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Mangás do Boichi: a história do autor e o lado ruim e pouco falado de suas obras

28 minutos para a leitura
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Há muitos mangás do Boichi no mercado, porém seu nome ascendeu recentemente com Dr. Stone, que, na verdade, Riichiro Inagaki escreve, enquanto ele fica com a ilustração.

Dr. Stone e, por consequência, o Boichi ganharam destaque desde que conquistaram o prêmio de melhor shonen de 2018 na Shogakukan Manga Award.

Porém, esse autor publica trabalhos desde a década de 90, e muitos deles ganharam reconhecimento tanto dos especialistas na área quanto do público. O que é um feito incrível.

Mas, ao longo dos anos, Boichi desenvolveu algumas características que o seguem como artista e que moldaram seu estilo, tanto de escrita, como de arte.

Boichi conquistou uma identidade (o que é difícil de se fazer). Quem conhece seus trabalhos pode atestar a autenticidade de seus desenhos, além do fato de que indiscutivelmente ele é um dos melhores desenhistas da atualidade.

Além disso, sua história de vida é chamativa também. Um sul-coreano fazendo sucesso no Japão como mangaká e ganhando diversos prêmios na área não se vê o tempo todo.

Conhecendo mais sobre o autor e suas influências, podemos compreender melhor o porquê do Boichi ser “o Boichi”.

Porém, nem tudo são rosas.

O mangaká segue algumas “tendências” que diminuem o potencial de suas obras e que já não são bem vistas hoje em dia.

Boichi tem uma capacidade ímpar de criar personagens masculinos memoráveis, mas, em contrapartida, é difícil lembrar de apenas uma única personagem feminina que teve uma real relevância em suas histórias.

Mas será que os mangás do Boichi são passíveis de crítica ou é exagero do autor que vos escreve?!

Um breve disclaimer

Antes de mais nada, este artigo trata de um assunto que é quase um tabu no universo otaku. O famoso ecchi. Até no CúpulaCast já falamos sobre isso.

Há diversas definições para a palavra “tabu”, mas no geral, significa algo como proibição que leva alguém a não falar algo por medo. Ou seja, sempre que alguém fala mal do “ecchi“, outro alguém o apedrejar.

Então, guarde suas pedras e vamos discutir esse assunto de maneira civilizada e séria, assim como deve ser!

Boichi é um excelente artista, mas não tem como falar sobre ele, e não criticar seu trabalho.

A ideia deste texto é ser algo construtivo ao debate. Mostrar que todos os mangás do Boichi tem valor, mas que ao mesmo tempo existem coisas que precisam urgentemente de melhoria.

Mas adianto que o ecchi em si não é um problema, o problema está no uso irresponsável e sem propósito narrativo dele, geralmente, visando apenas a objetificação da mulher e o entretenimento.

Há formas e formas de abordar o ecchi. E infelizmente o Boichi sempre escolhe as piores.

Senku dando remédio, um dos mangás do boichi

Talvez na década de 90 isso fosse aceitável“, mas em pleno 2020 é possível repensá-lo. Pois, indiscutivelmente, o Boichi ainda é um dos melhores mangakás da atualidade.

O intuito desse artigo é contar um pouco da história do autor por meio dos lançamentos de alguns de seus mangás, e propôr a reflexão de alguns aspectos recorrentes em suas principais obras.

Inicio da carreira e os primeiros mangás do Boichi

Boichi na verdade é um pseudônimo de Mujik Park. Para aqueles que não sabem, o mangaká nasceu em 29 de janeiro de 1973 na cidade de Seoul, na Coreia do Sul.

Boichi na frente de um painel com personagens de Sun-Ken Rock

Desde sua infância, Boichi sonhava em ser um artista de mangás. A formação em física e a pós-graduação em tecnologia de imagem o conduziram a escrever sobre ficção cientifica.

Em 1993, enquanto ainda fazia faculdade, Boichi estreou em uma revista de manhwa de meninas coreanas. Desde então, ele ganhou popularidade lançando uma série de trabalhos e publicando livros sobre como desenhar mangás.

Não se sabe ao certo desde quando Boichi mora no Japão e como ele se tornou um mangaká.

