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O que é anime? Como assistir anime? Conheça os desenhos japoneses!

20 minutos para leitura
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Aqui vou tratar de explicar, de maneira sintetizada, o que é anime, como são produzidos os animes, e como surgiram os animes. Não necessariamente nessa ordem, contudo.

Se você chegou aqui é porque você se enquadra como “pessoa que já sabe o que é anime e está procurando conhecer mais sobre eles“, ou talvez como “pessoa que não faz ideia o que é anime, de verdade”.

E bem, fico feliz em falar que este artigo serve tanto para o primeiro perfil de leitor, quanto para o segundo.

Além disso, afirmo que esse artigo será uma espécie de porta de entrada para você que ama, gosta, ou pelo menos tem interesse em entender melhor sobre essa maravilhosa mídia audio-visual que nos abençoa com muito entretenimento desde o milênio passado: os animes!

Sumário

  • O que significa “anime”?
  • Como surgiram os animes?
  • Como anime é feito?
  • Onde e como assistir animes?

O que é anime? Ou melhor: o que significa “anime”?

Essa talvez seja uma das perguntas mais divertidas de ser respondida, porque é uma origem completamente óbvia, mas decepcionante (para aqueles que esperam algo grandioso).

Indo direto ao ponto, a palavra japonesa “anime” (em japonês: アニメ), é usada para se referir a “animação” ou a “desenho animado”.

A parte que surpreende uns, porém decepciona outros, é que “anime” é apenas a abreviação da palavra “animation”. Leia a palavra “animation” em inglês, e em voz alta. Resgate seu gringo interior!

Nessa palavra, o “a” tem som de “e”. (“u a tem som di u”?, quem lembra dessa piadinha?)

Daí, temos “anime” como abreviação para “animation”. E sim, é só isso! Bem, pelo menos essa é uma das duas teorias sobre a origem do termo.

Porque, segundo pesquisadores como Frederik Schodt (Manga! Manga!: The World of Japanese Comics) e Alfons Moliné (O grande livro dos mangás), a palavra “anime” é, na verdade, oriunda da palavra “animé”, que é “animado”, em francês.

Não serei otário o suficiente para dizer algo como “origem pouco importa”, entretanto, o ponto é que, assim como manhwas, manhuas e mangás são termos diferentes para a mesma coisa, “animation”, “animé” e “anime”, dentro de um mesmo contexto, são também a mesma coisa.

São desenhos animados. Só isso. E não dói nem um pouco, você, se for um otaku raivoso, admitir isso.

Também sou otaku, mas não passo a noite acordado pensando no assunto. Mas se você ainda não entendeu essa alfinetada, relaxa que um dia entenderá…

Como surgiram os animes?

A história dos animes é certamente e obviamente mais recente que a dos mangás, tendo ela começado após o grande “boom” da Disney na segunda metade do século XX.

O principal influenciador nessa história foi o homem que é tido como o “pai do anime e do mangá”, o lendário Osamu Tezuka.

Porém, antes de falarmos sobre ele, acharia injusto descartar tudo que os antecessores dessa lenda fizeram para contribuir para os animes serem o que são, e o que vão ser.

Da primeira animação, ao primeiro anime

A primeira animação japonesa que surgiu tem incríveis 3 segundos de duração e seu nome é Katsudo Sashin (autor desconhecido).

Esse curta teve suas origens em meados de 1907, cerca de 1 ano após o cineasta americano James Stuart Blackton ter criado a suposta primeira animação do mundo inteiro (The Humorous Phases of Funny Faces).

Os anos passam, e em 1917 tivemos o provável começo da indústria da animação japonesa com a estreia do filme Imokawa Mukuzō Genkanban no Maki, um filme de macaquinhos em preto e branco (brincadeira, não sei do que se trata).

A linha do tempo continua se movendo, e nesse meio tempo tivemos muitos estúdios sendo fundados e investidores tentando a sorte no que chamo de “corrida animada” (desculpa pelo nome horrível).

Uso o termo “tentando a sorte” porque o alcance de desenhos ainda era bem questionável, afinal, ainda não era tão fácil o povão ter acesso.

Entre 1917 e 1958 tivemos muitas altas e baixas na indústria da animação, pois a maioria dos estúdios que nasciam iam quebrando por falta de experiência ou de recursos.

Nesse intervalo de tempo, tivemos o advento do “celulóide“, aquela parada que todo mundo chama de “filme” ou “rolo de filme”, sabe? Sim, você sabe.

celuloide jogado numa mesa sendo iluminado por uma luz amarela
Sabe, né!?

Além do celulóide que permitiu uma custosa, porém eficiente, produção de animações, a Segunda Guerra Mundial foi outro grande evento que teve uma tremenda influência na origem dos animes.

