Fundador

Editor-chefe | Host do CúpulaCast

Criciúma - SC

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