Mas o inicio de suas atividades na terra do sol nascente se deu por volta dos anos 2000, e não demorou muito para ele começar a fazer sucesso por lá e com isso lançar seu primeiro mangá.

O Primeiro Mangá: Space Chef Caisar (2004)

Um chefe de cozinha com a gola do uniforme rasgado de de braços cruzados olhando com cara de badass, mangás do boichi

Boichi juntou duas de suas paixões, ficção cientifica e culinária e conseguiu emplacar seu primeiro mangá japonês.

Space Chef Caisar é um marco na carreira do Boichi, pois foi com esse título que ele estreou como um mangaká no Japão, em 2004, na versão tankobon (nosso “volume” aqui).

A história se passa no ano de 999 do calendário espacial, na qual três lindas garotas caçadoras de monstros se encontram com um frágil jovem chefe de cozinha, que esconde uma lenda dos restaurantes galácticos: Caisar!

Nessa obra, já é possível observar o potencial do Boichi em construir histórias, e o de destruir histórias.

O conceito do mangá e a arte são interessantes, porém a sexualização desenfreada das personagens femininas e o excesso de ecchi acabam ofuscando o brilho que a história poderia ter.

Cena de ecchi de um dos mangás do boichi, Space Chef Caisar

O problema deste mangá não está no ecchi propriamente dito, pois claramente ele se vende como um ecchi.

O real problema está no desperdício de potencial.

A ideia de um chefe da culinária que é tímido e introvertido mas que quando veste seu toque blanche (chapéu de chefe de cozinha) se torna fanático como um demônio (quem pegou, pegou), é muito interessante e poderia render uma história memorável.

Pouco tempo depois, que bom que ele conseguiu fugir um pouco desse lado ecchi, quando Boichi lançou um “já clássico” de ficção científica que entrou para história.

Mangás do Boichi de respeito (2006)

No ano de 2006, o autor lançou duas one-shots de ficção cientifica, colocando sua formação em física em uso, Hotel e Present.

Em 2008, ambas foram compiladas em um volume intitulado “Hotel“, juntamente com outras one-shots de sucesso do Boichi, All for the tuna, Stepahons e Diadema.

Sabe o que todas essas obras têm em comum?

Nenhuma delas tem ecchi!

Hotel ganhou o prêmio “Gran Guinigi” em 2011, como melhor história no estilo one-shot. Temos um artigo só sobre essa obra, pois Hotel é o exemplo perfeito de que para se contar uma boa história, não é preciso de muitas páginas. Present é outro exemplo perfeito de como o Boichi sabe fazer algo bem feito quando quer.

O ponto alto de suas one-shots são os plot-twist, sendo assim, não entrarei em muitos detalhes sobre elas.

Capa da compilação de one-shot do boichi

Porém, nessa história, Boichi sendo “O Boichi”, tinha tudo para exagerar no ecchi.

Por se tratar de um tema que envolve sexo, ele escolheu fazer isso de forma subjetiva, pelo simples fato de que se o sexo fosse “explicito”, ou ele “metesse” um ecchi escrachado na nossa seria alcançado.

As outras três one-shots são boas, porém nem de perto tão incríveis como as duas anteriores. Ainda assim valem a conferida, principalmente por se tratarem de histórias curtas e de fácil leitura.

Sun-Ken Rock: o primeiro dos mangás do Boichi a ser serializado (2006)

Em 2006 Boichi teve seu primeiro mangá serializado na revista quinzenal, a Young King. O mangá em questão era nada mais nada menos que Sun-Ken Rock, aclamado por uns e odiado por outros.

Esse mangá de máfia, não é ruim, já adianto. Mas que poderia ser excepcional.

Inegavelmente, Sun-Ken Rock é belíssimo. Poucos sabem desenhar como o Boichi. A fisicalidade que seus personagens masculinos possuem dificilmente é vista em outras obras.

Essa forma de ilustrar corpos masculinos me lembra muito a do diretor/roteirista Zack Snyder.

Um bom exemplo disso é o filme 300”, no qual é possível acreditarmos que aqueles 300 homens, de fato, são capazes de destruir um exército.

Porém, em compensação, as personagens femininas dessa obra só servem de escadinha” para o mostrar o quão foda é o protagonista. Ou pior, para “protagonizarem” alguma cena de ecchi totalmente dispensável.