Um dos principais motivos é que o governo queria usar os desenhos como propaganda militar para doutrinação em massa do povo, principalmente, das crianças. Mas a mescla cultural da ocupação americana também foi um forte influenciador para a criação dos animes como são.

Anime é, primordialmente, propaganda.

Até hoje. Não se esqueça!

O começo de uma lenda: Osamu Tezuka

Mas bem, passados esses eventos, chegamos em 1950, quando, finalmente, Osamu Tezuka retorna para meu artigo com uma entrada triunfante, pois é aqui nessa época que ele foi assistir A Branca de Neve mais de 30 vezes no cinema. E o Bambi mais de 50.

Pensa num cara amarradão na Disney.

Pensou?

Se não pensou no Tezuka, errou.

Tezuka, um japonês estudante de medicina, resolveu que, mesmo sem largar a faculdade, iria botar sua mente criativa para trabalhar e se basear nos desenhos disneyanos para trazer um novo “tom” para seus mangás. Mal sabia ele que, posteriormente, suas obras viriam a moldar os animes.

Afinal, sabemos que os mangás eram, e ainda são, os principais materiais fonte para animes!

Astro Boy (1963) foi o nome do grande título que revolucionou a indústria dos animes, porque apesar de Tezuka ter feito A Lenda da Serpente Branca anteriormente (1958), o anime do menino robô foi o primeiro a ter uma história contínua e personagens recorrentes.

Dali para frente, pode-se dizer que já temos os animes “modernos” como conhecemos, que vem mudando de acordo com o tempo, mas nenhuma mudança tão drástica quanto as ocorridas entre 1907 e 1963 discorridas no tópico anterior.

Caso tenha interesse em conhecer mais detalhes sobre essa trajetória toda, além de conhecer outros nomes importantes da história dos animes e entender como um terremoto pode ter sido algo “bom” para os animes serem o que são, dá um pulo no meu artigo “Como animes foram criados? Entenda a história toda e como surgiu”.

Como anime é feito?

Sério, o processo de produção de animes é muito, mas muito mais complicado do que você sequer pode imaginar.

Contudo, já que você pesquisou “o que é anime?” no Google, eu tenho certeza que esse tópico se fará muito interessante para você, por isso irei dar meu melhor para resumir um pouco o processo.

De forma geral, os animes são divididos em diversas cenas, que são divididas em diversos cortes, que, por sua vez, são divididos entre quadros principais (ou quadros-chave) e quadros secundários (transição). Para os dois últimos, é bem comum encontrar os termos “key animation” e “in-between animation” também.

A produção de um anime completo, mesmo os mais curtinhos de 12 episódios que saem toda temporada, podem acabar envolvendo dezenas, centenas e até mesmo milhares de pessoas. E não estou exagerando!

Essa mão de obra toda é necessária porque além dos animadores, nós temos o diretor, o roteirista, o diretor de filmagem, o diretor de som, o diretor de layout, o diretor de arte, o diretor de CGI… cara, são muitos diretores e líderes de equipe nesse processo.

E claro, para cada “diretor” que você leu, já imagine junto dele (ou dela) há uma equipe inteira de colaboradores. Assim, acaba sendo “fácil” chegar na casa das centenas de mãos envolvidas na criação de um anime.

Elenco completo do anime Shirobako
Todo mundo ai trabalhou no mesmo projeto praticamente! Anime: Shirobako

Quem realmente quer fazer anime?

O começo da produção virá por parte de uma produtora (Aniplex, Bandai, Kadokawa, Sony, Toho) interessada em investir em algum anime para promover alguma coisa.

Essa coisa pode ser qualquer tipo de produto, como bonecos, mangás, jogos, light novels ou livros. Em casos assim, é bem comum que a ideia geral do anime seja retirada destes próprios produtos (dos que for possível, claro).

Desta forma, a popularidade do anime irá aumentar o número de vendas dessas mercadorias. Ou pelo menos é o que os investidores do comitê de produção almejam.

Em outras palavras, muitas vezes os animes não são feitos para “se pagarem”, mas sim para fazer os produtos relacionados a ele venderem mais, gerando assim uma margem de lucro tremenda que cobrirá os custos que produção (que não são baixos, vale dizer).

Ainda, animes podem ser a promoção do próprio estúdio e de sua equipe de colaboradores, uma vez que os animes podem ser animes originais, ou seja, que não se baseiam em um material fonte.

Na verdade, nesses casos, o próprio título original é quem irá gerar produtos derivados dele, e se ficou famoso, vai vender também!

E quanto custa um anime?

O custo de um anime pode variar muito dependendo da qualidade de produção do mesmo, porém, segundo dados da Crunchyroll, um episódio costuma oscilar entre 100.000 e 300.000 dólares.

Sim, um único episódio.

Nami com uma pilha de dinheiro em sua frente

Então, um anime de 12 episódios custa algo em torno de 1,2 a 3,6 milhões de dólares. Isso para animes medianos, é claro.

One Piece e Naruto devem ficar na casa dos 100 mil por episódio, pois estes são feitos como animes de audiência, então, por estarem frequentemente em exibição, a qualidade final não pode ser top da top se não a staff (equipe de produção) não daria conta.

Animes mais “calmos”, como animes de romance, slice-of-life ou drama que se passam em um ambiente mais “normal”, o orçamento não deve fugir muito do preço supracitado. Bons exemplos seriam Toradora e Golden Time.

Para animes mais “medianos para bom”, em termos de animação, como Code Geass, Dr. Stone ou Vinland Saga, devem ficar pelo seus 200 a 300 mil por episódio (talvez menos).

Agora, em produções como Demon Slayer, tenho certeza que esse valor de 300 não chega nem perto do custo real por episódio.

Demon Slayer capa notícias com Tanjiro na frente
O anime é todo assim, sério!

Agora sei “o que é anime”! Mas resume ai, vai…

Por fim, o que podemos tirar desse tópico é que:

  • Animes passam por muitas mãos até ficarem prontos;
  • Cenas, cortes, quadros chave e quadros secundários compões os animes, em resumo;
  • Animes são feitos, primordialmente, para promover algo que os produtores desejam promover, sejam produtos, sejam pessoas;
  • Os episódios de anime custam, em média, entre 100 e 300 mil dólares.

Como prometido, não quero e não vou me aprofundar mais do que isso.

Eu busquei sintetizar o suficiente para passar informações relevantes o suficiente para você não se decepcionar comigo, mas somente a leitura deste trecho do artigo não é o suficiente para entender o iceberg da produção de animes.

Por isso, se deseja saber de verdade “o que é anime”, do começo ao fim, junto com as motivações que levam a criação constante dessa mídia, ainda, aprender que o Japão pode ser um país cruel quando falamos de exploração da mão de obra, não deixe de dar um pulo no meu artigo: Como anime é feito? Quanto custa um anime? Saiba TUDO (ou quase)!

Onde e como assistir animes?

Graças a Deus a época de baixar animes em RMVB (qualidade baixíssima) e mesmo assim levar 2 horas para baixar, ou assistir em sites duvidosos com 1 milhão de anúncios e ainda uma qualidade ainda pior que RMVB, acabou!

Hoje em dia é possível você ter acesso a animes de uma maneira muito, mas muito mais simples: assinando qualquer um dos serviços de streaming abaixo:

Claro que existem outros serviços disponíveis, alguns mais nichados, outros simplesmente piores e que não valem o investimento. Pelo menos para animes, no caso. Vale ressaltar também que dos citados cima, somente a Crunchyroll é especializada em animes, por isso seu leque de títulos é muito maior que das outras plataformas (mesmo que o player seja o pior).

Porém, tenha em mente que, assim como o surgimento do streaming mudou bastante o consumo do povo em geral, a cultura de baixar animes ainda se vê muito presente, infelizmente.

Num mundo ideal todos teriam dinheiro para acessar esse conteúdo legalmente e os serviços seriam infalíveis e ofereceriam todos os títulos do mercado.

Mas não vivemos num mundo ideal.

Por isso, ainda acho errado julgar quem consome animes de maneira ilegal. Além disso, existe ainda quem precisa consumir, mesmo podendo pagar, porque como supracitado, nem sempre todos os títulos estão disponíveis legalmente aqui no Brasil.

Sendo assim, não estou fazendo uma apologia direta à pirataria aqui porque acho que isso merece um artigo separado de debate.

Todavia, acharia injusto dizer para você que não existem sites com fácil acesso online, ou até mesmo sites confiáveis para baixar animes.

Quer ver pirata, online ou baixando? Dá teus pulo.

Quer assinar uma plataforma oficial? Ótimo! Se você pode pagar, pague!

Finalizando…

Reforçando o que foi dito na introdução: o intuito desse texto foi trazer um aglomerado de informações à cerca de “o que é anime?”, porém de maneira mais breve e sucinta.

Conforma fora recomendado ao longo do texto inteiro, caso você tenha lido e tenha interesse em se aprofundar na história dos animes, ou então no processo como um todo da produção de animes, fique a vontade para clicar nos links e navegar. Tenho certeza que encontrará muito conteúdo bacana.

Todavia, este artigo aqui também fala por si só, então espero que de alguma forma as informações aqui contidas tenham ajudado você a entender melhor sobre animes, os maravilhosos desenhos japoneses!

Não deixa de mandar esse texto para aquela pessoa que você sabe que gostaria de saber mais sobre animes!

Escrito por

André Uggioni

Fundador

Vendedor | Prolixo

Criciúma - SC

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