O estupro de mulheres é recorrente em Sun-Ken Rock. Alguns vão alegar que é uma parte importante da narrativa, “mostrar que a máfia não perdoa”, “que essa é a realidade”, etc.

Posso até concordar com isso, mas, a forma como o Boichi ilustra essas questões não é com a seriedade que o tema merece.

Ele faz tudo de forma sexualizada: ângulos escolhidos a dedo para parecer sensual, rubor no rosto, a pouca resistência, as posições em que elas se encontram, e a quase que inexistência de consequências psicológicas para as vítimas.

Enfim!

Sun-Ken Rock tem uma excelente premissa e um dos melhores desenhistas de todos os tempos; ingredientes esses principais para se criar um clássico de máfia.

Porém, Boichi joga tudo isso água abaixo ao se focar num nicho mais especifico e sexualizar a porra toda.

Origin (2016)

Capa de Origin, um ciborg segurando uma espada samurai, um dos mangás do boichi

De 2006 pulamos para 2016, pois logo que Sun-Ken Rock “finalizara”, Boichi conseguiu emplacar outra serialização no Japão com um novo mangá seinen.

Seu nome, Origin!

O mangá encontra-se finalizado, com um total de 10 volumes.

Origin, apesar de menos falado, é tão bom, ou até mesmo melhor, que Sun-Ken Rock. Esse mangá bebe da fonte de Blade Runner, e não é atoa, já que esse filme é um marco na ficção cientifica.

A história se passa no ano de 2048 e o Japão mudou muito desde a inauguração da ferrovia transcontinental da Eurásia, o que levou o país a um maior desenvolvimento, mas também aumentou a taxa de criminalidade.

Porém, ultimamente os assassinatos tornaram-se mais frequentes e mais sangrentos, a ponto de dar origem à lenda de que os responsáveis não são seres humanos.

Um dos mangás do Boichi poderia ser um clássico moderno?

Visão panoramica do japão futurista de Origin

Origin com toda a certeza tem uma das artes mais bonita que já vi na vida. O nível de detalhismo em cada página chega a ser surreal.

Boichi é um gênio.

Personagens mostrando a mão, boichi mostrando que sabe impor a noção de profundidade em seus desenhos

A história é fantástica, com dilemas morais e éticos pouco abordados na ficção. Além disso, possui uma atmosfera pesada na qual o protagonista é inserido, lutas sangrentas e criativas…

Sem dúvidas, Boichi criou uma história sem igual!

Mas, como um dos maiores problemas do Boichi é ser “O Boichi”, Origin não foge da regra.

Logo na primeira aparição de uma personagem feminina, temos uma quebra de “tom“. O jeito com o qual o autor optou faze-la surgir na história nos tira da imersão que estamos tendo com tudo aquilo.

Foi de realismo sombrio para comédia “menino tropeça no peito da menina”.

E não apenas isso. No primeiro volume surge uma personagem feminina tão forte quanto o protagonista, mas o Boichi escolhe a retratar assim:

Toda a porra de cena que ela aparece é assim. Não tem um ângulo decente em que ela aparece.

Essa personagem precisava passar uma imagem de força, destreza, habilidade… Poderia até passar sensualidade (porque sensualidade ainda é uma forma de “poder”), mas desse jeito? Que sensação essa composição de cena passa, tirando a de tentar deixar o “pingulin” do leitor duro?

Fica simplesmente impossível levar Origin para o lado que ela deveria ser levada.

Contra exemplo

Peguemos o exemplo da Major, que também é uma ciborgue, do clássico Ghost in the Shell.

Olha a diferença de representação. A mulher está pelada, mas não sexualizada.

A expressão no rosto da Major; seus músculos, que representam realmente o de uma mulher forte; a posição na qual ela está puxando é realmente funcional; e o principal, o enquadramento da cena.

Se essa obra fosse desenhada pelo Boichi, ela estaria em cima de um “robôpinto” gigante, em uma posição de sexo, toda corada, com os peitos espremidos entre os braços, e de alguma forma, ia jorrar “fluido hidráulico” convenientemente branco em cima dela.

Pode ser sexy? Com certeza!

Mas que seja coerente com a narrativa, e não apenas fan service gratuito para punheteiro.

É muito frustante ler as obras do Boichi, porque tudo que ele faz, tem potencial de ser um clássico moderno.

Infelizmente, ele sempre escolhe cagar em suas histórias, usando e abusando de um recurso que, narrativamente falando, não faz sentido algum.

Mangás do Boichi menos expressivos

Boichi trabalhou ao longo dos anos, em paralelo aos seus trabalhos principais, com diversos outros títulos.

Há muitos mangás do Boichi que não foram publicados no Brasil, e suas histórias são pouco conhecidas por aqui.

Inegavelmente, as histórias do Boichi são excelentes e merecem ser exaltadas.

O problema…você já sabe qual é!

Abaixo segue uma lista de títulos que vale conferir!

1) Lovers in Winter: um compilado de mangás do Boichi (2005)

No ano de 2005 boichi teve 9 de 11 de suas one-shots de hentai serializadas na Comic Aun.

Essa obras são uma parte “importante” de sua carreira, pois muito provavelmente, elas “moldaram” seu estilo, principalmente no que tange a personagens femininos e o uso delas em suas histórias.

2) Toutetsu (2007)

Um personagem vestindo a cabeça de um leão preparando algum poder na boca, um dos mangás do Boichi

Situado em um mundo de fantasia baseado na China antiga, a história é sobre Fuuren, um Defensor sem braços. Os defensores são pessoas que cumprirão sua missão ou atribuições, não importa o que seja. Se eles as aceitarem.

Fuuren foi chamado para uma pequena cidade que está prestes a ser tomada pelo império Ka e eles desejam contratá-lo para ajudar seus exércitos a defender sua pequena cidade.

No entanto, há um pouco de intriga dentro da própria cidade e Fuuren aceita uma tarefa totalmente diferente.

3) All for the tuna (2008)

Pessoas comendo em um tipo restaurante japones

O atum foi extinto e Jun Shiozaki fará todo o possível e imaginável para trazê-lo de volta.

4) Raqiya (2009)

Uma mulher toda ferida segurada pelos braços

É o final do século 20, no deserto americano de Nevada. Uma família está curtindo um passeio de carro. O pai para para verificar um velho que parece estar em apuros.

Assim que o problema resolve, o pai volta ao carro, mas eles ainda têm que esperar pela filha, Hazuki Luna, que foi dar um passeio.

No instante em que Luna retorna, o carro explode. Todo mundo está morto, com exceção de Luna. Ela fez algum tipo de pacto com um ser maligno.

5) Eques (2012)

Personagem de cabelos brancos a frente e um personagem feminina nua atrás

Para proteger a terra dos “Eques” e salvar a raça humana de uma ameaça alienígena, o jovem Akira tem que lutar até a morte. Mesmo que isso exija sacrifícios.

6) H•E The Hunt for Energy (2012)

Um personagem vestido de jaleco a frente e um monstro que parece um dragão gigante ao fundo

Desde criança, Hiro era capaz de ver a forma das pessoas.

Ele odiava essa habilidade. Especialmente quando ele testemunhou a propagação de energia pelo terremoto japonês de 11 de março de 2011.

Ele agora faz parte de uma equipe que se encarrega de “caçar” novas energias para salvar o futuro do Japão e do mundo.

7) Wall Man (2013)

Um personagem com masculino com pinturas de guerra pelo corpo olhando para uma mulher de cabelo curto com algm tipo de coleira no pescoço, um dos mangás do boichi

Depois de ser traído por seu país, Jirou deixou seu passado como um assassino para trás e voltou a o Japão onde nada mais importava em seus olhos.

Mas isso foi antes dele conhecer Nami, assassina profissional ativa em busca de vingança pela morte de seu pai. Jirou é então levado de volta a este mundo se juntando a ela.

8) Anti-Magma (2015)

Personagem usando uma boina marrom e segurando um missel, um dos mangás do boichi

Essa one-shot de ficção cientifica se passa em um mundo pós apocalíptico, no qual gigantescos seres similares a vermes feitos de lava reduzem a humanidade a pedaços.

O personagem principal é parte de uma unidade mecha criada para enfrentar a ameaça indo direto à cova do leão.

9) The Space Between (2015)

Uma estação espacial no espaço, um dos mangás do boichi

No ano de 2020, corporações vendem e desmantelam a NASA. O apoio ao desenvolvimento espacial passou do governo a o setor privado, mas a estagnação econômica restringiu o investimento no espaço.

Em 2023, quando o presidente da IS&T, Carme Le Guin, morreu, apenas uma estação espacial permaneceu com um solitário astronauta a bordo.

Mangás do Boichi especiais

Boichi é famoso sobre tudo por sua arte. E isso lhe rendeu convites para participações especiais em obras de outros autores ao longo dos anos.

O melhor dessas participações é que provavelmente ele não deve ter toda a liberdade do mundo para criá-las. Com isso, sua incrível habilidade de estragar as obras não ocorre nesses casos.

1) Trigun – The Lost Plant (2010)

Vash the stampede atirando com seu revolver, um dos mangás do boichi

Trigun The Lost Plant é uma homenagem pra celebrar o lançamento da adaptação cinematográfica do mangá “Trigun” de Yusuhiro Nighttow no Japão.

Essa one-shot foi posteriormente adicionada ao 12° volume de Sun-Ken Rock como uma história extra.

Eu sou um grande fã de Trigun, sendo que ele já apareceu aqui na cúpula como uma de minhas recomendações.

Sinceramente, a qualidade técnica que Boichi emprega nessa história é absurda. A seriedade dos seus traços e a narrativa que ele escolhe para contar essa história chega a ser, e muito, superior à história original.

Simplesmente o Boichi é incrível quando quer!

2) Terra Formars Asimov (2016)

Personagem Asimov de perfil fumando um charuto

Lançado na 23ª edição da revista Grand Jump da Shueisha como um mangá spinoff de Yu Sasuga.

Provalmente, essa one-shot era nada além de uma “jogada” de marketing com intuito de alavancar as vendas de Terra Formars, que não ia muito bem na época.

A história tem como foco, o personagem Sylvester Asimov antes de partir para Marte.

Assim como Trigun: The Lost Plant, Boichi faz um excelente trabalho aqui, porque ele consegue entregar uma história incrível com começo, meio e fim.

3) One Piece: Roronoa Zoro cai no Mar (2019)

Boichi foi convidado a reproduzir a icônica luta entre Zoro contra Mihawk em comemoração aos 22 anos de One Piece.

Essa one-shot é surreal. O Boichi tem o dom da arte suprema. Rever essa luta com os traços do Boichi foi simplesmente incrível.

Zoro segurando três espadas
Mihawk segurando sua espada

Como já disse várias vezes durante este texto. Boichi é um dos melhores desenhistas da atualidade.

Obs: ele não sexualizou a Nami.

Finalizando…

Mesmo com estes defeitos, Boichi é uma boa pessoa. Envolve-se sempre em alguma ação solidária.

Para expressar seu sentimento em relação ao Vietnã e pedir desculpas pela ação da Coréia durante a guerra, doou os royalties do volume 2 do Sun-Ken Rock para a organização humanitária “Child of Viet Nam“.

Ele pediu a artistas de mangá coreanos, que contribuíssem para desenhar uma página de suporte ao Japão em relação ao grande terremoto de 2011, e dando os royalties do processo à Cruz Vermelha

Ele também doou o dinheiro que planejava usar para comprar um novo carro para ajudar as vítimas do tsunami.

Boichi indiscutivelmente é um gênio, sua arte é uma das melhores da atualidade, e suas histórias são criativas e originais.

O problema mesmo dos mangás do Boichi está na sexualização e objetificação das mulheres sem propósito narrativo nenhum.

Se ele abrisse os olhos para isso, com toda a certeza seria imortalizado como um dos melhores mangakas de todos os tempos.

Provavelmente há mais obras dele que eu não tenho conhecimento, principalmente manhwas da época em que ele desenhava na Coréia do Sul.

Deixa aí nos comentários as obras que não foram mencionadas e qual sua história favorita desse mangaka tão controverso.

Escrito por

Pedro Bernardes

Profissional de Educação Física

Cult | Atleta | Leitor compulsivo

Belo Horizonte - MG

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